É o que temos pra hoje. Vai encarar? by Alexandre C. Aguiar
É muito interessante acompanhar linha do tempo da internet, a famosa time line,
antes, durante e após uma partida de futebol. Dá uma tese de doutorado,
com direito a PHD em Oxford ou Harvard. Além de ser divertido.
Fazer time de futebol não depende de
dinheiro, de bons olheiros, de referências ou algo que o valha. Depende
de ajuste e encaixe após o período de pré-temporada. Ou de acertos mesmo
depois que os jogadores já foram apresentados e jogaram algumas
partidas. Um time de futebol tem que ser algo coeso e dinâmico, definido
e enquadrado, e pronto para mudanças. Por isso é um time. Ah, vai dizer
que tu não sabias disso?
Assim, repito o meu mantra todas as vezes
que leio ou ouço atestados de sabedoria em relação ao futebol: time bom
é aquele que ganha e time ruim é aquele que perde. E repito mais uma
vez: há exemplos na história do futebol de bons jogadores reunidos e
rebaixados em campeonatos e de jogadores com qualidade discutível e
conquistando títulos. É assim o futebol, um arregimento de jogadores
jogando juntos.
Pode parecer redundância, mas é mais óbvio que o sol nascer todos os dias.
Sei, o sujeito vai ficar putinho da vida
ao ler isso, mas é a partir daí que se começa a entender o que é o
futebol. Antes da tática, da boa condição física e da conta bancária
gorda e em dia, há o jogar juntos.
Alguém se lembra qual foi o último melhor
time do Avaí que se viu jogar por aqui? Ora, fácil, foi o time das
temporadas de 2008/2009. Juntou-se algumas nabas, alguns jogadores
medíocres para medianos e montamos um time. E só não chegamos a uma
Libertadores ou mesmo um título nacional porque faltou ambição.
Augusto era um bonde, mas foi um dos
melhores zagueiros que passou por aqui. Jogamos um temporada inteira com
um atacante de lateral direito. Tínhamos Jeff Silva. Peloamordosmeusfilhinhos!
Alguém pode imaginar ter um jogador como Jeff Silva? William foi
artilheiro aqui e no… naquele time, como é mesmo?… Evando despontou
aonde mesmo? É claro que tínhamos o zagueiro Émerson e Marquinhos na
meia, e mesmo assim há ressalvas. Só nós que os louvamos e idolatramos,
porque as demais torcidas dizem: “É, passa!”
Mas, façamos um exercício de lógica sem
paixões: qual destes jogadores do time de 2008/2009 despontou por aí
depois que saiu do Avaí, daquele Avaí? Vai, eu espero…
Silas? Uma farsa de treinador, essa que é
a verdade. Deu certo só no Avaí e ainda assim naquela temporada. Tá,
tudo bem, pode me xingar, mas essa é a realidade, porque o futebol é
momento. Aquele time deu certo. E como deu certo. Tanto deu certo que
até hoje as viúvas vivem a pedi-los de volta. E ai do treinador que não
trouxer Leo Gago ou Willam de volta.
Não montamos mal o time para a temporada
2015, assim como não montamos o de 2014. Quando o time não encaixa,
acaba não se comprometendo, esse é o fato. E aí o jogador se nega a
jogar, dá desculpas, vira a cara, inventa moda, sai pra balada, mas
jogar que é bom o time não joga. O dedo na ferida ninguém põe.
Por que subimos para a Série A em 2014?
Porque o ajuntamento ruim do ano passado, atestado por comentaristas de
resultados, jogou doze rodadas como um time forte e coeso e obteve os
pontos necessários. Demos uma aula de futebol contra o Vasco em São
Januário, um dos nossos melhores momentos. Se não tivesse feito isso,
caia para a Série C.
O time da atual temporada não é ruim. Não
existem jogadores “que nunca deveriam vestir a camisa do Avaí”,
como ensina aquele comentarista bocó que muito tanso teima em
aplaudí-lo. O que há no time atual do Avaí é falta total e absoluta de
entrosamento. É nítido que treina (se treina!) de um jeito e joga de
outro.
Vamos queimar quem, então? Geninho,
claro, que é a solução mais fácil e cômoda. Até porque ele se atreveu a
contestar conselharias e quejandos. Marquinhos vai voltar e, se não der
certo, vamos pedir um jogador para ser seu companheiro (sem esquecer que
o time jogou mal a temporada inteira com ele em campo em 2014, exceto
naqueles 12 jogos). Vamos nos arrastar no Brasileirão, com um outro
treinador mediano, fazer alguns milagres e a coisa vai ser assim. Ou
ganhar do Figueirense na próxima rodada e apagar tudo o que já se falou e
chamar esse time de guerreiros.
Isso aí, mô nego, é futebol. Não dê uma de baiana perdida com a fantasia na mão.
* Alexandre Carlos Aguiar é associado do Avaí FC e proprietário do blog Força Azurra. Foto acima: blog Sempre Peixe





Gostei, mas faço uma ressalva, o zagueiro Emerson despontou no Coritiba e conseguiu uma convocação para a seleção. Levou azar com uma contusão, que se complicou numa cirurgia no tornozelo mal feita, a qual exigiu uma segunda cirurgia para corrigir a primeira. Aí veio um período de grande inatividade. Ainda assim, faz parte do plantel do Atlético Mineiro. - Roberto Costa
Roberto Costa,
Sim, e acrescento que o William também esteve bem na Ponte Preta.
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