quinta-feira, 31 de março de 2016

Porquê não quero Silas no Avaí, by Alexandre C. Aguiar

Sabemos que o futebol é uma atividade que remonta eventos de puro delírio e paixão. É uma das poucas práticas da humanidade onde ainda se pode sonhar, mesmo que por trás dos bastidores sejam montados planos de fazer corar o capeta. Por essa razão, talvez esta seja uma de minhas últimas postagens em relação ao Avaí, porque meus sonhos estão se esvaindo. Pode ser que ainda escreva uma coisinha ou outra, mas é cada vez mais difícil encontrar disposição pra dizer algo sobre meu clube. E sobre o time que joga, então, são menores ainda os motivos. A gota d’água foi essa contratação do técnico Silas. E isso não é de hoje, não é coisa de momento, pois já escrevi sobre isso e rememoro coerentemente as coisas: há tempos que não topo a figura deste treinador.
Todos têm a exata noção de que grande parte da torcida avaiana foi sua fã. Todavia, outra parte é composta de viúvas inveteradas e os que vão ao estádio preferem que o Avaí não faça aventuras desnecessárias. Por outro lado, a diretoria não aprendeu com os erros do passado e nem com os seus próprios e continua a afastar mais ainda seus torcedores. Esta contatratação, por exemplo, é um tapa na cara de quem está ali para dar apoio ao clube. Eu, de minha parte, larguei minha carteirinha na gaveta. Não dá mais! Não conseguiria torcer para um time tendo este infeliz no banco de reservas.
É importante dizer que Silas foi um dos técnicos mais vitoriosos da história do Leão da Ilha, em todos os tempos. Obteve, junto com os jogadores e com apoio da diretoria, e com a torcida em peso na Ressacada a aplaudir, nos anos de 2008 e 2009, feitos memoráveis, que já vão longe e estão impregnados em nossas retinas, e nos fazem lembrar de momentos mágicos vividos em sua passagem por aqui. Naqueles dias, Silas fez sonhos se tornarem realidade, manteve um diálogo sempre aberto com a torcida, bateu de frente com um de nossos maiores calos, a mídia da Capital, e mostrou para o pessoal doladelá quem manda em nosso futebol. Fez de tudo, fez até chover. Todos já sabem! Aquele Silas ninguém esquece.
Mas o mundo da pelota quicando na grama não permite manutenção de água parada na poça por muito tempo. E este Silas, o homem do bonequinho, o que brigou com o outro homem do bonequinho em nome da nação avaiana, foi picado pela mosca azul dos negócios. Silas teve que sair do Avaí, pois seus interesses já entravam em conflito com os do clube. E os interesses do clube, na minha avaliação, devem ser preservados acima de tudo. Dane-se, sou romântico mesmo. Que me desculpem os incautos, mas eu sou primeiro o Avaí, independente do que seja. Eu defendo as cores do meu clube, salvo se alguma coisa muito fora da ética for mantida, o que não foi o caso. E Silas saiu, pois o Avaí também não podia fazer aventuras tresloucadas. Mas, saiu pela porta da frente.
Numa despedida rara e épica na história do futebol mundial, abraçando a todos os torcedores e dando aquela emocionante volta olímpica na Ressacada, no último jogo da temporada de 2009, pelo brasileirão, ele deixou uma marca indelével no seio da nação do Sul da Ilha. E foi abraçado, em retribuição, pela gente avaiana. Foi algo realmente emocionante, como poucas vezes se havia visto em qualquer parte do futebol jogado por aí. As frases de “obrigado!” ecoaram por todos os cantos e as lágrimas correram em faces sorridentes.
Foi um dos momentos mais bonitos presenciados por esse torcedor apaixonado que é o avaiano. Torcedor amigo, bonachão, fiel, que sabe reverenciar a quem merece. Aquele que vai ao estádio, claro. Criou-se uma necessidade de perpetuar sua passagem pelo Avaí. Surgiram faixas, bonequinhos, camisetas, tudo para manter na memória e em nossos corações a presença daquele grande comandante. E em nossa inocência, dizíamos: Silas já é um avaiano, pô!
Até que num belo dia, treinando outro clube, tomado pelas vicissitudes do futebol e demonstrando a sua virgindade como treinador, resolveu comparar paixões entre o Avaí que o idolatrava e o time da torcida que o odiava. Silas preferiu os negócios ao caráter. Mostrou que tinha duas caras. Ou melhor, não tinha cara alguma. A gente, na vida, tem cuidados ao acabar com mitos e ele fez isso por conta própria em segundos. Silas decretou o seu divórcio com a Ressacada de forma litigiosa. E depois foi uma sucessão de malandragens e trairagens, todas dignas de alguém não confiável. Um mau perdedor. Ou seria um grande mercador?
Nenhum torcedor avaiano, por mais bobo que seja, se incomodaria pelo fato de Silas ter ido treinar outro clube. É do futebol, poxa! Mas nenhum humano, por mais tolo que seja, suporta ser tripudiado ou traído. Sem essa de que o tempo é o senhor da razão. Aquilo foi uma facada com lâmina enferrujada. De minha parte, nunca fui de fazer birra adolescente, mas um pouco de amor próprio e auto-estima é bom pra mantermos a dignidade, se é o que nos resta alguma nessa fase escura pela qual passamos. Pois, naquele momento, Silas nos traiu profundamente.
Depois, houve uma segunda vinda. Veio com o mesmo discurso messiânico, com o mesmo empenho, conseguiu algumas boas vitórias, tivemos bons momentos de alegria, mas faltava alguma coisa. A sensação era de frieza. Houve vaias. Chamaram-no de burro em algumas oportunidades. Aquilo não estava bom. E sua segunda passagem foi visitinha de médico. Rapidinha de coelho! Saiu outra vez, só que agora com um aceno sem lenços brancos.
Silas estava sendo chamado pela terceira vez, agora para tirar o time da lama. Estava à nossa porta. Alguns torcedores pareciam desesperados por sua volta apoteótica. Se fui seu crítico, quando de sua segunda passagem por aqui e fiquei com um pé atrás, imaginava que se poderia passar uma borracha sobre tudo aquilo. Afinal, pra que rancor nessa vida tão curta? E mais uma vez nos tratou como um coisa insignificante, um trocinho de brincar. Ele, ou o seu empresário, quiseram ser mais realistas do que o rei e a coisa não deu certo. Pelo menos, este foi o discurso.
E agora, neste momento, quando ninguém mais o queria no âmbito do futebol, ele pousa mais uma vez na Ressacada justamente numa fase mais ainda ruim, tentando reviver coisas que só pertencem ao mundo da magia. O mundo da realidade não nos permite mais sonhar. A nossa fase é ruim. Terrível! Não vejo como poderemos sair disso assim tão fácil, a não ser que esse grupo de jogadores queira. Duas ou três vitórias seguidas curam todas as mágoas. Contudo, particularmente, que nunca fui de jogar a toalha por isso, porque não sou de fugir da briga tão fácil, também não acredito mais nessa fórmula embriagadora. Conheço o futebol desde criança e isso já faz tempo. Com Silas no comando, portanto, não dá mais. A água bateu no tampo de minha cabeça.
Se sou torcedor de futebol, daqueles que deixa a razão em casa quando me sento na arquibancada, minha natureza não admite que me façam de bobo seguidas vezes e ainda assim aplauda como um boneco de posto. Não fará a menor diferença minha ida ou ausência do estádio. Mas para a história do clube, recontratar este sujeito é de uma humilhação enorme e é nos rebaixarmos e apequenarmos ainda mais. Tô fora!
* Alexandre Carlos Aguiar é associado do Avaí FC e proprietário do blog Força Azurra. Foto acima: Alceu Atherino Neves

