terça-feira, 23 de abril de 2013

Obra de televisão, by Marcelo Herondino Cardoso

Foto: Floripanews
No último dia 17 de abril, começou "oficialmente" a duplicação da Av. Diomicio Freitas, no trecho compreendido entre o trevo da seta e o estádio da Ressacada. Escrevo "oficialmente", entre aspas, porque segundo as "otoridades" competentes (ou nem tanto), já estavam sendo executados, há algum tempo, trabalhos de infraestrutura pra a obra.

De acordo com os responsáveis pela execução do projeto, as obras não haviam começado antes por causa das chuvas que ocorreram nos meses de janeiro e fevereiro, além da falta da necessária licença, que havia sido finalmente fornecida pelo Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio).

Pois bem. No mesmo dia, apareceram no local diversos jornalistas, com o objetivo de registrar o início da obra. Com disposição incomum, máquinas arrancavam freneticamente a vegetação do mangue enquanto operários acompanhavam o trabalho. Tudo devidamente registrado pelas câmeras e exibido "por toda Santa Catarina" (assista aqui).

Eu, que moro no Carianos, fiquei naturalmente satisfeito com a notícia. Estranhamente, no dia seguinte, as máquinas tinham desaparecido. Apenas alguns funcionários trabalhavam no local, colocando duas placas com a propaganda do "pacto das estradas" promovido pelo governo do Estado. Depois disso, não tenho visto mais viv'alma no local, apesar de passar diariamente, pelo menos duas vezes, por ali. A vegetação que estava sendo retirada ficou exatamente como deixaram no dia das filmagens. Um visitante incauto não imaginaria que obra de tal porte está sendo executada no local.

Dessa vez, qual a desculpa? Desde o dia 17, quando "começou" a obra, não caiu sequer uma gota de chuva em Florianópolis, logo não pode ser por causa do clima. As licenças estão ok, ou o trabalho não teria sequer começado. E agora, o que falta? Por favor, não venham dizer que estão trabalhando em "outras frentes". Não existem planejamento de obra desse tamanho que faça deslocar uma equipe e os equipamentos para trabalhar UM DIA e depois ir fazer outras coisas. Não quero crer que foi só para aparecer na TV e usar como propaganda política depois...

com não sou engenheiro, posso estar equivocado e abro o espaço para quem quiser fazer as devidas explicações. Mas depois, não venham justificar aditivos aos contratos e atraso nos prazos por conta do "clima" ou usando qualquer outra desculpa esfarrapada. Não aguentamos mais essa "enrolação" oficial.

Em tempo: na reportagem, a RBS insiste em chamar a rodovia de "Diomicio DE Freitas". É possível que estejam falando da avenida localizada do Distrito Industrial de Anápolis, em Goiás. Vai ver, é pra lá que as máquinas e os operários foram. A daqui é Diomicio Freitas, somente. Custa pesquisar um pouquinho? Mas o que esperar de uma imprensa que insiste na denominação "Ilha de Florianópolis"?

* Marcelo Herondino Cardoso é associado do Avaí Futebol Clube e proprietário do blog Falares

4 Comentários:

Anônimo disse...

Fácil resolver a duplicação. É só trazer a fábrica da BMW pra perto da ressacada e teremos um "esforço concentrado" de políticos, trabalhando até na véspera do natal, para viabilizar a obra.

A "tchurma" que lança toda semana, projetos para mais uma ligação ilha/continente, obras de duplicação e asfaltamento de nossas rodovias, etc.., etc.., sem no entanto darem continuidades ou mesmo início das mesmas, já devem estar preparando a maquiagem e flashes para mais um lançamento espetacular, infelizmente feito especialmente para mídia e enriquecimento das agências de publicidade que atendem ao governo.
cado


Anônimo disse...

O que se pode esperar de políticos que deixaram vergonhosamente sucatearem-se hospitais e escolas, como vemos todo dia na TV, e no capítulo segurança deixam o povo entregue à própria sorte nas mãos de assaltantes? Eles têm cara de pau, inclusive pra fazer essas maquiagens com as quais conseguem eleger-se de novo, quando o certo era estarem na cadeia.
Duplicação? Vamos esperar sentados.

Anônimo disse...

A obra foi suspensa após constatação da FATMA de que a extensão da obra era diferente da constante na licença ambiental.

Anônimo disse...

O anônimo, que se manifestou explicando que a extensão da obra era diferente da constante na licença ambiental está defendendo, ou criticando os executores?
Se está defendendo, faz a emenda pior que o soneto. Afinal, onde foi que estudaram os técnicos envolvidos nisso tudo? Compatibilizar extensões não deve ser coisa misteriosa para engenheiros, nem mesmo para técnicos de menor nível. Estaríamos diante de um erro premeditado?
Parece que o Marcelo Herondino matou a charada, Obra de Televisão. - Roberto Costa

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