BOLEIROS NÃO SALVARAM BENITEZ, by Roberto Costa
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| Foto: GETTY IMAGES |
A profissão que mais abriga enganadores é a de treinador de futebol. Tem gente à beça, com salários de muito bons a ótimos, fazendo besteira. O futebol é simples, e oitenta por cento de sua essência reside no óbvio, e o óbvio costuma punir, se relegado.
Os mais antigos, que viveram e viram, devem lembrar-se. Em 58, o pastoso Vicente Feola, que ninguém sabe qual sistema de jogo usava, se é que usava, não enxergava o óbvio diante do nariz. O óbvio era Pelé e Garrincha. É claro que ambos tinham de ser titulares, desmanchavam qualquer sistema adversário, mas foi preciso que jogadores líderes do grupo impusessem ao sonolento treinador esse óbvio, e Feola foi salvo por seus boleiros.
Não sei quanto ganha o treinador Benitez, do Chelsea, mas pela média do que se paga na Europa, é mais do que merece. Benitez assumiu o cargo e achou-se no dever de inventar, precisava aparecer, mostrar serviço, dizer a que veio, contrariar de imediato alguma certeza do treinador anterior. Então Benitez desprezou a força do óbvio, botou Oscar no banco.
Como disse, o óbvio costuma punir, se relegado, e infelizmente para o Chelsea, a contrário dos nossos craques de 58, os seus jogadores não tiveram a lembrança e o desprendimento de dirigirem-se ao Benitez, de mostrar-lhe o óbvio, o óbvio que era a competência, a elegância e a eficácia do brasileiro Oscar, um excelente articulador de jogo, que tinha de estar em campo. Nos quinze minutos que lhe concedeu o treinador, Oscar participou do gol anulado, por impedimento de míseros 30 centímetros.
Infelizmente para o Chelsea, seus boleiros não salvaram Benitez.
* Roberto Costa é associado do Avaí Futebol Clube






Concordo plenamente. Comentei com amigos que o Benitez, por birrinha juvenil, entregou o título. Curioso é que muitos treinadores reclamam da falta de "material humano" e quando tem, fazem titica.
Ficou bastante claro que o time do Chelsea, apesar de ter jogadores de nível técnico apreciável, era, apenas, burocrático, no estilo escancarado "me marca que eu não jogo".
Faltava jogo de cintura e um "cadinho" de criatividade pra anular a marcação ferrenha imposta pelo "Curíntia". É nessa hora que aparece o treinador, aquele que vê o jogo como ele é, que conhece o potencial de seus jogadores e busca soluções para chegar à vitória.
Fosse o Barcelona o adversário, a realidade teria sido outra.
Bighal.
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