quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

EVENTOS QUE MARCAM, by Roberto Costa


Há coisas no futebol que deixam marcas indeléveis em nossas mentes, nem sempre apenas coisas ruins, traumáticas, as boas também. Cada torcida tem lá os seus traumas e também seus momentos de êxtase, que de vez em quando afloram. Há coisas, entretanto, que mesmo não tendo a ver diretamente com o time do nosso coração, nos chocam do mesmo jeito.

Desde 1977, e acredito que não estou sozinho nessa questão, não consigo ver com bons olhos o time do Corinthians, ao ponto de, assistindo ao jogo dele contra o representante do Egito, torcer contra. Não adianta que se diga tratar-se de um clube brasileiro contra um estrangeiro, não funciona. Não consigo, nem querendo, sublimar essa ojeriza.
Rui Rei provocou Dulcidío W. Boschilla e foi expulso - Foto: José Pinto
A razão, como disse, remonta a 1977. O Corinthians amargava um jejum de 23 anos sem título estadual, e iria decidir o título daquele ano contra a Ponte Preta, que possuía um belo time e o atacante Rui Rei, um dos melhores jogadores do campeonato. É bem verdade que pelo fato de ser um clube de menor expressão e do interior, grande parte dos torcedores brasileiros preferiam que o título ficasse com a Ponte. E eis que Rui Rei, logo no início do jogo, por uma questão ínfima qualquer, provocou um entrevero com o árbitro da partida, insistindo em pressioná-lo e por certo em ofendê-lo, ao ponto de não restar outra opção ao mediador que não fosse a sua expulsão. Das imagens mostradas ao vivo via TV, ninguém ficara com qualquer dúvida, o jogador não só pediu, como insistiu que queria ser expulso, e conseguiu, deixando o time inferiorizado na mais importante partida do campeonato e talvez da história da Ponte, até então. O jogo seguiu e a Ponte, para quem o empate garantia o título, lutou bravamente com dez homens, mas perdeu aos 36 do segundo tempo, com um gol do jogador Basílio.
Basílio corre para comemorar, Carlos olha desolado - Foto: José Pinto
É claro que Ruy Rei foi personagem de destaque em todos os comentários a respeito da partida decisiva, é claro que foi o assunto em todos as esquinas e mesas de bar no dia seguinte. Evidentemente, para todos os torcedores do País, pairava a certeza de que o jogador transigira com o clube adversário, provocando deliberadamente sua expulsão. Como a ratificar esse entendimento, passado o período de comemorações pela conquista o Corinthians, sem rubor algum nas faces de seus dirigentes, anunciou a contratação de Rui Rei, o qual, mesmo sendo de reconhecida capacidade técnica, não vestiu a camisa do "timão", foi negociado de imediato para um time do México, e apagou-se, à maneira de uma estrela cadente.
 
Talvez por isso, por esse evento marcante, não apenas eu, mas grande parte da torcida brasileira não estará com o time paulista na decisão de domingo.
* Roberto Costa é associado do Avaí Futebol Clube

1 Comentário:

Anônimo disse...

Essa eu lembro, e teve outro jogador da Ponte que, me parece, no campeonato retrasado, não lembro o nome, mas o cara entregou para o São Paulo, em jogo que estava empatado e o São Paulo precisava de um gol.
O camarada, resolveu definitivamente, sem nenhum disfarce; numa cobrança de escanteio deu um soco na bola, fazendo penalti para o São Paulo vencer o jogo.
Esse escravo da ética profissional um dia esteve pra vir pro Avai. Ainda bem que não veio.
Se não me engano foi pro São Paulo e depois sumiu, a exemplo do Rui Rey.
Bighal.

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