Erramos: Despedida de Neymar, by Filipe Gomes Calmon
Mais de 63 mil pessoas estiveram presentes no novo estádio Mané Garrincha em Brasília, lindissimamente preparado para as copas das Confederações e do Mundo que estão por vir, para a partida entre Santos e Flamengo gerando a incrível renda de R$ 6,9 milhões.
Primeiro Erramos.
Tratou-se também do último jogo do garoto Neymar com a camisa do Alvinegro Praiano antes de este assinar contrato com o Barcelona.
Segundo Erramos.
Segundo Erramos.
Em campo, um zero a zero em que o time mandante, o Santos, parecia visitante tanto por ter sua torcida sufocada pela do adversário quanto pela posse de bola e conclusões a gol. Não dá para dizer que o Flamengo foi o senhor do jogo, mas o goleiro Felipe, que vestia uma belíssima camisa dourada da nova fornecedora de material esportivo rubro-negra, a Adidas, manteve-se limpo e tranquilo do início ao fim do jogo.
Mas vamos aos Erramos.
Quando nos deparamos com um público recorde e uma renda recorde no futebol brasileiro não podemos nos furtar a refletir: o brasileiro ama futebol, sim.
Aqui se revela o primeiro Erramos: expomos demais nosso objeto de paixão.
É de conhecimento geral que os moradores de Brasília possuem renda per capita das mais altas do país, mas não podemos crer que dinheiro é o fator preponderante que levou à quase lotação do Mané Garrincha. Os bilhetes custaram entre R$ 160 e absurdos R$ 400, com direito a meia-entrada que em momento algum foi fiscalizada – um câncer à cultura e ao desporto, aliás. Tanto a meia-entrada quanto a falta de fiscalização.
Os preços são tão exorbitantes que não possibilita a ninguém imaginar que o Mané Garrincha lotou porque os brasilienses são ricos. Não. Lotou porque os brasilienses têm poucas oportunidades de assistir a uma partida de Série A. Logo, podem economizar ou fazer um esforço para pagar um punhado a mais, pois sabe-se lá quando haverá uma nova oportunidade para assistir partida como esta.
E aqui uma análise rápida sobre outro ponto polêmico: o da qualidade do espetáculo.
Claro que quanto melhores forem os jogos, mais interesse estes vão despertar e, por consequência, mais público e renda serão anotados nos balancetes. Mas, oras, não é o caso. Estivesse o Flamengo com um timaço, lutando numa Libertadores da América ou com um promissor time vindo de bons resultados no Carioca e na Copa do Brasil, entenderíamos. Se do outro lado, da mesma forma, o Santos fosse aquele com Neymar, Ganso, André, Wesley e Robinho que estivesse encantando o país, também entenderíamos. Mas a partida era apenas a primeira de um longo campeonato de pontos corridos que envolveu um time em formação e outro em desmanche.
O que nos traz o gancho para o próximo Erramos: Neymar
Nesta segunda-feira, é possível, como no Correio Braziliense, lermos manchetes tal qual “Despedida de Neymar tem a maior renda do futebol brasileiro”. Essa relação de causa e efeito não se aplica na prática. As filas e compras de ingressos já se mostravam muito promissoras e o tal recorde na arrecadação já havia sido batido antes mesmo do anúncio do clube santista de que Neymar seria vendido e que portanto faria a última partida em solo candango. Nem vou me demorar mais sobre este tema. Afirmo: Neymar não lotou o Mané Garrincha, que, diga-se de passagem, passou o jogo inteiro vaiando os ex-moicano desde seu primeiro toque na bola até o último. Os aplausos foram apenas isolados ao craque brasileiro, a maior esperança tupiniquim para o sucesso nacional nas empreitadas domésticas da Copa das Confederações e do Mundo.
E aqui anoto meu último Erramos.
De tão midiatizada que está nossa paixão, perdemos nosso poder de admirar quem dela se aproxima com intimidade. Porque vaiar o Neymar? Perguntei a torcedores em meu redor durante o jogo e ouvi algumas respostas: “Ele é um produto da mídia”, “O Neymar só quer saber de cachaça e mulher”, “Ele não quer mais nada”, “Nunca jogou bola na vida”. Convenhamos, vai. Erramos.
Neymar ainda tem muito para fazer pelo futebol brasileiro, mas é sim um jogador diferenciado e que merece a alcunha de craque. Faz com a bola o que poucos fazem e fizeram na história desse esporte. Já conquistou grandes façanhas, títulos, respeito mundial (cético: clique neste link http://www.neymaroficial.com/ nav/carreira.php) e agora mais um contrato milionário, desta vez com o Barcelona (Sim! O Barcelona!); e ainda tendo recusado proposta do Real Madrid (Sim! Do Real Madrid!) Acha pouco? Calma, pois ele acabou de completar 21 anos…
Concluo dizendo que erramos feio em transformar nossa paixão em um subproduto mal-acabado entregue duas vezes por semana durante o ano inteiro. Não há como treinar, não há como descansar, não há como reciclar, não há como ter saudade. Mas para os privilegiados esquecidos de Brasília, capital nacional de futebol tão pobre, mas de torcida tão rica, um jogo que já se anunciava ruim como o 0 a 0 visto, de tão raro, foi capaz de reascender o orgulho daqueles que veem no futebol um esporte que tem dentro das quatro linhas apenas uma desculpa para acontecer: o de torcer.
O jogo? Muito ruim. A diversão? Excelente!
Texto e fotos: Filipe Gomes Calmon, matéria publicada no site Infoesporte, nesta data.
ERRAMOS.........SÓ FALTA INFORMAR QUEM FICOU COM A GRANA, UMA VEZ QUE O SANTOS VENDEU A COTA DO JOGO POR 800MIL. ERRAMOS.........................
SERGIO BAYESTORFF
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