O clássico que quer a paz, by Alexandre C. Aguiar
Todos nós temos nossos gostos particulares. Todo mundo tem o seu filme preferido, a sua cor, o seu livro, assim como cada um tem a sua música dos Beatles favorita. Faz parte da natureza humana ter seus gostos pessoais. Somos 7 bilhões de bípedes pelados e espalhados pelo planeta pensando diferente e cada qual com a sua verdade.
E, no âmbito do futebol, também temos o nosso time do coração, aquele para o qual voltamos os olhos, prendemos a respiração, pulamos de alegria nas vitórias ou nos consolamos num canto nas derrotas. Mas sem esquecer, contudo, que do outro lado há alguém que pensa diferente, todavia com a mesma intensidade e aspirações que as nossas. E isto precisa ser respeitado.
Por isso que vejo num clássico a possibilidade de se afirmar muito mais a nossa paixão e respeitar melhor ainda o rival, pois, quer se queira ou não, dependemos deles. O clássico só existe porque há, no mínimo, dois rivais.
Um clássico de futebol é um embate entre duas agremiações que fazem história em conjunto, na mesma região, ou com as mesmas características, cada qual a seu modo. Um clássico não é medido pelas estatísticas, mas pelo importância que representa. É num clássico que se busca a supremacia, que expõe a competição e se tenta dominar o rival a todo custo. É o tipo de enfrentamento que é preparado e temperado antes, cozinhado durante e degustado depois. Ninguém sai ileso ou fica apático diante de um clássico, se torcer para um dos dois times.
Sou muito grato quando me chamam de saudosista por relembrar dos clássicos bem jogados no gramado e assistido por rivais sentados lado a lado nas arquibancadas. Não havia necessidade de grades, alambrados ou policias fortemente armados para garantir as opiniões. O respeito mútuo já era o suficiente. Ali, naquele momento, se vivenciava a rivalidade exercida por homens e mulheres com caráter. Diferentes, mas humanos.
Nos dias de hoje, o poder público constituído para nos possibilitar segurança, seja num estádio ou fora dele, arriou a calças para os marginais e bandidos de última hora. Ficaram preguiçosos e lenientes. Não são mais capazes de aguentar uma confusão ou uma cara feia. Borraram-se!
Entretanto, o sabor de se apreciar uma partida como essa e seu entorno não tem comparação. A empolgação e a paixão alimentadas pela rivalidade sadia são singulares. Mesmo que fracassados existenciais queiram impedir a diversão e a motivação para se assistir a mais um clássico, o muito que conseguem é a cara feia da sociedade e o desprezo de quem quer a paz.
Eu vou ao clássico com meus amigos avaianos. Meus amigos alvinegros também devem ir. Mas, mesmo que um dos dois lados saia perdedor, já vencemos mais uma luta na batalha pela civilidade e pelo respeito às opções diferentes das nossas.






Carlos Avaiano
Fechando o pensamento, é preciso lembrar que, não existe eterno vencedor, ou perdedor.
Olha o momento do nosso irmão catarinense, o Criciúma.
Ano passado, seus mais exaltados torcedores, nos tiravam pra zoar de tudo quanto era jeito.
De timinho, clubinho, Bvai, time de mangue, au,au,au, pau no curativo da capital, e por aí vai.
Hoje estão penando num vexame, perdidos em campo e no campeonato da segundona, quanto ao Bvai ? Sem comentários.
É isso, momento, que não dura pra sempre, mas devemos aproveitá-lo o máximo.
O que realmente vale é o espírito esportivo, ai fica mais fácil aceitar as derrotas, e reconhecer o mérito do vencedor.
Exatamente, tua frase resume tudo, Carlos: "o que vale é o espírito esportivo" e eu complemento: o resto é balela.
Carlos Avaiano,
Tens razão! Além disso, perderam muitos associados...
Aguiar,
Sim, mas está difícil pra galera entender...
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