quarta-feira, 16 de julho de 2014

Muita transpiração, pouca inspiração, by Alexandre C. Aguiar

É isso, é o Avaí de volta. Embora com um pouco mais de pegada, mais raça, mais fôlego, com dois bons estreantes, o retorno do futebol na Ressacada trouxe o mais do mesmo. Um time dependendo de lances dos imortais e imexíveis Cléber Santana e Marquinhos, cuja produtividade é abaixo da crítica, atacantes com muito esforço e sem determinação e a zaga batendo cabeça. O mesmo cenário de antes do recesso da Copa. 
É verdade, contudo, que o time está correndo mais. Se antes víamos uma coleção de gravatas logo na virada dos tempos, nesta partida percebemos um grupo mais lépido, ágil e incansável. Palmas ao novo preparador físico, por ter deixado vários jogadores com silhueta de guarda chuva fechado. Ver Roberto e Marquinhos magros é uma benção. Isso deu, evidentemente, a possibilidade de todo o time jogar mais tempo e não se entregar ao costumeiro cansaço dos últimos dez meses.
Houve a estréia de Carleto e Diego Felipe. Se não são credenciados a craques do campeonato, também não comprometeram. Ao contrário, tivemos jogadas pela lateral esquerda, espaço considerado zona improdutiva e oferecido ao INCRA para reforma agrária, haja vista que o lateral esquerdo de priscas eras, o Eduardo Neto, ia ao lado esquerdo do ataque uma vez a cada eclipse lunar. E Diego Felipe, que deve ter assistido a lances de Bastian Schweinsteiger na Copa e se achado o volante do momento, quando caiu em si e vários puxões de orelha do técnico depois, passou a produzir melhor, fez o gol da virada e foi o melhor jogador em campo.
A falta bisonha de Antonio Carlos, lhe deu direito a assistir ao resto do jogo pela TV. Compreendo que a qualidade para um zagueiro, nos dias atuais, é requisito básico e treino é algo importante para aprimorar isso. Sei, também, que ser menino e ir pra briga gera desconforto e problemas existenciais. Mas os zagueiros avaianos não dão certo de forma alguma, praticando jogadas bisonhas e ridículas a cada rodada. Se não é um é outro. Tomamos gols que o time das freiras carmelitas não toma.
Eduardo Costa tomou conta da zaga, numa bela sacada de Geninho quando perdemos Antonio Carlos. Vejo futuro nessa disposição tática. O cadeirudo conseguiu dar conta do recado, ajudado com a volta de Marquinhos e Cléber para auxiliar na saída de bola. Todavia, embora tenha jogado bem, foi favorecido pelo fraco desempenho do ataque do time adversário. Conseguimos achar um ataque pior do que o nosso.
Cléber Santana tem que largar a titularidade e começar do banco. Entrar quando faltarem alguns minutos para a acabar o jogo, ou ficar no banco e dando instruções aos gandulas de como jogar a bola de volta ao gramado. Fraco, fraquíssimo e fazendo uma força danada para apagar sua biografia tão bem construída na Ressacada. E, garanto, antes que algum urubu de carniça saia batendo asas, não é por salários atrasados.
Já o Marcos Véio foi o de sempre. Lançamentos do tipo pega quem quer, passes de dois metros nas pernas do adversário, corre para o lado errado do campo, se envolve na marcação adversária e continua cobrando escanteios como um juvenil. A única boa bola que acertou no jogo, foi falta na cabeça do Pablo e empatamos. E só.
O cara endeusado por meia dúzia de abobados precisa fazer jus à sua condição de torcedor em campo. Está correndo mais, percebe-se, e parece até que quer ajudar, mas sua limitação, auto-imposta, é nítida e notória. A gente sabe que ele pode mais, muito mais.
De resto, como ressaltei, vi um time mais raçudo e pegador. O preparo físico foi a diferença para a vitória. E temos um técnico no banco, que soube mexer quando o sinal ficou vermelho. Não sei se o acesso é garantido e nem mesmo se permanecemos na série B, mas já dá uma esperançasinha por alguma coisa parecida com futebol que surgiu nessa noite de terça-feira.
* Alexandre Carlos Aguiar é associado do Avaí FC, proprietário do blog Força Azurra e um dos colaboradores do portal Todo Esporte SC. Foto acima: Jamira Furlani

2 Comentários:

ney.lf disse...

- Primeiro tempo : Início de jogo Marquinho coloca Paulo Sergio na cara do gol este tenta driblar o goleiro e perde a bola;
- Primeiro tempo : Marquinhos cobra falta perfeita na cabeça de Diego Filipe que sozinho cabeceia para fora;
- Primeiro tempo : Marquinhos lança para Bocão que na frente do goleiro marcio tira do goleiro e sai com bola e tudo;
- Segundo tempo : Marquinhos bate escanteio na cabeça de Pablo que faz o primeiro gol;
Ainda entendo que seja pouco mas, em um time que não tem lateral, zagueiros e atacantes que prestam, exigir do meia que sozinho faça tudo é pacabá.
Enquanto isto o "craque" da noite Cleber Santana, corre, salta, e nadica de nada. Eita homem enceradeira que não dá um chute, não coloca ninguem na cara do gol e só jogo para o lado, futebol completamente improdutivo fazendo firula para a torcida e alguns da imprensa que acham que passar o pé sobe a bola, dar de calcanhar e rodar sobre a bola o torna um grande jogador. IRRITANTE, tem que ir para o banco imediatamente.

Anônimo disse...

Uma visão distorcida por diferenças pessoais mas sempre uma visão...

Eduardo

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