sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

FUTEBOL MARAVILHA, by Roberto Costa


O cidadão Eric Lowei, natural da Bélgica, se não me engano, com passagem pelo Avaí e militando na área financeira ligada ao futebol, deu dia desses uma entrevista muito interessante pela TV.
 
Apaixonado pelo Brasil e seu povo, e muito em especial por Floripa onde tem residência, disse que o que o chocou em nosso País, foi constatar a diferença dos níveis salariais, a situação vigente entre nós que permite que certas pessoas ganhem salários de dez, vinte, cinquenta, cem vezes mais que o da maioria do povo, o que impede que esses menos aquinhoados possam ser consumidores de cultura, de teatro, de cinema, de boas escolas, e até de acesso à saúde e nutrição, e por consequência até de irem ao campo de futebol. Segundo o Sr. Lowei, na Bélgica, se um Advogado ganha quinze mil, um professor ganha dez, mas a costureira ganha cinco, o que lhe permite um razoável conforto, e até ser consumidora de cultura.
 
Talvez, por não existirem esses abismos na distribuição da riqueza, é que esses paízes são mais organizados, têm menos corrupção, porque o cidadão tem mais acesso ao saber, sabe o que quer, vota melhor e tem discernimento para fiscalizar seus políticos.
 
Por que digo isso? Porque me chocou ouvir agora há pouco, que o Sr. Ricardo Teixeira, denunciado tempos atrás por gente da FIFA por irregularidades em sua administração da CBF, está sendo contemplado por essa entidade com uma pensão que lhe será paga até o ano 2030, no valor de R$ 60.000,00 (Sessenta mil reais mensais), ou seja, aproximadamente 100 (cem) vezes o salário mínimo, "por bons serviços  prestados". E há quem diga que é R$ 120.000,00. Uma blasfêmia, no contexto de um País como o nosso.
 
O futebol, pela relação visceral que tem com o povo brasileiro, por sua importância até cultural e pela promoção internacional que promove, do próprio País, não poderia estar largado assim, ao dispor de quaisquer aventureiros. Quando é que nossos governantes vão acordar com relação a isso, intervir para moralizar e disciplinar o tempo dos mandatos dessas verdadeiras capitanias hereditárias que são as federações, e inclusive rever os termos da famigerada Lei Pelé, outro mal que vem corroendo as estruturas do futebol brasileiro?
*Roberto Costa é associado do Avaí Futebol Clube

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