FUTEBOL MARAVILHA, by Roberto Costa
O cidadão Eric Lowei, natural da Bélgica, se não me engano, com
passagem pelo Avaí e militando na área financeira ligada ao futebol, deu
dia desses uma entrevista muito interessante pela TV.
Apaixonado pelo Brasil e seu povo, e muito em especial por Floripa
onde tem residência, disse que o que o chocou em nosso País, foi
constatar a diferença dos níveis salariais, a situação vigente entre nós
que permite que certas pessoas ganhem salários de dez, vinte,
cinquenta, cem vezes mais que o da maioria do povo, o que impede que
esses menos aquinhoados possam ser consumidores de cultura, de teatro,
de cinema, de boas escolas, e até de acesso à saúde e nutrição, e por
consequência até de irem ao campo de futebol. Segundo o Sr. Lowei, na
Bélgica, se um Advogado ganha quinze mil, um professor ganha dez, mas a
costureira ganha cinco, o que lhe permite um razoável conforto, e até
ser consumidora de cultura.
Talvez, por não existirem esses abismos na distribuição da riqueza,
é que esses paízes são mais organizados, têm menos corrupção, porque o
cidadão tem mais acesso ao saber, sabe o que quer, vota melhor e
tem discernimento para fiscalizar seus políticos.
Por que digo isso? Porque me chocou ouvir agora há pouco, que o Sr.
Ricardo Teixeira, denunciado tempos atrás por gente da FIFA por
irregularidades em sua administração da CBF, está sendo contemplado por
essa entidade com uma pensão que lhe será paga até o ano 2030, no valor
de R$ 60.000,00 (Sessenta mil reais mensais), ou seja, aproximadamente
100 (cem) vezes o salário mínimo, "por bons serviços prestados". E há
quem diga que é R$ 120.000,00. Uma blasfêmia, no contexto de um País
como o nosso.
O futebol, pela relação visceral que tem com o povo brasileiro, por
sua importância até cultural e pela promoção internacional que promove,
do próprio País, não poderia estar largado assim, ao dispor de
quaisquer aventureiros. Quando é que nossos governantes vão acordar com
relação a isso, intervir para moralizar e disciplinar o tempo
dos mandatos dessas verdadeiras capitanias hereditárias que são as
federações, e inclusive rever os termos da famigerada Lei Pelé, outro
mal que vem corroendo as estruturas do futebol brasileiro?
*Roberto Costa é associado do Avaí Futebol Clube





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