EVENTOS QUE MARCAM, by Roberto Costa
Há coisas no futebol que deixam marcas indeléveis em nossas mentes, nem
sempre apenas coisas ruins, traumáticas, as boas também. Cada torcida
tem lá os seus traumas e também seus momentos de êxtase, que de vez em
quando afloram. Há coisas, entretanto, que mesmo não tendo a ver
diretamente com o time do nosso coração, nos chocam do mesmo jeito.
Desde 1977, e acredito que não estou sozinho nessa questão, não
consigo ver com bons olhos o time do Corinthians, ao ponto de,
assistindo ao jogo dele contra o representante do Egito, torcer contra.
Não adianta que se diga tratar-se de um clube brasileiro contra um
estrangeiro, não funciona. Não consigo, nem querendo, sublimar essa
ojeriza.
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| Rui Rei provocou Dulcidío W. Boschilla e foi expulso - Foto: José Pinto |
A razão, como disse, remonta a 1977. O Corinthians amargava um
jejum de 23 anos sem título estadual, e iria decidir o título daquele
ano contra a Ponte Preta, que possuía um belo time e o atacante Rui Rei,
um dos melhores jogadores do campeonato. É bem verdade que pelo fato de
ser um clube de menor expressão e do interior, grande parte dos
torcedores brasileiros preferiam que o título ficasse com a Ponte. E eis
que Rui Rei, logo no início do jogo, por uma questão ínfima qualquer,
provocou um entrevero com o árbitro da partida, insistindo em
pressioná-lo e por certo em ofendê-lo, ao ponto de não restar outra
opção ao mediador que não fosse a sua expulsão. Das imagens mostradas ao
vivo via TV, ninguém ficara com qualquer dúvida, o jogador não só
pediu, como insistiu que queria ser expulso, e conseguiu, deixando o
time inferiorizado na mais importante partida do campeonato e talvez da
história da Ponte, até então. O jogo seguiu e a Ponte, para quem o
empate garantia o título, lutou bravamente com dez homens, mas perdeu
aos 36 do segundo tempo, com um gol do jogador Basílio.
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| Basílio corre para comemorar, Carlos olha desolado - Foto: José Pinto |
É claro que Ruy Rei foi personagem de destaque em todos os
comentários a respeito da partida decisiva, é claro que foi o assunto em
todos as esquinas e mesas de bar no dia seguinte. Evidentemente, para
todos os torcedores do País, pairava a certeza de que o jogador
transigira com o clube adversário, provocando deliberadamente sua
expulsão. Como a ratificar esse entendimento, passado o período de
comemorações pela conquista o Corinthians, sem rubor algum nas faces de
seus dirigentes, anunciou a contratação de Rui Rei, o qual, mesmo sendo
de reconhecida capacidade técnica, não vestiu a camisa do "timão", foi
negociado de imediato para um time do México, e apagou-se, à maneira de
uma estrela cadente.
Talvez por isso, por esse evento marcante, não apenas eu, mas
grande parte da torcida brasileira não estará com o time paulista na
decisão de domingo.
* Roberto Costa é associado do Avaí Futebol Clube







Essa eu lembro, e teve outro jogador da Ponte que, me parece, no campeonato retrasado, não lembro o nome, mas o cara entregou para o São Paulo, em jogo que estava empatado e o São Paulo precisava de um gol.
O camarada, resolveu definitivamente, sem nenhum disfarce; numa cobrança de escanteio deu um soco na bola, fazendo penalti para o São Paulo vencer o jogo.
Esse escravo da ética profissional um dia esteve pra vir pro Avai. Ainda bem que não veio.
Se não me engano foi pro São Paulo e depois sumiu, a exemplo do Rui Rey.
Bighal.
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