O FATO E A CIRCUNSTÂNCIA, by RC
Os sorteios levados a efeito pela Federação Catarinense de Futebol, renderam sempre assunto para a veia humorística dos alegres rapazes da mídia esportiva. Quem não lembra as referências, entre risos, às bolinhas geladas, aos sorteios feitos no chapéu do dotô, aos papeis grafados de Capital e Florianópolis, com os quais saiu iludida a turma do Inter de Lages em 74, para determinar o local de um segundo jogo decisivo.Isso acontece, porque todos sabem e a própria mídia, que os sorteios para indicação de árbitros para os jogos são frios, os sopradores são indicados a dedo. A cada informação de escala de árbitros os comentários jocosos se sucedem, via TV, ou rádio. A federação convive pacificamente com isso.
Isto posto, soou estranha a maneira alvoroçada, com que a mídia da capital repercutiu hoje, somente hoje, a indicação sem sorteio, do fraco Zá Acácio para o jogo do remendão, indicação essa que ganhou publicidade na quarta-feira passada.
Razão do alvoroço, o lance lamentável em que um jogador barbye sofreu séria fratura, e a omissão do árbitro na apresentação do cartão vermelho. Não tivesse acontecido a lesão, e a consequente omissão do apitador relativamente ao cartão, a indicação sem sorteio do péssimo Zé Acácio teria passado em brancas nuvens, com status de normalidade. Com a lesão, os moços da telinha, quase em estado de choque e simulando indignação, como se diante de novidade, de treta recém descoberta, passaram a condenar aquilo com o qual por décadas vêm se divertindo, a falta de seriedade da federação.
Azar do senhor Acácio, que passou por experiência muito infeliz. O lance condenável que resultou na lesão do atleta, fruto da imprudência do lateral adversário, é praticado com frequência em todos os jogos pelo País, punido às vezes com cartão, às vezes não, mas ninguém é crucificado, salvo quando acarreta consequências lamentáveis, como o de hoje.
Um fato não deve ser observado isoladamente, mas agregado de sua circunstância. De que tamanho seria o alvoroço da mídia, se o atleta vitimado no lance fosse da Chapecoense?







Os fatos e os comentários são de 2012, mas o assunto segue vivo e fresco como se acontecidos recentemente. Há quem diga que essa "ajeitada" já faz parte do DNA do nosso futebol.
Aliás, só não estão ocorrendo por conta da paralisação do campeonato. RC.
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