sábado, 27 de outubro de 2012

A PALAVRA PLANTEL, by Roberto Costa


A palavra plantel, originariamente designando conjunto de animais de criação, aos pouco ganhou o mundo do futebol por sua aplicação indevida, mas habitual, pelos cronistas esportivos, a língua enriquecendo-se através do uso. Hoje o dicionário já contempla essa segunda acepção e, portanto, o termo ampliou seu significado.

Imaginemos um empresário bem sucedido, os cofres estufados de grana, pensando em como aplicar essa grana. Se ele pensar na palavra plantel, irá deparar-se com suas duas opções. Na primeira, precisará investir numa fazenda onde colocar o plantel, pagar os impostos respectivos, precisará contratar peões e capatazes, com implicações trabalhistas, os quais deverão administrar o negócio, cuidar dos animais, cercá-los, vigiá-los, alimentá-los, vaciná-los. Se optar pela segunda acepção da palavra plantel, grupo de jogadores de futebol, a sua fazenda será o Clube em que dito empresário negociar a colocação de sua mercadoria, o clube, fazenda lucrativa e sem as implicações e comprometimentos da outra, cujos semoventes não lhe trarão despesas com cerca, com vacinas, com alimentação etc, tudo por conta da entidade que os receber. O dinheiro faz coisa.
 
Ao que parece, a lei que trouxe toda essa situação identifica-se com o nome de um grande jogador, dito rei, ou melhor de um ex-jogador, de um tempo em que já raciocinava como empresário e como empresário cunhou esse dispositivo legal.
 
Os negociantes e seus negócios estão matando, sob esta lei,  a paixão, a aura de esportividade que havia em torno do futebol. O grande plantel de empresdários endinheirados achou o pasto verdinho e tenro onde cair de boca. Os clubes já são meros pretextos, marcas de fantasia, balcões de negócios de terceiros, e cada vez mais massas falidas. O sonho acabou?
* Roberto Costa é associado do Avaí Futebol Clube

2 Comentários:

Alexandre Carlos Aguiar disse...

Mas é assim mesmo, estes são os novos tempos do futebol. Acabou o romantismo, o jogar pela camisa, o fazer craque em casa. isso não nos pertence mais. Ou a gente se adapta a isso, ou muda tudo. E quem tem coragem pra mudar? Lembro que espernear não vale.

Anônimo disse...

É realmente isso, os clubes são, apenas, um local onde "pastam" os plantéis dos endinheirados. Os clubes, hoje, são só fachada, e servem pra multiplicar o dinheiro dos "empresários".
Os clubes, praticamente sem exceção, estão à bancarrota, não têm, na maioria dos casos, nem condições de criar jogadores de gabarito e, não raro, quando aparece um bom jogador em algum clube já está empresariado, já tem dono. Nesse caso, algum percentual é dado ao clube em que ele joga mas, sempre, apenas uma pequena parcela, à qual o clube se sujeita, porque é melhor do que nada. Quer dizer, o clube investe e o empresário ganha.
Alguns clubes já receberam da TV, o que lhes cabe pelo ano de 2013 e, logicamente, já gastaram e, assim, vão se afundando e o nosso futebol vai terminando, basta olhar o ranking da FIFA.
A FIFA é uma entidade rica, mas isso é condizente com o futebol europeu, enquanto a CBF é rica, mas isso não é condizente com a mingua do nosso futebol, que é mal dirigido, pela ganância, pelos desmandos, pela corrupção, pela roubalheira.
O fato de, apenas, um empresa de televisão mandar no futebol brasileiro, tem sido nocivo ao futebol que já foi o melhor do mundo, mas o poder do dinheiro aliado à politicagem e outras coisas acima citadas, não permite que se façam mudanças, ou seja, estamos caminhando, mesmo, para o final, a menos que se tenha outra configuração.
Ainda dá tempo de salvar nosso futebol, mas é preciso mudar muito, mas isso exige tempo, seriedade, honestidade, competência, firmeza, vontade e etc.
Bighal.

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