17 Comentários:

Anônimo disse...

Ate que enfim um ato distinto.

Fica em caso mesmo cara.

Seu chato!

Sergio Nativo disse...

Torcedor de futebol é tudo igual. Pura paixão. Diz coisa e faz coisas sem sentido. O Aguiar que os diga. “...Não sou de fugir da briga tão fácil. Eu, de minha parte, larguei minha carteirinha na gaveta. Não dá mais!”.
Há se jogadores e dirigentes tivesse esse amor pelo Avai como nos torcedores. Que Silas com amor ou não pelo Avai de certo mais uma vez.

Guilherme P. Flemming disse...

Graças a Deus veio o Silas, ou preferias o Edson Gaúcho (preferência do banana) ou PC Gusmão (preferência do Gonçalves)?

Anônimo disse...

Nosso amigo anda muito amargo.
Talvez um tempo no sofá de sua casa lhe faça mesmo bem.
Abraço, Marcelo

Anônimo disse...

Esse esta com dor de cotovelo porque não trouxeram o Edson Gaucho!Como diz o Datena,é brincadeira!!!Samuel,Sambaqui.

Pablo Antony disse...

Não sei se o Silas será o melhor para o Avaí. Mas uma coisa sei. Melhor 1000 vezes que o Edson Gaúcho e PC Gusmão.
Vamos torcer!

SDS AVAIANAS!

Paulo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Carlos avaiano

Cada vez mais fico convencido de que as crises no Avaí tem um nome: incompetência e falta de visão administrativa.
Espero que o turista presidente e o desconselho decorativo juntamente com o diretor carioca, tenham aprendido como defender o interesse do clube em que estão trabalhando pra darem alegrias a uma massa de torcedores.
Lembram do clássico do turno, marcado pra uma quinta 9:00 da noite?
Pois é, o do returno na casa do rival, marcado pra domingo, foi transferido pra sábado, mas o vintão disse não, e arrumaram uma desculpa para voltar pro domingo, dia propício pra classicos. Imaginem a renda desse jogo comparado com o do anterior.
Dizem que a vida é uma eterna escola, mas tem gente, que roda toda ano.

Alexandre Carlos Aguiar disse...

Só vou deixar claro que vou opinar como quiser, do jeito que quiser, da maneira que achar melhor e não vou precisar da opinião de filho da puta nenhum para me dizer o que devo pensar. Fui claro? Preciso desenhar? Não, né.

Anônimo disse...

O puxa saco do Zunino agora é contra? É um idiota boca mole mesmo.Timbora seu baitola.BICHA VEIA!

Anônimo disse...

E ainda é malcriado...kkk

O eterno puxa saco.

Anônimo disse...

Assino embaixo de seu comentário Aguiar.
Se pretendem trazer reforços para o clube, vejo como desnecessária a contratação do Silas.
Porque não trouxeram estes reforços para o Raul???
Nelson S. de Andrade Fo.

Anônimo disse...

2008...2009...a gente saía de casa para ir a Ressacada e sabia que alguma coisa boa ia acontecer...e acontecia. Que os bons tempos retornem....bem vindo Silas !!! Pirão

Anônimo disse...

Raul fraquejou o vcs acham que ele tem pulso pra aguentar uma longa e difícil série B? Chorou contra o Jec,aprendiz de técnico,muito jovem e sem bagagem.

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