A chance que se quer, by Alexandre C. Aguiar
As fórmulas de auto-ajuda, que dão visibilidade a marqueteiros e exposição a picaretas, na tentativa de se dizerem importantes e donos da verdade, possuem pelo menos uma coisa de útil a ser usada por desesperados: atiçar aquela fagulhinha de boa vontade que ainda está lá, encravada no fundo do íntimo daquele incauto-alvo.
O sujeito está ali, largado na sarjeta, a baba lambida pelos cachorros, moscas e baratas sendo inquilinos do seu corpo, os gatos jogando areia em cima, situação onde ele não tem mais nada a perder, pois já perdeu o que podia, e então se pergunta: como saio dessa?
Aí o espírito da auto-ajuda plaina sobre ele e reverbera com sua voz metálica: tens uma chance em um bilhão, seu tanso, mas há uma chance.
E o fato de o cara se levantar, se espreguiçar e sair para tomar água já é um alento. Houve uma motivação. Daí pra se tornar um CEO de uma grande refinaria de petróleo é um pulinho. É? Claro que sim.
Ninguém é tão ruim que não possa tirar nota dez com louvor em Física Quântica e nem tão bom que não possa sofrer de diarréia crônica. Todos temos nossos prós e contras, cada qual com sua cota especial.
Faço toda esta lengalenga para diagnosticar este time do Avaí. Afinal, que raios é este time? É assim tão ruim que leva a maioria dos moradores de nossa cidade a sofrer tanto deste jeito? Não há qualquer perspectiva de melhora? Ou é bom demais e está apenas se divertindo com a nossa cara?
A motivação que tem qualquer ser humano é quando há algo a conquistar. Quando se traça um objetivo e se começa a caminhada para atingi-lo. É assim em qualquer etapa da vida e sempre para aqueles que querem ser vencedores. Mesmo que seja para levantar e tomar água. Então, pelo que temos assistido, este time não deseja conquistar mais nada. Está feliz, numa zona de conforto assegurada, bons salários, troféus a rodo espalhados pelo chão, uma torcida satisfeita, uma mídia espocando elogios e patrocinadores faturando alto. É isso?
Na atual Série B, temos uma chance em dezenove para sermos campeões. Ou pelo menos estarmos entre os quatro principais. Até que não é tão ruim assim. Basta um esforcinho glorioso. Uma suadinha básica. E todas as amarguras serão esquecidas, pois depois da glória atingida ninguém lembrará mais de como se chegou até ali.







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