sábado, 11 de agosto de 2012

Ouro no futebol masculino vale muito pouco. Basta raciocinar e se apegar aos fatos para entender as razões disso, by Vitor Biner


No post da vitória do Brasil contra a Coréia do Sul, afirmei que “o ouro olímpico, diferentemente do que dizem, acrescenta muito pouco na história da seleção pentacampeã mundial”
Na última vez que vi o post, havia 275 comentários aprovados.
A maioria me criticando.
A forma como as pessoas discordaram foi diferente.
Alguns leitores, que merecem todo o meu respeito, o fizeram com educação.
Outros atacaram esse blogueiro. Foram arrogantes, mal educados, me acusaram de opinar de acordo com o meu desejo, mas não apresentaram argumentos para o debate.
São os fortes do mundo internético, donos de grande coragem virtual.
O leitor normal do blog sabe que não acho as coisas simplesmente porque acho. Penso nos fatos na hora de formar a minha opinião e desprezo as verdades absolutas, sem explicação.
Se dependesse de mim, a afirmação de Joseph Goebbels, o ministro de Hitler responsável pela propaganda nazista, de que “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”, seria motivo de piada na sociedade ao invés de uma frase sábia e realista, tal qual se mostra na prática.
Os fatos são simples e óbvios.
A história de nenhum país se compara a do Brasil no futebol.
Se hoje houvesse uma eleição para definir qual é a seleção mais admirada e respeitada desde a invenção do esporte, a escolha seria quase unânime.
Italianos, alemães, uruguaios, franceses, ingleses e espanhóis, por exemplo, votariam na equipe que contou com Pelé, Garrincha, Zico, Sócrates, Falcão, Romário e dezenas de outros craques.
Apenas alguns poucos argentinos discordariam.
A seleção brasileira construiu essa fama sem ser campeã olímpica.
A conquista do ouro em Londres não acrescenta quase nada ao nosso invejável currículo.
Vale menos que o desvalorizado título estadual para os grandes times de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e do Rio Grande do Sul.
Eles ao menos enfrentam importantes rivais. Os clássicos temperam as disputas.
A maioria dos adversários tradicionais do Brasil não conseguiu ir aos Jogos Olímpicos em Londres.
É simples de entender as razões.
O COI definiu a seguinte quantidade de vagas por continentes. África (4), Ásia (3), Europa (3), América do Sul (2), Américas do Norte e Central (2) e Oceania  (1).
A outra ficou para o país sede.
Não havia lugar para Alemanha, Itália, França, Holanda, Portugal e Espanha, por exemplo, disputarem, ao mesmo tempo, o torneio.
Se você acha que a rivalidade é fundamental para o futebol, se um clássico desperta mais seu interesse do que uma partida diante de uma equipe pequena, entende a importância da distribuição técnica, não territorial, das vagas.
Da mesma maneira como consegue compreender as razões dessas grandes seleções darem pouco valor aos Jogos Olímpicos.
Você é capaz de mencionar todos os vencedores de Copas do Mundo e quantos títulos cada um possui, porém não faz o mesmo com os ganhadores das medalhas douradas.
A Celeste Olímpica, ao invés da Hungria, única dona de três ouros, deve ter vindo a sua mente quando lembramos dos campeões olímpicos.
Nossos vizinhos merecem tratamento diferente porque foram bicampeões antes de existir a competição onde o Brasil é penta.
Em 1924 e 1928, o futebol dos Jogos era uma espécie de campeonato mundial.
O tricampeonato olímpico húngaro não os colocou entre as grandes potências da história do futebol.
A Argentina, atual bicampeã, vive, faz anos, uma crise relacionamento com seus hinchas. Os títulos não elevaram a auto-estima deles  Vibraram nas conquistas e deram pouco valor.
Nunca vi um argentino tirar sarro de nós por causa delas.
A última vitória no amistoso contra o Brasil deve ter elevado mais o amor próprio futebolístico hermano.
Vale lembrar que mesmo sendo campeã, a Argentina não teve seu lugar em Londres.
Quase todos os atletas da elite de cada modalidade esportiva lutam para participar da Olimpíada e conquistar a medalha dourada.
No futebol, não.
As FIFA, preocupada em manter a Copa do Mundo como o maior torneio, bate de frente com com o Comitê Olímpico Internacional e impõe os limites de qualidade para a competição do futebol masculino.
Como o feminino não é importante fonte de renda da Fifa, as regras de uso de atletas são diferentes.
Outra coisa.
Qual brasileiro começa a jogar futebol porque sonha em ser campeão olímpico?
A resposta é nenhum.
Todos candidatos a boleiros querem, com razão, atuar em times grandes e vencer a Copa do Mundo.
No vôlei, basquete, handebol, atletismo, ginástica, natação e na maioria das outras modalidades …. o maior objetivo é ser campeão olímpico.
Os jogadores de basquete querem também atuar na NBA, os do boxe pretendem se transformar em profissionais, mas esses são objetivos ligados muito ao dinheiro, à melhora de vida, situação normal em qualquer área.
Precisam sobreviver e não optaram por modalidades com tanto apoio.
O tênis talvez seja outra exceção. Como dependemos do talento individual e da persistência de um maluco qualquer para esse esporte se destacar, uma medalha nessa modalidade sempre será especial para o Brasil.
Acho que consegui explicar o meu post anterior, que tanta polêmica gerou.
Se o Brasil não for campeão olímpico, a pressão em cima de Mano e dos atletas será enorme. Se ganhar, o título terá mais representatividade nos discursos de interessados e iludidos do que na realidade do planeta do futebol.
Lembra a situação dos grandes clubes de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul nas disputas dos estaduais.
A diferença é que nesse  ‘estadual olímpico’ não havia rivais importantes.
Qualquer medalha de bronze e prata noutras modalidades é muito especial, diferentemente do ouro no futebol.
Opiniões
Quem discorda de mim pode apresentar seus argumentos.
Piadinhas, agressões, clichês e desdém não servem para contrariar os fatos.

2 Comentários:

Raniere disse...

André, pode até ser que esta medalha de ouro, à poucos perdida, não tenha um grande impacto positivo para o futebol brasileiro, mas a derrota e a perda de tal causa um impacto negativo de proporções muito maiores. Portanto, ao conteúdo escrito pelo Vitor Biner, não valorizar uma medalha de ouro para o futebol brasileiro, é no mínimo, uma falta de bom senso.
Grande abraço

JulioAzzurra disse...

Andre, concordo com o Birner. Só acho que ele esqueceu que a CBF colocou como questão de honra conquistar a medalha de ouro. Em busca desta conquista colocou todos os recursos doponíveis. Não vencer, orna-se um fracasso; e isso deve ter sua importancia.

PS. agora o Argentinos já nos
tiram sarro por este fracasso.

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