O "CAMPO DA LIGA", by Roberto Costa
A menção no Blog, ao "estádio" Adolfo Konder, onde aprendi as primeiras lições de ser Avaiano, trouxeram-me um caudal de lembranças. Já muito se falou das glórias que o Leão conquistou naquele espaço. Vamos a algumas lembranças de micro-ocorrências na linha da verve ilhoa, algumas notas que dizem adequadamente do espírito satírico, jocoso, do torcedor manezinho.
Os bandeirinhas, hoje auxiliares, no estádio precário como era o nosso Campo da Liga, pela proximidade com que atuavam junto ao torcedor, eram as piores vítimas da galera ignara. Em dia de jogo eles tinham que deixar em casa o apreço que tivessem pela mãe querida, tinham de fazerem-se de surdos. Qual deles nunca ouviu pelas costas o coro chavão, o deboche safado e infalível em todos os jogos, que dizia, no embalo da música do Chacrinha: "Ó bandeirinha, ó bandeirinha, a tua mãe tá dando a (p&*/#) pro Chacrinha"? Sem dúvida, era uma função terrível de exercer naqueles tempos. E imaginemos o salário !?....
Tínhamos o folclórico "Balbada", que sempre que a bola estava no campo oposto àquele em que atuava, dava atenção àquele torcedor agarrado ao alambrado, trocava comentários sobre o jogo com ele.
Não recordo o nome, mas um dia surgiu um auxiliar novo, um cidadão pequeno e de físico muito mirrado, de aparência muito frágil, as pernas finas como o pau da bandeira que portava. Pouco antes do início do jogo ele assumiu sua posição, de costas para a galera, até garboso dentro do uniforme da federação, e de pronto teve de ouvir de um torcedor gaiato, seguido do riso sarcástico de uns outros trinta: "Ô bandeirinha, bandera a nosso favor, que no próximo jogo eu te trago um vidro de biotônico."
E que dizer, então, de um jogo contra o Carlos Renaux, cuja nossa derrota nesse jogo alijaria o murrinha da decisão do título? Todos tinham na lembrança aquele célebre jogo em que o time do Estreito entregara para o Inter de Lages, para não enfrentar-nos na final. A torcida azurra, ainda inconformada, queria dar o troco, queria a vingança, entrou em campo exigindo a derrota, chamava nossos jogadores no alambrado e pedia-lhes a derrota. "Vamos Perder!" Gritava-se a plenos pulmões. Antes dos dez minutos iniciais já o goleiro Rubão (grande Rubão!) largou intencionalmente a bola nos pés do centroavante adversário, o qual fez o primeiro gol. Nossa torcida vibrou, pulou, todos se abraçavam, o gol era do adversário, mas era muito mais nosso. No intervalo João Salum deu bronca no vestiário, mandou que o time voltasse para o segundo tempo e jogasse pra ganhar. O time virou o jogo para 3 X 1 e a torcida voltou para casa totalmente frustrada, irritada com a ética do velho e bom João Salum. No resumo da ópera, acabamos perdendo o título para o murrinha, mas Salum mostrou quem era.
O Anão e a Raposa, então época de vacas magras, irradiavam jogos da cabina construída sobre um pasto que era parte da geral, e a base dessa construção servia de mictório a céu aberto, aos homens. Era prático, bastava aproximar da parede e deixar fluir. As raras mulheres que ousavam comparecer à geral do "estádio", nunca se soube como se serviam em caso de necessidade. A cabina não tinha vidro, de formas que, quando um desses aluguetes dizia que a bola passara raspando a trave, pra dar mais emoção à transmissão, os torcedores embaixo gritavam: "Mentiroso!" e apupavam, e os apupos saíam através dos aparelhos de rádio, e esses torcedores também brindavam esses radialistas com saraivadas de cascas de vergamota. Bons tempos, apesar da precariedade.
Ali no Adolfo Konder, tivemos o privilégio de assistir a um fato inusitado e tragicômico, certamente único no mundo e na história do futebol, quando nosso time, o nosso Leão - por uma dessas mancadas da federação - entrou em campo para um jogo de campeonato de futebol profissional, e seu adversário, a Chapecoense, no mesmo dia e horário entrou para disputar o mesmo jogo no remendão do Estreito.
Por força do progresso que nada poupa, ficou apenas na memória o nosso querido e saudoso Campo da Liga.










Miguel Livramento acaba de dizer no Deboche Diário, que em 62 o zagueiro Airton, do Grêmio, foi dispensado da Seleção "por excesso de categoria".
Sinceramente, em termos de curiosidade eu botava muito mais fé naqueless almanaques do Biotônico Fontoura, que eram distribuídos gratuitamente nas farmácias.
Quanto ao zagueiro referido, de grande estatura, eu o vi dobrar a coluna vertebral para agarrar pela camisa o nosso mini/grande atacante, o Cavalazzi, que o driblara e partia célere para o gol. - RC
RC,
Em relação ao baixinho do microfone, não merece crédito...
Quanto ao baixinho craque, lembro de tê-lo visto atuar em alguns jogos no nosso saudoso estádio...
ANDRÉ, E foi mesmo no Adolfo Konder, num jogo amistoso, em que o Avaí saiu vencendo por um a zero e o Grêmio virou para três a um. Eu estava lá.
