A FACE CINZA DA BOLA, by Roberto Costa
Concluído meu curso de direito em 68, rumei em 69 para o Paraná, com o
diploma, a cara e a coragem, numa aventura profissional. Fixei-me na
rica região do café, numa cidade pequena, uns poucos quilômetros acima
de Maringá. Na ilha eu deixara com tristeza o mar, alguns amigos, os
sentimentos, a noiva, o Avaí.
Na minha chegada ao
destino, observei que a coisa mais parecida com o mar eram as imensas
lavouras de café, que ondeavam, ora subindo, ora descendo pelas colinas.
As pequenas cidades eram ilhas perdidas naquele mar. Com quem
conversar? Que conversas ter? Foi a pergunta que me fiz enquanto
observava as pessoas que passavam, com sua rude naturalidade.
Aluguei
quarto no único hotel da cidade, doze compartimentos de madeira, seis
em cada lado, separados por um corredor, cada qual com uma pequena
basculante para arejar. Um banheiro aos fundos, numa dependência
separada do corpo do hotel. Não tinha planos de morrer de angústia e
tédio, então fui à Maringá, comprei livros, coletâneas de contos,
romances.
Ocorreu-me que na cidade pessoas
deviam jogar futebol. Perguntei no hotel, disseram: Ah, no estádio
jogam, sábado à tarde. E me deixam jogar? Deixam, é pelada, sempre tem
uma vaga.
Com efeito, no sábado, chuteira na
mão, me apresentei no precário estádio, e fui recebido com simpatia.
Escolhi jogar de atacante e concordaram, sem objeções. Com poucos
minutos de jogo percebi que alguém se destacava com um futebol de muita
qualidade em relação a todos os demais. O sujeito possuía um biotipo
largo, um porte que lembrava o Gerson, da Seleção. Havia de ter entre 45
e 50 anos de idade. Um bigode denso e escuro e um dente de ouro
frontal. Fazia passes curtos e lançamentos à distância com perfeição,
ocupando a posição de cabeça de área. Num lançamento forte e alto em sua
direção, ele ergueu-se no ar e com a flexibilidade que a idade ainda
não lhe tirara de todo, fez a bola colar em seu peito, com a segurança e
a graça dos verdadeiros craques, coisa bonita de ver.
Era
argentino. Encerrado o jogo dirigi-me a ele, dizendo: Você já jogou
profissional. Sua resposta veio em portunhol: Si, Estudiantes, Nacional
de Montevideo, Colo Colo de Chile, en Mexico tambien, enfrentê Botafogo
de Garrincha, de Nilton Santos. Tengo fotos, jornales...
Depois
fiquei sabendo, era sapateiro na cidade, consertava sapatos.
Possivelmente não soubera administrar com sabedoria o dinheiro dos bons
tempos. Cheguei a vê-lo batendo solas contra uma placa de ferro apoiada
sobre sua coxa direita; não sei como aguentava o tranco.






Querria te falar em outro post, parei de ler pela possibilidade de enchente em Itajaí, meu bairro é o mais doce porém um dos mais suscetíveis as águas que vem dos vales. Mas sei que em post atrasados ficaria difícil. Minha visão do porquê times como o Figueirense ou Flamengo jogam com toda a voracidade mesmo com salários atrasados se deve não pela competência da diretoria, mas pela ausência de eco da falta do clube com seus jogadores...
Não se vê, nem na Vênus Platinada nem na Rede Zelotes, qualquer possibilidade dos problemas internos vazarem a público! Pois são times apoiados pela "imprensa oficial" portanto nada de mal passa...
Já qualquer rusga nos timas não eleitos é uma festa! Vai jogar de corpo mole no Flamengo pra ver a grobo praticamente chamar a torcida pra batee neles. Vai fazer corpo mole no figay pra ver a RBS matando os caras a pau!
OBS: A quantidade de carrinho que o figay deu no framengo foi descomunal: ninguém amarelado. Pois o Avaí com faltas de jogo contra o Palmeiras teve "trocentos" amarelados no 1º tempo, vide Adriano e Antonio Carlos. Imagina se joga com a "raça" do co-irmão?....
Adriano Itavaí
Adriano Itavaí,
Primeiramente, espero que esteja tudo dentro da normalidade na tua cidade e teu bairro.
Sim, tuas colocações são pertinentes, e esse exemplo de cartões amarelos para o Leão, salientei aqui várias vezes, em sua imensa maioria são por reclamações...
Não lembro de UMA falta violenta feita por nossos zagueiros...
Postar um comentário
A MODERAÇÃO DE COMENTÁRIOS FOI ATIVADA. Os comentários passam por um sistema de moderação, ou seja, eles são lidos, antes de serem publicados pelo autor do Blog.