sábado, 18 de janeiro de 2014

O FILME SE REPETE, by Roberto Costa

Existe, no arcabouço profissional dos jornalistas vinculados a partidos, a grupos, a interesses, etc, uma forma de fazer entrevistas dirigidas, quando o entrevistado filia-se à mesma linha. Por exemplo, a técnica de fazer perguntas tipo "jogadinha de vôlei", ou seja, pergunta light e na altura certa para que o entrevistado dê a cortada e marque pontos ante seu eleitorado, simpatizantes, ou seguidores. Às vezes as perguntas são previamente escolhidas e submetidas à avaliação do próprio entrevistado, que as aprova.


Assisti ontem a participação do presidente do clube do Estreito no programa televisivo da RBS. Difícil encontrar descontração maior, com perguntas lights, nem uma pausa respiratória sequer mal colocada, capaz de alterar ainda que levemente os batimentos cardíacos do "ôme!" Já o presidente do lado de cá, quando alí esteve, não foi poupado, exploraram maliciosamente até, de novo, a questão salarial dos nossos figurões...


A impressão que ficou é de que corre tudo azul (hehe) no reduto barbye. Nenhum questionamento foi feito a respeito de dívidas, ou de qualquer outro problema nas cercanias do remendão. O presidente foi logo dizendo que o salário do Marcos Assunção não vai ser muito alto, que ele deixou pra trás ofertas salariais mais polpudas. Vem por amor à camisa, eu acho. Resta saber se os demais jogadores barbyes vão acreditar.


A única pergunta com propósito de deixar o convidado em saia justa foi feita por torcedor, querendo saber se é verdade que metade do plantel do time barbye é do presidente. Ele disse laconicamente que não e todos preferiram acreditar, passando cômoda e silenciosamente para outros assuntos. Tereria alguém coragem de duvidar?


Este ano o estilo RBS de fazer programa esportivo parece que vai se repetir nas telas de TV e nas ondas do rádio. A grama no continente estará mais verde daqui pra frente, os jardins mais floridos, os frutos mais doces, os atletas mais vencedores, a torcida mais crente e de novo contando com o ovo na galinha, o rango de novo muito farto naquele cantinho. O filme será o mesmo, aguardemos o final...

* Roberto Costa é associado do Avaí FC. Foto: Carlos Alberto Ferreira, via twitter.

4 Comentários:

Unknown disse...

Que magoa que esse Senhor tem do Figueirense. Será que já foi alvinegro e também dispensado?

Anônimo disse...

Roberta Costa o terinador que o AVAI contratou deu bolo e fomos massacrados. Agora o tal de Everton deu o drible da vaca no Federense(como fala minha neta) e ninguém falou nada.
Abraço Sergio Bayestorff

Anônimo disse...

DONA ROSANGELA, Sim, já fui alvinegro, mas eu é que dispensei. Torci pelo Botafogo, quando jovem, depois fui me depurando, largando tudo que não era essencial e estabilizei-me no azul.
Não tenho razões para ter mágoa do seu time, sou simpático à rivalidade e o vejo apenas como adversário. O que se combate, são certas coisas, certos métodos, certas distorções das quais a gente toma conhecimento, nos nossos campeonatos e que irritam, porque maculam esse esporte tão maravilhoso que é o futebol. Grato pela leitura. Roberto Costa

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