O torcedor não despreza, by Alexandre C. Aguiar
A visão comercial imposta ao futebol nos últimos anos modificou a relação dos adeptos, aficionados e torcedores com este esporte. Ao menos tenta. Se antes íamos ao estádio para assistir a um jogo, hoje se impõe contrapartidas, benefícios e valores monetários para poder dizer “vamu-vamu, meu time”. O grito de gol e o palpitar dos corações nas arquibancadas não pode sair de graça, atestam os marqueteiros de ocasião.
Aliás, o marketing é uma pseudo-ciência que vive de aparências e te faz comprar margarina como se fosse manjar dos deuses, mas não diz como é feita e nem os problemas de saúde que decorrem de seu uso. Há quem queira retirar das carteiras de cigarros as famosas fotos de zumbis, porque “não faz bem ao mercado”. Chama-se a isso valorização da marca antes do conteúdo.
O mesmo marketing e o mercantilismo reinante é o que faz um torcedor acreditar que só time bom é a razão da existência de estádios cheios. Administração da NASA é a que enche cadeiras e espaços vazios. Camisas de malhas tecnológicas são as que empolgam o incauto em lágrimas atrás dos alambrados. E isso está relacionado a compra de badulaques, chaveirinhos e brinquedinhos os mais diversos após uma partida empolgante.
- Temos que conquistar este consumidor em potencial – diz a lógica capitalista torta aí existente.
Por isso, repito, que nos dias de hoje se defende a tese de que time bom é o que leva torcedores ao estádio, não o contrário. Deve haver vantagens para isso, não se pode perder este quinhão, para pelo menos tirar este torcedor de casa, diz o sujeito contando os milhões. E todo mundo passa a acreditar como gado em manada.
Ser torcedor é muito mais do que focar num objeto de consumo. Se assim for, ele passa a ter interesses diversos além de gritar, se emocionar ou se divertir por seu time.
Ser torcedor é muito mais do que ter um bom amigo. Você não impõe valores e nem critérios para que ele faça parte de sua vida, como é feito para se ter um bom amigo. Um amigo pode te decepcionar e você se afasta, pois é apenas um amigo, segundo a lógica do toma-lá-dá-cá. De um time de futebol, quando se exige algo financeiro em troca, a relação se deteriora.
Ser torcedor é muito mais do que ter um parente estimado ao qual você se afeiçoa e num belo dia percebe que ele te trai pelas costas.
- Pô, mas era meu parente – e a gente se afasta porque a relação perdeu a razão de existir.
Para torcedores de clubes de futebol não existe nada disso. A gente simplesmente torce e quer o bem daquele clube, independente das relações comerciais ou profissionais existentes. Vale até para jogadores que dizem ser torcedores do clube onde jogam.
Muitos acham que o contrário do amor é o ódio. Não. Não é, é o desprezo. Quando se sente amor, mesmo que se passe a odiar seu alvo por quaisquer motivos, um belo dia a gente volta e perdoa. Quando se passa ao desprezo, ainda que sua razão de afeto volte pintada em ouro, ou te ofereça o paraíso, a relação estará terminada e nunca mais voltará a ser como antes.
Para quem é torcedor jamais haverá o desprezo e nunca haverá uma contrapartida.
Para quem é torcedor, eu disse. Os interesseiros são outra categoria.
* Alexandre Carlos Aguiar é associado do Avaí FC, proprietário do blog Força Azurra e um dos colaboradores do portal Todo Esporte SC.





Alexandre,
Pode ser, mas interesse é o que mais há no futebol.
Gerson Antunes
Aguiar…
TAIS CERTO…E MUITO CERTO…sei que é doído o que estamos sentindo…porque a gozação tá grande…e o não saber o que aconteceu nos deixou perdidos com um sentimento difícil de explicar…..
Mais temos que lembrar o que importa é o AVAÍ F.C…..acima de tudo…independente de eleição…presidente….jogadores…NOSSA TORCIDA tem que abraçar o nosso AVAÍ…pois só assim chegaremos a onde queremos…que são Vitórias e mais Vitórias…mostrando a todos que SOMOS FORTE E MUITO FORTE….COMO DIZ NUM BLOGUE AVAIANO….UM LEÃO COM BANDO SEMPRE SERÁ MAIS FORTE…
João Otávio
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