terça-feira, 7 de maio de 2013

As Mães Dinahs da profecia aleatória, by Alexandre C. Aguiar


É muito divertido observar as análises que são feitas de jogo de futebol após o seu fim. Normalmente são prognósticos e profecias do que já passou, com um olhar cínico de canto da boca babando um EU NÃO DISSE? do que nunca disse. E, na maioria das vezes, vem com atestado da verdade, o que é pior ainda.
O Avaí começou 2013 montando um time competitivo e contratou um técnico capacitado e competente. Mas os resultados positivos demoraram a acontecer e houve necessidade de uma troca. E que não me venha agora algum esperto a dizer que era uma total falta de planejamento, pois 100%+1 de todos os comentaristas, blogueiros e afins apoiaram o projeto que se iniciava. Mesmo os mais murrinhas, é bom que se diga.
Ocorre que futebol não é uma matemática exata. Nunca foi. Depende sempre das contingências, do acaso, do plano que tem que ser refeito, da roda trocada com o carro andando. Ou alguém imaginava que no Barcelona o craque Messi sofresse uma contusão e seus principais jogadores mostrassem cansaço e que  não são assim tão decisivos como se pensava? Tomaram uma paulada histórica e já tem gente duvidando de sua capacidade. Claro, vou citar o Barcelona porque é o preferido do viralatismo incrustado por aqui, para dizer que as conseqüências de situações ocasionais depõem contra o desempenho de times de futebol, sejam eles formados por um monte de cones ou por ETs brilhantes. Até porque, para quem jogou futebol, não existe time bom, mas times vencedores e perdedores. Time bom é o que ganha e ruim é o que perde, simples. Futebol é isso. Imagina o esperto que a seleção brasileira campeão de 1994 era um timaço? Era um arrumado que jogaria aqui a nossa série B tranquilamente. Mas foi campeã e se é campeão é bom.
Mas então o Avaí resolveu mudar sua comissão técnica e o time encaixou. Começou a mostrar padrão de jogo, foi se adaptando ao trabalho do treinador Ricardinho e obteve bons resultados, tanto que chegou às semi-finais do catarinense, com alguns bons jogos, aliás, muito bons. Eu digo que foi longe demais exatamente pelas circunstâncias, pela dificuldade em se ter achado um time até a chegada de Ricardinho, mas certamente um detalhe poderia ter creditado uma melhor sorte ao time. Há quem imponha a responsabilidade pela derrota em Marquinhos, mas o lance foi ocasional, fortuito, aleatório, que poderia ter sido feito por qualquer um. Olha o acaso de novo.
O balanço que se pode fazer é que o planejamento está de acordo. Vamos fazendo uma temporada dentro de nossas possibilidades, mas com prenúncio de melhorias daqui por diante. A questão é a descrença que está agarrada no meio da torcida. Isso, definitivamente, não ajuda.
Já ouvi gente crítica contumaz do time do Avaí do ano passado dizer que era bem melhor do que o deste ano. Por que? Porque foi vencedor. Se tivesse perdido todas o deste ano seria o melhor. O leitor entendeu aonde eu quero chegar?
Há uma infestação de comentaristas de resultados, o que é uma lástima. O problema é que este comportamento leva ao complexo de desconfiança do torcedor. Há quem torça, lamentavelmente, para que tudo dê errado que é para que suas teses se confirmem. O discurso negativo que constantemente aflora em nossas bandas tem que ter um basta. Se o futebol é difícil de ser feito, remando contra, vivendo atrás de picuinhas, de erros tolos exacerbados como se fossem a declaração de Guerra da Coréia, não tem ajudado ao Avaí em nada. Quando escrevi este texto, na noite de domingo, soube que se está fazendo uma avaliação de 12 anos do Avaí, do que era naqueles anos e do que há nos dias de hoje, dizendo que ficamos estagnados. Não li e nem quero, mas penso que alguém assim precisa de tratamento urgente.
Precisamos de quem queira ajudar. Pra torcer contra já temos os nosso rivais.
* Alexandre Carlos Aguiar é associado do Avaí Futebol Clube e um dos colaboradores do portal Todo Esporte SC

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