Crônica de uma morte anunciada, by Alexandre C. Aguiar
E quem tem um contato mais próximo a mim deve ter estranhado como que um chato otimista como eu sou tenha jogado a toalha já há dois meses.
Sou daqueles que tem milhagem por presença no estádio, avaiano de primeira hora, por acompanhar as coisas do Leão todos os dias, por ser carrancudo contra quem só fala mal do clube, ou contra quem aposta nas derrotas para dar razão às suas ranzinzices. Mas eu também não sou mais avaiano que ninguém, nem verdadeiro avaiano e muito menos dono da verdade. Portanto, não defendo causas para garantir que já sabia.
Mas era notório, era definitivo que nossa queda era garantida, iminente e certa. Era só questão de tempo. Subimos quando não deveríamos e descemos como seria previsto.
Estou feliz e faceiro por estar dizendo tudo isto e deixei de torcer para o Avaí neste caminho no corredor da morte? De forma alguma. A propósito, não fui eu que larguei o barco.
Entretanto, não lembro de um jogo do Avaí nestes dois últimos anos no qual tenhamos ido à Ressacada e dito: hoje vamos golear, hoje vamos vencer, exclamado com toda a certeza por uma vitória garantida. Não tivemos isso neste período em nenhum jogo. Não havia, portanto, como acompanhar e ir se enganando. Em nome de algo etéreo e místico, por causa de uma santa falsa ou daquele sentimento cego de torcedor alucinado? Não consigo. Não havia mais esperança.
Nunca se teve segurança alguma com as últimas campanhas do Avaí. Disputamos duas temporadas contra o rebaixamento no campeonato local, já pensou nisso, leitor?
Fomos aos campeonatos brasileiros, tanto Copa do Brasil, como série B e agora série A exaltando nossa sorte diante da incompetência dos adversários. Subimos graças a arranjos de situações surreais em 2014 e não fomos rebaixados com antecedência em 2015 porque os adversários não queriam, eram tão ou mais incompetentes quanto nós. Portanto, a sonegação de capacidade do Avaí era evidente. A bola pune, mô nego!
Não havia mais como se apoiar isso a não ser tentar resgatar aqueles valores intangíveis da história que faz cozas. Buscamos no sobrenatural algo que no dia a dia tinha se acabado. Ocorre que ela mesma, a sorte que ajuda os incapazes e coitados, já havia cansado de tantas barbaridades, incompetências e marasmo estabelecido, coisas que habitam os corredores da Ressacada há algum tempo.
A receita do rebaixamento foi aplicada com todo sabor e denodo por quem administra o Avaí atualmente.
Não vou fazer caça às bruxas, o que seria natural no senso comum nestas horas. Apontar nomes é o que menos importa, porque é um complexo de coisas. Da mesma forma, não vou condenar quem o faça, porque é natural também nos valores de cada um. Porém, uma boa parcela de irresponsabilidades cabe a muita gente lá na Ressacada. Não poupo ninguém.
Como disse no primeiro parágrafo, acompanho o futebol há anos e é completamente compreensível que se refaça uma avaliação de desempenho nestas horas. Rezam as boas práticas de produtividade que os projetos devem ser elaborados, em qualquer lugar, para se obter êxito e não apenas para acumular números. Algumas responsabilidades no Avaí, desde a do presidente do clube, passando por seus departamentos administrativos e de futebol, indo até a comissão técnica, devem ser revistas. E, se possível, retomadas.
Houve fracassos absurdos e condutas trôpegas que não se vê em gincana de jardim de infância, inadmissíveis para um clube que já tem alguma história num campeonato brasileiro. Alguns desafios foram abandonados por completa incapacidade administrativa, como um contrato com um patrocinador máster, por exemplo.
A autoridade do presidente de um clube, que se diz sério e histórico, foi achincalhada por um problema doméstico. Não há como se contemporizar tamanho absurdo. Portanto, muita coisa tem que se revista, abandonada e novos projetos devem ser elaborados, até com cabeças em bandeja.
A estrutura administrativa do Avaí cresceu nos últimos dez anos, isso é inegável, mas ainda havia erros da administração passada que deveriam ser revistos e resolvidos. E os acertos, aprimorados. Nada disso foi feito e, pior, houve um retrocesso em todos os setores. Tivemos funcionários do clube brigando com torcedores nos bares. Temos funcionários que torcem contra o sucesso do clube nas redes sociais ou até dentro dos corredores de tijolinhos à vista pintados de azul. Há diretores ganhando mais que um jogador do clube. E isto é só a pontinha da antena do Empire States.
A instituição Avaí Futebol Clube festeja uma premiação na área de marketing ganhada nos últimos dias. Muito bonito e nos enche de orgulho. Pois eu troco tudo isso por terminar, ao menos com alguma dignidade, o campeonato catarinense já no próximo ano. Porque aí, sim, vamos perceber que as toupeiradas foram administradas e que algo está sendo feito de diferente e com seriedade dentro da Ressacada. Ou seja, elevar um pouquinho de credibilidade. O resto é perfumaria.
* Alexandre Carlos Aguiar é associado do Avaí FC e proprietário do Força Azurra





Carlos Avaiano
Verdades que precisam ser houvidas do lado de dentro dos tijolos azuis.
Fico pensando: e se o Fluminense tivesse vindo a Florianópolis, é aquele que vendeu caro a nossa vitória no turno, e se empenhou ao máximo no returno.
Penso que o flu, escolheu rebaixar um catarina.
Caso contrário, nossos discursos seriam outros.
Ainda bem que não veio, pois agora o amado vai ter que rebolar pra nos agradar.
Carlos Avaiano,
Não concordo. Jogaram sério no returno porque tinham vendido o jogo para Cariacica, caso contrário, se fosse no Maracanã, fariam o joguinho sem motivação e estádio vazio...
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