quinta-feira, 3 de março de 2016

Nada tranquilo e pouco favorável, mas com muita raça, by Alexandre C. Aguiar

Nem os mais otimistas torcedores, incluindo eu, imaginávamos este quadro que pintou para o Avaí, no campeonato catarinense. De um virtual rebaixado, fracassado absoluto, um peru de véspera sacrificado, a quase campeão de um turno (que por detalhes não foi!), muita coisa se passou. E, agora, se antes fomos duros e não admitimos muitas coisas, é importante se fazer as devidas reverências a quem está lutando e dando a cara a tapa na competição.
Claro que não faço coro com quem despreza nosso campeonato. A maioria dos críticos se baseia em campeonatos de outras praças para dar sua noção sobre o nosso. Bobagem! Disputamos uma competição encardida, com muitos percalços e dificuldades. Há um nivelamento pela média, com times tentando se erguer e outros vindo de fases de treinamento forçado, enquanto os demais disputavam outras competições. O resultado são partidas difíceis e complicadas, cheias de armadilhas e topadas pelo caminho.
Como foi a desta quarta-feira, onde o osso duro Internacional de Lages mostrou porque é o fantasma deste campeonato. Vencemos com muita dificuldade um adversário terrível de ser batido. E alcançamos a posição de segundo melhor desta fase com méritos. Nada nos caiu no colo. Não dependemos de ajudas exotéricas, facilidades federativas ou pênaltis mandraques. Foi no peito e na raça, com a alma avaiana e com jovens rapazes com espírito vencedor. Isso deve ser, muitas vezes, louvado.
Entretanto, as dificuldades só aumentaram. O time, agora, é o próximo a ser batido. Uma vez que a Chapecoense já garantiu sua vaga para a final, os demais recomeçam a caminhada e o próximo da lista somos nós. E é neste momento que devemos mostrar se o brilho de nosso ouro é real ou polimento de photoshop. Se subimos um morro escorregadio, para chegarmos ao topo vamos ter que escalar na mão e sem cordas.
A propósito, nunca é pouco nos lembrarmos do que se desenhava lá atrás, na montagem da diretoria de futebol. Quem queria desmontar a estrutura da base avaiana, esta mesma que está aí nos enchendo de orgulho? E quem são as pessoas que batem palmas para estes ídolos de barro? Depois disso, podemos ter a exata noção de quem quer mesmo o bem do Avaí.
* Alexandre Carlos Aguiar é associado do Avaí e proprietário do blog Força Azurra

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