O TREINO SECRETO, by Roberto Costa
Quando ainda fazia parte da mesa bicuda, Carlos Eduardo Lino, no
momento em que debatiam uma questão polêmica trazida por um
telespectador, pulou fora do debate dizendo:
- Eu tenho pós-graduação e doutorado, não vou discutir com o telespectador.
Entenda-se, do alto de minha torre de marfim, não vou me rebaixar a debater com essa coisa chamada telespectador.
Condenáveis a presunção e a falta de tato, sobretudo porque o
telespectador é o cliente do programa, é o alvo, a razão da existência
do programa, é quem por vias indiretas lhe pagava o salário. Mas é
assim, um doutorado, o aparato, a câmera e o microfone fazem certas
pessoas sentirem-se no topo do mundo, na condição de intocáveis.
A julgar por esse prisma, deve haver muito treinador lunático pelo
mundo afora, escondendo tudo, em especial em jogos decisivos. Como
futebol não é ciência, ele não abriga dogmatismos; é mundo das
imprecisas lógicas. Então ouso contradizer o trio, mesmo na
minha precária condição de ouvinte de rádio, e de mero telespectador.
Assim fosse, pra quê treinar? Jamais vou contradizer um matemático sobre
sua ciência exata, mas do futebol, essa coisa quase elementar e que
todos trazemos no sangue a gente pode opinar. Ora, qualquer assíduo
apreciador de futebol já teve oportunidade de ver por muitas vezes gols
de surpreendentes jogadas ensaiadas, não só na bola parada, mas com ela
rolando também. Todo treinador engenhoso, criativo, inteligente, tem o
que esconder.
Acho que pecaram por dogmatismo, os meninos da Guarujá, mas é simpático o trio, Rui, Lauro e Décio.
* Roberto Costa é associado do Avaí Futebol Clube





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