segunda-feira, 9 de março de 2015

Quem cuida da vaca magra? by Alexandre C. Aguiar

Qualquer pessoa, quando vê em sua casa, em sua empresa, ou mesmo nas administrações públicas, que o dinheiro está acabando aperta os cintos. Começa a cortar gastos. A saladinha passa a ser apenas de alface e nada de tomate seco. A carne é aquela com pelancas mesmo, pois picanha e filé mignon é só no Natal ou aniversário da avó. Andar de carro deve ser apenas para o trabalho e se for para sair nos fins de semana só se for para filar bóia na casa dos parentes e amigos mais chegados. E quanto maior a penúria, mais se corta TV a cabo, usa-se a internet só para ler as notícias, a empregada é mandada embora, compra-se arroz sujo no lugar da ração especial para dar ao cachorro e roupas ali de Brusque mesmo e não de Miami, com prestações em 24 vezes sem entrada.

Isso é o que todas as pessoas normais com algumas dificuldades financeiras fazem. Isso se chama “política de pés no chão”. Isso tudo serve para que, depois de passado o enrosco financeiro, o cabra volte a ter algum conforto. Dá até para adquirir um ar-condicionado para dormir um pouco mais fresco no inferno do verão.

Foi o que fez o Avaí neste início de ano. Não tinha dinheiro sobrando, aliás, não tinha dinheiro, e acabou tendo que se contentar com carne de segunda e apenas alface na salada. Isso é válido e o mundo não vai se acabar por causa de um pouco de sacrifício. Não conheço alguém que tenha morrido por haver comido pelancas. A questão é se todos estão juntos cuidando desta vaca magra. Se a penúria é compreendida e assimilada como algo passageiro, mas necessário. Se o coletivo é maior que o individual. Se a crise vai gerar alguma oportunidade de melhoria.

Porque, quando se vê no Avaí, com toda as dificuldades existentes e algumas criadas, setores jogando contra, torcedores exigindo jogadores caros, ou mesmo jogadores tidos como exemplos pedindo mais contratações, diferente do que reza a administração, é porque o sacrifício não foi assimilado. A dificuldade está sendo exercida por alguns e não por todos, é o que se percebe.

Eu digo incansavelmente que as coisas vão mudar, mas é obrigatório que a mentalidade dentro da Ressacada precise ser mudada também. O esforço tem que ser coletivo. As metas devem ser de todos.

Do contrário, se todos, jogadores, diretores e torcedores não compreenderem que isso tem que ser assim, com dedicação e esmero, pode ir ali no chaveiro da esquina e mandar fazer uma tranca das boas para fechar o estádio. Não vamos sair dessa tão cedo.

* Alexandre Carlos Aguiar é associado do Avaí FC e proprietário do blog Força Azurra

8 Comentários:

Anônimo disse...

Carlos Avaiano

Acho que a solução, está no travesseiro do presidente, com ele tendo o pior pesadelo com esse plantel na série A, ai ao acordar, e ver que foi um pesadelo, abrirá os olhos e ao ver que pode mudar a realidade, ai sim acabar de vez com as humilhações que sua gestão está causando ao clube e torcida.

Anônimo disse...

Está faltando dinheiro não parece. O clube se dá ao luxo de não ter patrocínio master. Será que não tem niguém nesta diretoria capacitado para negociar um patrocínio master?

Anônimo disse...

Quem cuida da vaca magra é o Batistoti, que vetou a vinda de Leo Gamalho, Neto Berola, Bruno Silva, e cia...porque não cabia na vaca.

Cabe perguntar a ele, estando a vaca tão seca, porque o clube passa mais de 1 ano inteiro sem um patrocinador master, quase um fenômeno mundial.

A vaca de fato é magra, mas falta mais competência para engorda-la.

Agora estão desesperados atrás dos nomes que recusaram no inicio do ano, já que a parte estadual da vaca foi para o brejo.

Otavio

Anônimo disse...

Não se pede grande contratações ou investimentos, exige-se competência para não desperdiçar o pouco que se tem.
Não adianta comprar pelanca e deixar a carne queimar...
Nossa folha de pagamento é a maior ou uma das maiores do estado e, no entanto, temos o pior time, indiscutivelmente, entre os 5 chamados grande do estado então, menos interferência de empresários, mais competência por parte de quem contrata, mais ação e cobrança por parte do Presidente e mais competência administrativa para justificar a ISO 9001.

Ney Lúcio Félix

André Tarnowsky Filho disse...

Carlos Avaiano,

Ele precisa acordar rápido...

Tá demorando muito!

André Tarnowsky Filho disse...

Anônimo,

Patrocínio master está complicado para qualquer clube do Brasil, como Santos, São Paulo e tantos outros...

André Tarnowsky Filho disse...

Otávio,

Ainda não vi desespero em ninguém, e quanto ao patrocinador master, vale o que respondi ao anônimo: está complicado para qualquer clube do Brasil, como Santos, São Paulo e tantos outros...

Se o Battistotti manda na vaca, não sei, mas sei que repetiram erros grotescos, que vai acabar saindo caro para o clube...

André Tarnowsky Filho disse...

Ney LF,

Ainda temos tempo de arrumar a casa, mas é preciso querer mudar...

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