terça-feira, 28 de julho de 2020

A CRÔNICA QUE TEMOS, by RC

O futebol de Santa Catarina tomou novos rumos a partir do ano de 1999. Novas figuras entraram no cenário, investidores passaram a atuar, e a crônica esportiva também passou a pautar-se a partir de novos pressupostos, ou interesses.

Quem tem um pouco mais de idade e acompanhou essa trajetória, sabe do que estou falando. A crônica da Ilha tratava os clubes da capital com parcimônia, com equidistância, e por isso era simpática a toda a massa esportiva da capital, até esse fatídico ano. O futebol catarinense, crônica incluída, não foi mais o mesmo, depois de 1999. Por isso, venho sendo um crítico assíduo dessa turma.

Em Joinville, o árbitro Ronan apitou acertadamente um pênalti contra o time do Branco e da crônica. Apontou com o dedo a marca do pênalti, a câmera mostra, mas no mesmo instante mudou de ideia. Razões internas, de foro íntimo o levaram a modificar sua decisão. Faltou-lhe peito para garantir-se com a sua convicção, e fez um  papel ridículo, diante de milhares de presentes e outros milhares de ausentes que o observavam via TV.
No fim do jogo faltou-lhe peito uma vez mais, para apitar outro pênalti, desta vez contra o Joinville. O jogador barbie foi empurrado dentro da área, não vou negar. Tivesse o árbitro apitado o primeiro, certamente sentir-se-ia forte o bastante para apitar o segundo. Mas o cerne deste comentário remete mesmo é à crônica. Não vá ninguém da crônica arguir, por falta de argumento seguro, que trazer como exemplo um fato passado torna sem importância a questão.

É que, no ano passado, no clássico final, pelo campeonato da série A, o jogador Lincoln, do Avaí, foi derrubado dentro da área num lance perfeitamente idêntico a esse não assinalado contra o Joinville. As imagens mostradas, filmadas pelas costas dos jogadores, mostraram também o braço do adversário derrubando Lincoln. Desafio o torcedor Faraco, a mostrar essas imagens e compará-las. Comentaristas, na hora e depois do jogo, brigando com as imagens, classificaram logo o lance como normal e botaram uma pedra em cima, não trouxeram à análise mais detida o lance, como fizeram hoje. Não mostraram repetidamente a jogada para esclarecer possíveis dúvidas. É a crônica que temos.

* Roberto Costa, o "RC", é associado do Avaí FC. Texto originalmente publicado em 23/04/2012. Arte acima: Mausé, o saudoso Mauro José Pereira

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