sexta-feira, 30 de maio de 2025

Bom dia, Azurras - nº 5.475

PRESENTE

Conforme havia comentado ontem, estive presente no “2º Seminário do Comitê da SAF do Avaí”, que ocorreu na noite passada, no Mercure, hotel onde costumeiramente o Avaí fica concentrado para seus jogos.  

 

Inicialmente, há que se cumprimentar os trabalhos conduzidos pelo presidente do Conselho Deliberativo, Bernardo Corrêa de Sousa Pessi, bem como pela explanação feita pelos convidados, o advogado e conselheiro do clube, Tullo Cavallazzi Filho, e pelo CEO da Genial Investimentos, Rodolfo Riechert.

 

Dessa vez, sim, no seminário de ontem, muito se falou em SAF (Sociedade Anônima do Futebol), numa explicação geral sobre os modelos implantados nos clubes brasileiros, bem como o que se pretende fazer em termos de Avaí.

 

Ao que tudo indica, até por vozes contrárias, que são muitas, teremos outras rodadas de seminário sobre o assunto.

 

SAF, POR TULLO CAVALLAZZI

O primeiro palestrante da noite, Tullo Cavallazzi Filho, que entende da matéria como ninguém, até porque trabalhou muito na elaboração da implementação da lei da SAF, deu uma bela explanação de como funcionam as coisas, além de expor com maestria todos os modelos implantados nos clubes brasileiros.

 

De uma maneira geral, salientou que apesar das boas intenções de todos os dirigentes, em todos os tempos, as gestões nos clubes, notadamente o Avaí, sempre foram muito amadoras, inclusive a atual, permitindo que se chegasse ao rombo “cavalar” de R$ 197 milhões no Sul da Ilha.

 

Entre os prós e contras, apresentados por Tullo Cavallazzi, três itens de cada, há também uma estrutura de como pode funcionar uma SAF, que no caso do Avaí, seria direcionados para o futebol e categorias de base, sem incluir o patrimônio do clube, estádio e centro de treinamentos.

 

SAF, POR RODOLFO RIECHERT

A segunda palestra, de Rodolfo Riechert, serviu para apresentar a Genial Investimentos e seus produtos, bem como em mostrar o papel da empresa junto ao Avaí.

 

Em linhas gerais, foi dito que foram ao mercado para buscar investidores, 79 ao todo, dos quais 70 não mostraram interesse, e o saldo de 9 ainda está acompanhando o processo atual, de viabilização ou não de um modelo de SAF para o Avaí.

 

De certa forma, ficou uma dosagem de frustração, porque de concreto, nada de novo foi apresentado, ainda que a Genial tenha uma atuação sólida em parcerias com vários outros clubes no Brasil e no mundo.

 

SAF, POR ANATÓLIO PINHEIRO GUIMARÃES

Falando com autoridade de quem completa 81 anos amanhã, dos quais 53 anos de serviços prestados ao Avaí, foi brilhante a participação do professor e advogado Anatólio Pinheiro Guimarães Filho, que colocou-se como candidato à presidente do clube em dezembro.

 

Primeiro, desconstituiu o “comitê”, que além de não estar previsto no estatuto, não tem a representatividade dos torcedores avaianos, hoje com mais de 15 mil sócios.

 

Depois, tratou de expor uma série de sugestões, que poderiam perfeitamente serem encampadas pelo trabalho ora desenvolvido no clube. Sem medo de se mostrar favorável à SAF, professor Anatólio Guimarães comentou que o modelo que querem adotar não seria o ideal, inclusive sugerindo, entre outras coisas, SAF até mesmo para o Avaí Kindermann.

 

SAF, POR HUGO DITTRICH

Não menos brilhante foi a participação do conselheiro Hugo Dittrich, que apesar de não se mostrar contrário à SAF, é contrário ao modelo que querem “copiar”, ou adotar, de outros clubes brasileiros.

 

Para Dittrich, e deixou isso bem claro, o modelo ideal a ser adotado seria o existente no Borussia Dortmund, que tem capital aberto, permitindo a participação de torcedores na aquisição de ações, e não apenas deixando o clube nas mãos de um investidor.

 

Segundo Dittrich, o clube alemão tem um modelo onde 32,6% das ações estão na mão de 6 empresas, que fazem a gestão, enquanto que o restante, 67,24% está no que o mercado chama de “free float”, ou seja, à disposição das pessoas para comprarem e venderem. Ano passado. o Borussia distribuiu €4,5 milhões aos acionistas “free float”.

 

Por óbvio, houve resposta do CEO da Genial, mas ficou evidenciado que não se pensou na hipótese sugerida pelo conselheiro, que é interessante.


ATUALIZANDO

Repito o power point do seminário do dia 13 de abril, até porque ontem o CEO da Genial mostrou-se levemente desatualizado em relação a dívida do Avaí, que bateu nos R$ 197 milhões, mas que ficará em R$ 86 milhões, desde que a “transação tributária” seja efetivada.

 

De qualquer forma, ainda que esse montante esteja teoricamente equacionado pela Recuperação Judicial, não podemos esquecer, como bem lembrou o avaiano Carlos Crippa, radicado em São Paulo, dos quase R$ 45 milhões de “rombo” para 2025...

 

Sem entrar no mérito de ser favorável ou não à SAF, o que o Avaí está precisando é de uma administração séria, fato que não se pode atribuir em quem rasga 72% de R$ 68 milhões em folha de pagamento, imagem e PJs...

 

SENTIDO CONTRÁRIO

Partiu do conselheiro Rhamsés Dhatan Nassar Camisão, nesse espaço conhecido como “esquerdista mistão”, manifestar-se sobre a forma como os trabalhos estão sendo conduzidos, apenas e tão somente, nas duas etapas do seminário até aqui, com palestrantes pró-SAF.

 

O presidente do CD, Bernardo Pessi, alegou que no trabalho da comissão no ano passado, ambos os lados, prós e contras, foram ouvidos, e que não via necessidade de repetir tais atos, sendo que todos os conselheiros e sócios receberam uma “mala direta” com esses depoimentos recentemente.

 

Entendo a colocação feita pelo presidente do CD, o que não inviabiliza a colocação feita pelo conselheiro.

 

PROTESTO

Na antessala onde foi realizado o seminário, na mesa onde havia um café antes do início das palestras, ao fim dos trabalhos estava uma faixa com os dizeres “FORA SAF”, e num dos sofás no mesmo ambiente, “AVAÍ É NOSSO”.

 

Como coloquei acima, em função de correntes contrárias, que não são poucas, deveremos ter outras rodadas de seminário sobre o referido assunto.




Saudações AvAiAnAs!

3 Comentários:

ManoelNilson disse...

SAF montada por essa turma que comanda o Avaí atualmente, me deixa cheio de dúvidas. Posso estar errado, mas só estou esperando o momento oportuno pra votar contra.

Adrian Gonçalves disse...

Bom dia André,esses 45 milhões estão dentro desse montante de 197 ou serão acrescidos ao mesmo?

E continuo insistindo que deveríamos ter alguma trava estatutária que proibice gastos acima de certa porcentagem do orçamento,nos livros e TCCs sobre administração de entidades esportivas aconselhasse a gastar no máximo 60% em salários e possíveis gastos contratuais

Eu acho que deveríamos freira em 50% porém próprios conselheiros iriam contestar, alegando que não seríamos competitivos

Será que seremos competitivos numa futura queda?

Acho que deveríamos prestar mais atenção no além mar
Pra ser mais específico no Canto!

André Tarnowsky Filho disse...

Manoel Nilson,

Tenho a mesma preocupação que tu...

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