O Avaí cai, mas Betão continua em pé
by Roberto Salim
Agora não dá mais: o Avaí vai mesmo para a série B em 2020.
A derrota para o Botafogo não deixa mais qualquer esperança para o time catarinense.
Mas nem sempre a queda para a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro significa que os jogadores foram incompetentes ou indignos.
O Leão da Ilha tem um capitão que honra sua história de quase 100 anos: Ebert Willian Amâncio.
Falando assim, pouca gente vai saber que estou falando do zagueiro Betão.
Ele veste a camisa 3 com a mesma empolgação dos tempos em que jogava na base do Corinthians. Treinava no terrão. Estreou na equipe de cima com 17 anos e fez história junto à fiel torcida.
Pois Betão completou segunda-feira 36 anos.
No mesmo dia 11, fazia de tudo no Estádio Nílton Santos. Betão se empenhava para que seu time não sofresse mais uma derrota.
A chuva caía forte no Rio de Janeiro.
O Avaí perdia de 1 a 0.
Mas resistia e tentava o empate.
Betão comandava sua turma com a faixa de capitão no braço.
Ele está desde 2016 jogando pelo Avaí.
Quando deixou o Corinthians, onde ganhou vários títulos, foi defender o Santos. Depois foi para a Ucrânia e jogou no Dínamo de Kiev. Passou pelo futebol francês, onde defendeu o Evian. Na Ponte Preta não teve passagem brilhante. Voltou para a França e há três anos foi parar no Avaí.
Sua experiência e a seriedade lhe deram a faixa de capitão.
E capitão é aquele jogador que tem o respeito dos companheiros, gente do porte moral de Bellini, Mauro, Carlos Alberto Torres, Luiz Pereira, Valdemar Carabina, Bauer, Cafu, Sócrates.
Betão já não tem o físico dos 20 anos.
Mas tem a técnica, o empenho e a altivez a seu lado.
Aos 34 minutos do segundo tempo do jogo do seu aniversário, da partida contra o Botafogo, debaixo da chuvarada, aconteceu o lance que me motivou a escrever a coluna de hoje.
Os botafoguenses atacavam pela direita.
Betão foi fazer a cobertura do lateral, sentiu a perna, mas não parou.
Seguiu no lance pulando em uma perna só.
Mas não se atirou ao gramado.
Não parou.
Não desistiu.
E fez de tudo para manter a linha de impedimento.
Só se deitou na grama molhada quando seu time recuperou a bola.
Na sequência, foi substituído pelo camisa 98, Wesley.
O Avaí ainda sofreu um gol de pênalti.
A derrota, a queda confirmada para a Série B e a contusão não estavam nos planos do aniversariante da noite.
Mas nada disso mancha sua carreira.
Nada disso mancha a sua braçadeira de capitão.
Fonte: site Ultrajano







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