Num cantinho da Granja, by Alexandre C. Aguiar
Os bichos-cricri da famosa granja Comigo Boi Não Dança, ou mais conhecida pelas iniciais CBN-D, a Raposa Felpuda, maledicente e ardilosa, o Sapo Duende, encrenqueiro e eterno inconformado, o Gambá Pretibranqui, com a cara pintada de blush, o Ratão do Banhado, que não deu certo em lugar algum e acabou dando na Granja e o Morcego Moicano, que posa de intelectual para fazer gênero, aproximavam-se do Sapo que estava nervoso com um fone enfiado no ouvido, escutando um rádio.
– Que é que tás incomodado, ô, Sapo? –perguntou o Ratão, babando-se todo.
– Nada, rapaz, tô ouvindo aqui na rádio. O que é esse tal de deusonami? – respondeu o Sapo, remexendo a dentadura.
– Deusonami? Não entendi – continuou o Ratão.
– Tá aqui, ó, depox do terremoto eles deram o alerta de deosonami – declarou o Sapo.
– Poutaquiopareo! Nada disso, rapaz, é tsunami. É quando dá uma onda gigante depois do terremoto. Derruba tudo – incomodou-se o Ratão.
– Ah, então foi isso que deu na Granja do Vizinho? – interveio a Raposa.
– O que é que deu? – quis saber o Gambá Pretibranqui.
– Orras, não sabias? Depois que o Leão Galego passou com o circo dele por lá caiu a casa, a edícula, a casinha do cachorro, os pitbulls, as figueiras, a cerca, até o Macaco Simão caiu do galho – explicou o Sapo.
– Coisa horrorosa – deduziu a Raposa.
– Então o estrago foi grande? – concluiu o Morcego.
– Impressionante. Era a melhor Granja da região. Como que se abateram tanto? – lamentou o Gambá.
– Mas a gente não pode falar muito, senão eles não pagam a gente – alertou o Morcego.
– Como assim? – interpelou o Gambá.
– Vem aqui no cantinho que eu te explico – sussurrou o Morcego.
– Aí no teu cantinho? – confidenciou o Gambá.
– É! – concordou o Morcego.
– E o Leão Galego, rapazi, saiu da UTI? – perguntou a Raposa, desconfiada.
– Parece que deram remédio pras pulgas e o negócio resolveu – explicou o Ratão.
– E as pulgas estão passando bem? – quis saber o Sapo.
– Não é isso…. ah, deixa pra lá! – conformou-se o Ratão.
– E tereria chance de caírem as bananeiras lá no Circo do Deba com esse tsunami? – quis saber a Raposa.
– Nada. Eles têm um bom veterinário pra cuidar da horta. Não cai nada lá. Nem o dono, nem o domador do Leão Galego, muito menos os ídolos das prateleiras – considerou o Sapo.
– E como é que vai ser agora? Eu fico aqui com a cara vermelha de raiva dessa incompetência toda da Granja do Vizinho – irritou-se o Gambá.
– Ah, provavelmente o dono deles vai ter que se mudar pro andar de baixo – interpelou a Raposa.
– Será que vão pintar a fachada de novo, depois de mudar a razão social? Aí vão deixar de vender os brócolis da última safra – interferiu o Gambá.
– Isso eu não sei, mas o choro tá grande – arrematou o Ratão.
– Tu dix… – concluiu o Sapo.






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