EDUARDO GALEANO E GARRINCHA, by Roberto Costa
Em especial para um barbie, que se identificou como Paulo.
Faleceu Eduardo Galeano, vítima de um câncer de pulmão, e fiquei sabendo agora cedo, pelas ondas da Globo, que tinha grande afeição pelo Brasil e que, segundo a reportagem, era apaixonado pelo café brasileiro, pelo futebol de Pelé e Garrincha e parece que este último era quem exercia sobre o escritor o maior fascínio dentre todos os jogadores.
Segundo Galeano, com o mané das pernas tortas jogando, o campo virava um picadeiro e tudo se tornava alegria. Quem viu Garrincha jogar sabe do que falou o escritor.
Há um gol que Garrincha fez contra o Vasco, em pleno Maracanã, que resume toda a irreverência daquele jogador genialmente desmiolado, mas não sei se as imagens resistiram ao incêndio da antiga Rede Record, onde muita genialidade foi reduzida a cinzas.
Depois de driblar vários jogadores da defesa vascaína, Garrincha passou também pelo goleiro e parou inexplicavelmente diante do gol desguarnecido, com o pé sobre a bola, a um metro da linha fatal.
Quem poderia entender as razões daquele mago brincalhão? A torcida queria logo o gol, mas Garrincha, não. Com o sangue frio de quem sabia o que estava fazendo ele esperou que Belini, o grande zagueiro da Seleção, retornasse e se postasse à frente da bola, sob os paus da trave. Então, por duas vezes, com a irreverência de um Carlitos, o gênio ameaçou chutar negaceando, iludindo, humilhando Belini, que por duas vezes esticou a perna tentando evitar o gol, e apenas na terceira vez o herói colocou a redonda nas redes, fazendo-a passar por entre as pernas do atleta que era o grande símbolo da zaga brasileira. E só então saiu correndo e pulando e sorrindo feliz, como faria qualquer moleque num campo de pelada, sob risos, mais que aplausos, da sua torcida.
À época, alguns poucos insensíveis da mídia não entenderam a festa, ousaram chamar Garrincha de irresponsável, certamente os de mal com a vida, mas o povão delirou e comemorou por muito tempo esse que foi um dos gols mais incríveis da história do futebol.
Certamente, foram coisas com este grau de magia, tão comuns em Garrincha, que fascinaram o grande escritor Eduardo Galeano, e que o fizeram colocar Garrincha no topo das suas fascinações.
* Roberto Costa é associado do Avaí FC
Faleceu Eduardo Galeano, vítima de um câncer de pulmão, e fiquei sabendo agora cedo, pelas ondas da Globo, que tinha grande afeição pelo Brasil e que, segundo a reportagem, era apaixonado pelo café brasileiro, pelo futebol de Pelé e Garrincha e parece que este último era quem exercia sobre o escritor o maior fascínio dentre todos os jogadores.
Segundo Galeano, com o mané das pernas tortas jogando, o campo virava um picadeiro e tudo se tornava alegria. Quem viu Garrincha jogar sabe do que falou o escritor.
Há um gol que Garrincha fez contra o Vasco, em pleno Maracanã, que resume toda a irreverência daquele jogador genialmente desmiolado, mas não sei se as imagens resistiram ao incêndio da antiga Rede Record, onde muita genialidade foi reduzida a cinzas.
Depois de driblar vários jogadores da defesa vascaína, Garrincha passou também pelo goleiro e parou inexplicavelmente diante do gol desguarnecido, com o pé sobre a bola, a um metro da linha fatal.
Quem poderia entender as razões daquele mago brincalhão? A torcida queria logo o gol, mas Garrincha, não. Com o sangue frio de quem sabia o que estava fazendo ele esperou que Belini, o grande zagueiro da Seleção, retornasse e se postasse à frente da bola, sob os paus da trave. Então, por duas vezes, com a irreverência de um Carlitos, o gênio ameaçou chutar negaceando, iludindo, humilhando Belini, que por duas vezes esticou a perna tentando evitar o gol, e apenas na terceira vez o herói colocou a redonda nas redes, fazendo-a passar por entre as pernas do atleta que era o grande símbolo da zaga brasileira. E só então saiu correndo e pulando e sorrindo feliz, como faria qualquer moleque num campo de pelada, sob risos, mais que aplausos, da sua torcida.
À época, alguns poucos insensíveis da mídia não entenderam a festa, ousaram chamar Garrincha de irresponsável, certamente os de mal com a vida, mas o povão delirou e comemorou por muito tempo esse que foi um dos gols mais incríveis da história do futebol.
Certamente, foram coisas com este grau de magia, tão comuns em Garrincha, que fascinaram o grande escritor Eduardo Galeano, e que o fizeram colocar Garrincha no topo das suas fascinações.
* Roberto Costa é associado do Avaí FC







Postar um comentário
A MODERAÇÃO DE COMENTÁRIOS FOI ATIVADA. Os comentários passam por um sistema de moderação, ou seja, eles são lidos, antes de serem publicados pelo autor do Blog.