A FIFA, O PODER, A HIPOCRISIA, by Roberto Costa
Antes da Lei Seca (11.705/2008) o brasileiro bebia nos Estádios em jogos de futebol..Casa bem com o futebol a loira gelada descendo redondo. Antes da lei eu sempre degustava as duas latinhas de praxe, uma em cada tempo do jogo. Sem entrar em detalhes técnicos sobre tolerância e dosagem, pegava o carro e voltava pra casa, dirigindo com o mesmo zelo, a mesma responsabilidade e a lucidez do trajeto de ida.
Mas, a título de conter os excessos alcoólicos responsáveis por tantas tragédias de trânsito, entrou o governo a legislar sobre a matéria, criando o dispositivo acima referido, que popularizou-se como Lei Seca. E não economizou em rigor. Para se ter ideia, entidade dos Estados Unidos ligada ao trânsito, após estudo colocou nossa lei entre as 20 mais rígidas do mundo.
Não satisfeito, após um breve período de vigência, houve por bem o poder de elevar a multa (R$ 957,70) já alta para os padrões do brasileiro, para simplesmente o dobro (R$ 1.915,40). Não contente ainda, resolveu diminuir o percentual de tolerância alcoólica a tal nível que o motorista que vai dirigir não poderá sequer saborear um bombom de licor, ou ingerir algum medicamento com álcool em sua fórmula. E além do bafômetro, outras modalidades de prova estabeleceu o governo, que poderão comprometê-lo, testemunhas, vídeos, etc. Enfim, para felicidade geral da nação, beber e dirigir ficou realmente um caso sério.
Não há como se contestar o poder, dado o alcance social dessas medidas, é o Estado exercendo sua nobre função de proteção ao cidadão. O governo como credor de nosso reconhecimento e aplauso.
Entretanto, como as nossas leis são bonitas no papel, mas na prática sabemos que às vezes não pegam, feito vacinas, arriamos bisonhamente as calças da soberania diante do poder mercantilista da FIFA. Por exigência da entidade máxima do futebol mundial, e com o beneplácito de nossos legisladores, a lei terá sua vigência suspensa durante a Copa. Num exemplo flagrante de hipocrisia o estimado cidadão ficará entregue à sorte diante dos carros desgovernados. A bebida alcoólica vai ser vendida nos Estádios, por multinacionais já mapeadas e com proibição da concorrência de vendedores autônomos num raio de 2 km em torno do Estádio. Como o diabo gosta.
Resta saber se o dispositivo que vai liberar a bebida vai liberar também a direção alcoolizada, e suspender as multas. Ou terão os milhares de expectadores alcoolizados, após os jogos, de retornar de táxis? E não haverá táxis para todos. Nem ônibus, que já não dão conta do fluxo normal de passageiros, um dos motivos dos movimentos populares recentes. Ora, a gente sabe, o importante será o lucro da FIFA e o faturamento das empresas do ramo de bebidas, Quem for abalroado, ou atropelado depois dos jogos, que se exploda.
* Roberto Costa é associado do Avaí FC





Boa Roberto!
É de fato vergonhoso que o futebol, dito como ato privado, mas que se beneficia de IMENSOS investimentos publicos (o dinheiro de todos nos), nao permite algumas ingerencias.
De fato é patético explicar como um estadio publico como o Maracana foi diminuído em 1/2 de sua capacidade, privatizado apos aporte de mais de bilhao de reais publicos, e agora, para o ze banguela (que paga imposto) e que conseguia ver um fla x flu da geral nao pode nem pensar em passar na frente.
Outra picaretagem que os sucessivos governos federais (PT incluso) fazem questão de dar as costas é o monopolio televisivo da rede globo que montou uma serie A (campeonato de 12 x 8), dita o dia, e a hora dos jogos, sempre "depois do ultimo beijo da novela" como bem denunciou o meia Alex do Coxa, e quer mais é que o torcedor de arquibancada vire peça de museu.
Mas quem disse que este país é sério se governates e governados nao estao nem aí...
Silvio
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