quarta-feira, 31 de maio de 2017

A INVENÇÃO DA RODA, by Alexandre C. Aguiar

A pior coisa numa análise sobre o famigerado futebol é a gente se tornar repetitivo e, ao final, constatar que tudo o que se apontou como erro acaba não saindo do lugar, acaba não sendo corrigido. O que está ocorrendo agora, com o Avaí, é reflexo de coisas que vem acontecendo há muito tempo. Não pense o torcedor que tudo isto começou a aparecer agora. Quem me acompanha sabe do que eu falo. Há quatro anos alguns incompetentes aportaram na Ressacada. Lamento que parte disso tenha sido com o meu voto, o que me arrependo amargamente.
E sabe o que é engraçado? É após a terceira rodada do Brasileirão as pessoas, seja torcedor, jornalista ou dirigente, constatarem que o Avaí tem que contratar, porque este time aí não joga nem na série C. Que um meio de campo com dois brucutus só desarmando não funciona. Que três atacantes num time que não marca é suicídio. Que Marquinhos está mais lento do que o habitual e precisa ser reavaliado como jogador, até por seus seguidores. Que a limitação do elenco é gritante (já disse!). Que faremos uma péssima figuração neste campeonato e fatalmente seremos rebaixados.
Isto tudo já foi dito lá atrás. Custa prestar atenção nisso? A propósito, tem gente querendo tirar o Marquinhos agora, gente que brigava porque o queria antes no time, para aquela situação do “quem sabe”. Agora?
E sabe o que é mais engraçado? É que a diretoria avaiana, vendo que a água escaldante bateu na bunda, agora vai ao mercado contratar a rodo, porque sabe que a sua premissa blasé de não fazer aventuras foi um tiro no pé, como já havíamos dito antes. Que manter o mesmo time, ou um pouco mais inferior do que aquele da Série B, foi um erro estratégico. E que o título invicto do primeiro turno no catarinense só serviu para enganar quem é trouxa.
E sabe de outra coisa bem mais engraçada? É que logo, logo, vão demitir o treinador Claudinei, por causa dos resultados que nem ele mesmo tem culpa, e aí vão contratar outro, este virá com uma penca de jogadores a serem contratados e ficaremos com um plantel bem gordinho, daqueles bem inchadinhos e gastando o dinheirinho que era para pagar dívidas. Lindo, né?
E sabe ainda mais o que se torna engraçado? É gente querendo inventar a roda.
O engraçado de tudo isso, na verdade, é que muita gente vive esbravejando contra a Chapecoense e o coitadismo que foi agregado a ela. Coitadinho é o Avaí, que acha que jogar uma Série A de campeonato brasileiro com um time medíocre vai comover a todos e trazer a benevolência e simpatia dos adversários. Algo do tipo: vamos jogar assim mesmo para ver no que vai dar, quem sabe eles tenham pena da gente.
Respeitem-se, antes, porque futebol é coisa séria. A maior aventura é ser ousado e jogar futebol e nunca a de fazer figuração.
* Alexandre Carlos Aguiar é associado do Avaí FC e proprietário do blog Força Azurra

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