quinta-feira, 25 de abril de 2013

Uma noite no teatro, by Alexandre C. Aguiar

Foto: Jamira Furlani

Magistral! Espetacular! Surpreendente! Excelente! Admirável! Extraordinário! Maravilhoso!
Os adjetivos e exclamações pipocam nas redes sociais e em toda a torcida graças ao ótimo jogo feito pelo Avaí nesta noite de quarta-feira pela Copa do Brasil, diante do Volta Redonda. Ouso dizer, embora não trabalhe com hipóteses, que qualquer adversário nesta noite seria presa fácil ao apetite do Leão, que saiu aplaudidíssimo do palco teatral da Ressacada.
Poucas vezes os torcedores avaianos presenciaram algo tão magnífico em uma partida de futebol. E, por curioso que possa parecer, não foi um típico jogo do Leão da Ilha, pois faltaram os requintes de crueldade que já nos forjaram há muitos anos.
Claro que houve momentos de tensão, como não poderia faltar em um jogo na Ressacada. Se o time fez uma partida brilhante num todo, ainda temos os problemas com a nossa zaga. Porém, uma coisa que seria bom se estabelecer é que os dois zagueiros avaianos, Pablo e Alef, nunca jogaram num time de profissionais, enfrentando um campeonato duríssimo e tendo que dar conta do recado quase que na marra. Se a diretoria avaiana errou em não contratar um zagueiro experiente, por outro lado a dureza que estes garotos têm enfrentado já os credencia a jogar em qualquer time daqui por diante. Talvez seja uma questão de paciência da torcida para que eles joguem com mais tranquilidade.
O que precisa se enaltecer, contudo, foi a qualidade individual e coletiva com que o time se portou nesse jogo. As passagens dos laterais, as jogadas de efeito, os gols bonitos, a força na marcação de Eduardo Costa e principalmente Alê, tudo isso apareceu como se alguém tivesse tirado o time do catarinense e colocado outro em campo. Parecia aquele time mágico do acesso de 2008. O lençol dado por Arlan no primeiro gol e a lambretinha do Julinho na jogada que resultou em pênalti foram só a cereja do bolo de jogadas excepcionais.
Nem a cobrança de pênalti perdida por Marquinhos, diga-se prevista ser daquele jeito mesmo, uma vez que todos os jogadores juntamente com o técnico Ricardinho estudaram como o goleiro do Volta Redonda se comportaria se a disputa fosse para pênaltis, tirou o brilho dessa noite especial. Uma noite de sonho, uma noite na qual a fantasia fez esquecer pizzas ensebadas, golas de camisa, pipocas mal digeridas e promoções de ingressos escatológicas.
A propósito, é bom se dizer que jogamos contra um time que é semi-finalista do Campeoanto Carioca, que se não tem o glamour do passado, é digno de respeito, diferente de outros parceiros catarinenses que jogaram com times semi-amadores ou em vias de extinção.
Uma coisa é certa: o Avaí não deu uma aula de futebol perfeita e nem empregou aquela bobagem de nó tático, mas jogou futebol de alta qualidade e a continuar assim o Criciúma que se prepare, pois nós vamos lhe usar.
* Alexandre Carlos Aguiar é associado do Avaí Futebol Clube e um dos colaboradores do portal Todo Esporte SC

2 Comentários:

Anônimo disse...

Este comentario reflete bem o que assisti ontem na bela ressacada.
Parabens!
Sempre avai.

JulioAzzurra disse...

"...a continuar assim o Criciúma que se prepare, pois nós vamos lhe usar."


Isso é o que eu chamo de "fechando com chave de ouro".

Um abraço.

JulioAzzurra

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