RC,
O jogo ao qual te referes, foi realizado em 31 de janeiro de 1964. Perereca fez o gol do Avaí, e Cleo, Renato e Madureira viraram para o Grêmio. o gaúcho Agomar Martins foi o árbitro.
Acho que viraram por causa do apito...
Bons tempos aqueles.
Comecei a ir lá, primeiramente, levado pelo meu pai.
Depois comecei a ir sozinho, pedindo na entrada pra que algum adulto me fizesse entrar como acompanhante e, assim, assisti muitos jogos.
Houve um tempo, entretanto, em que a tentativa de entrar como acompanhante já não surtia mais efeito.
Tive que pensar numa solução pra não perder os jogos do Leão.
Fácil.
Era só pular o muro, principalmente na hora em que tocava o hino nacional, momento em que os policiais tinham que guardar posição de respeito, conforme ordenava a Polícia Militar, e não podiam se mover na direção de quem quer que fosse.
O problema é que eles não fechavam os olhos, viam a gente pular e, depois do hino, iam atrás.
O negócio era se esconder no meio da "multidão", tirar a camisa, arrumar qualquer disfarce que dificultasse a identificação.
Lembro que numa dessas ocasiões, já meio craque em adentrar ao nosso Adolfo Konder, por métodos não muito ortodoxos, não fui muito bem sucedido, mas achei uma solução.
Ocorre que estava eu, fora do momento da execução do hino, em cima do muro, atrás do gol da Mauro Ramos, sentado, já pronto pra pular, quando fui surpreendido por um policial super indignado e, parecendo um pitt bull, veio na minha direção, provavelmente com pensamentos pouco recomendáveis.
Ao me ver retroceder, ou desistir de pular, ao analisar a situação, mandou que algum policial me cercasse pelo lado de fora.
Quando vi um policial se dispondo a atendê-lo, pulei para a Mauro Ramos e saí correndo, antes que algum policial pudesse me alcançar.
Subi a rua, numa corrida desenfreada e entrei à direita, na rua de cima, paralela à Bocaiúva, procurando, desesperadamente um local pra me esconder, porque, nessa altura da brincadeira os policiais já me conheciam.
E fui correndo, cada vez mais desesperado, com a possibilidade de ser preso.
Ocorre que lá pela metade da rua, vi uma casa com o portão aberto.
Não tive dúvida, entrei correndo e fui lá para os fundos, diminuindo gradativamente a velocidade, quando tive uma surpresa maravilhosa.
Lá nos fundos, havia uma arquibancada improvisada, com muitas pessoas assistindo ao jogo do quintal.
Cheguei, já de mansinho, e meio sem graça, sem conhecer ninguém, e fui me colocando em posição de torcedor.
Todos olharam, me viram chegar e me receberam muito bem, eu estava em casa e, longe do perigo.
Assisti ao jogo de camarote.
Essa era uma face do relacionamento de muitos torcedores, obviamente sem dinheiro, com o nosso Adolfo Konder.
Assim muitos de nós marcaram suas infâncias, tendo, no saudoso Adolfo Konder, um dos palcos de suas atuações, algumas delas, um tanto atribuladas e, por vezes perigosas.
Nem que o maior ou melhor estádio do mundo fosse hoje o estádio do Avai, não apagaria nossas lembranças "made in" Adolfo Konder.
Saudade.
Byghal.
Byghal,
Belo relato, apesar dos métodos pouco ortodoxos de adentrar ao saudoso Adolfo Konder, mas bem conhecidos para a época...
hehehehehehehe
Vai virar postagem.
Carlos Avaiano
Epa, me lembro dessa arquibancada nos fundos da casa onde assisti alguns jogos levado por amigos que conheciam o dono.
Mundo pequeno ou cidade pequena não?
Carlos Avaiano,
Sim, existiam alguns "camarotes", entre eles, na casa do meu amigo Zeca Mussi...
Mano Byghal e Carlos Avaiano, não duvido que apareça mais um caminhão de pessoas que assistiam jogos naquela casa. Umas duas vezes estive lá também, mas é claro que sem fugir da polícia, que isso é coisa de marginal, que eu jamais imaginei que meu irmão pudesse fazer uma coisa dessas, kkkkkk. Ah, se o pai soubesse! rsrsrsrs...
Eu dava uma peruada na frente da casa e quando aparecia alguém pedia licença..Quando muito faziam apenas um gesto com a mão e diziam, entra. Gente fina, nem perguntavam quem a gente era.
Eu só via um defeito ali, nunca ofereciam um refrigerante, um refresco de limão, uma ostra gratinada, um pastel de camarão quentinho. Afinal, a gente prestigiava a casa, né?kkkkkkkkkk.
Falando sério, isso demonstra a diferença em comparação com os dias de hoje, quem pode hoje, de forma tão liberal, deixar que estranhos passem para dentro de seu portão? RC
ANDRÉ, não viraram o jogo no apito, não. O grêmio virou jogando bola. Fizeste confusão com outro time. - RC
RC,
Pelo visto, sempre foste mal acostumado: um refrigerante, um refresco de limão, uma ostra gratinada, um pastel de camarão quentinho?
Coisa de mandrião: não paga e ainda quer mordomia! KKKKKKKK
Estás descobrindo teu irmão aos poucos... hehehehehehe
RC,
Não confundi, não...
Apenas fiz uma brincadeira após ter consultado os confrontos entre AFC e GFBPA.
O time do apito, sabemos, é outro...
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