Carências - by Felipe Matos
À torcida carente de ídolos, resta um time carente de rumo. Ao elitizar a Ressacada, a diretoria avaiana assumiu para si o discurso de marqueteiros que buscam "qualificar" a platéia/o consumidor, divorciando-se da realidade.
O Avaí possui em mãos um dos produtos mais valiosos do mundo futebolístico, o Campeonato Brasileiro da Série A, sempre em crescimento, rico de valores individuais, um dos mais acirrados do mundo e que terá em 2012 - para os times que se mantiverem na Série A - uma supervalorização das cotas de televisionamento.
Mesmo assim, o clube - por crença sincera ou por mera incompetência - insiste em buscar no preço dos ingressos a sua viabilidade econômica, como se vivêssemos há 20, 30, 40 anos atrás, onde o dinheiro dos custos se encontrava nas gavetas das bilheterias.
A elitização posta em prática desde 2010, parece expor o credo moderno de que Florianópolis começa na Beira-Mar Norte e termina em Jurerê Internacional. Falaram tanto em elite azul & branca que acreditaram que isto é uma verdade.
A chusma, a patuléia, o povo que reclama de ter que colocar na conta dos jogos o dinheiro do ônibus, da gasolina, do estacionamento, do flanelinha, da comida e da bebida, este deve ser deixado de lado. É considerado um problema social, não futebolístico e é o típico torcedor de estádio que deve ser substituído pela moderna e consumista platéia das arenas, que não faz conta na hora de comprar pastel ou assumir um compromisso mensal de associação ao clube.
Fora de campo, o Avaí hoje afasta a sua fiel torcida, esvazia as arquibancadas, desperdiça novos adeptos, faz um desserviço a cultura popular e não avança sobre as novas fatias de mercado que todo ano surgem em busca do futebol.
Dentro de campo, privilegia negociações que não levam o clube a lugar algum, como o caso Caíque/Julinho, acham que qualquer meia dúzia de jogadores manterão o clube onde está - afinal, só precisa ficar na frente de quatro times na tabela - e ignora que o melhor negócio, no futebol, é manter um time vencedor e competitivo.
Títulos e grandes campanhas trazem público, renda, novos associados, publicidade, licenciamentos, poder de barganha. Na base do sucesso dentro de campo está o pote de ouro do arco-íris, o dinheiro farto do futebol. Não em aumentar valores de ingresso para arrecadar o dinheirinho do mês, enquanto a negociação de jogadores gera um lucro médio para empresários e demais interessados.
Fazer a torcida comprar Timemania para ganhar desconto no ingresso, ou anunciar aos quatro cantos uma promoção de R$20 e esquecer de deixar claro que este valor será cobrado apenas para os primeiros 2.500 pobretões que reclamam do preço não é nada, pois não passa perto de uma política de clube, planejada da mesma forma e com o mesmo esmero em que foi posta em prática a política da elitização.
Desde 2010 este blog se manifesta contra a elitização do futebol posta em prática na Ressacada (compilação de textos aqui). No entanto, os textos anteriores aqui publicados eram apenas alertas para o que poderia acontecer num cenário negativo.
Um ano e meio depois, não é mais necessário alertas, pois eis que, aos poucos, vai surgindo um Novo Avaí. Calado, na zona de rebaixamento, com uma semi-arena sem platéia e quase sem torcida (pois espectadores e torcedores são duas coisas diferentes, gritam os arquitetos da elitização).
O Novo Avaí é um time de amantes divorciados, mas ainda assim amantes. Ressentimentos à parte, basta um novo aceno para uma nova reaproximação. Mas, que este aceno seja fruto de uma política de clube, posta em prática por seus diretores com o mesmo afinco e com a mesma crença em que instituíram a política de elitização.
Se o que importa para os engravatados é o dinheiro na conta no fim do mês (e não é assim para todos nós?), ele será mais farto sem renovações inúteis como Gustavo e Rafael Costa, sem gastos despropositados como renovar com Benazzi e demití-lo duas semanas depois, expulsando a torcida do estádio, vendendo cota de televisionamento por um valor três vezes inferior ao que recebem os times mais inexpressivos do Rio Grande do Sul (e ainda ceder uma parte desta quantia a uma agência de publicidade como comissão), utilizando 60 jogadores num ano ao invés de dar o devido aumento aos poucos destaques de cada temporada.
Assim como em todos os amores, a paciência do torcedor não é eterna, posto que é chama, mas infinita só até enquanto dura.
* Felipe "Melo" Matos é associado do Avaí Futebol Clube e proprietário do blog Memória Avaiana
(http://blogmemoriaavaiana.blogspot.com/)
Não gostei desse texto, muito ruim! eheheh abraços!
Pô, Felipe!
É o texto do teu xará "Melo", que jogou na seleção e bate um bolão... hehehehehe
Parabéns pelo texto!
Abraços!
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