segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Chape precisa olhar para si e parar de buscar justificativas externas para derrotas

Por Eduardo Florão, Chapecó (SC)
Para Chapecoense, atuação de Bráulio da Silva Machado foi determinante para derrota (Foto: Eduardo Valente/Framephoto/Estadão Conteúdo)

A Chapecoense não perdeu apenas os três pontos no jogo contra o Avaí, mas também a humildade. O time deixou o campo com um culpado para o revés em mente: o árbitro Bráulio da Silva Machado. O fato mostra mais do que apenas o descontentamento com a atuação da arbitragem, mas a falta do olhar crítico para os próprios erros.

A derrota da Chapecoense não veio pela expulsão de Vinicius Eutrópio, nem pela falta de um cartão amarelo aplicado a Capa o que resultaria em sua expulsão. O revés aconteceu pela falha defensiva no cruzamento de Juan para o cabeceio de Joel, pela falta de criatividade em um meio-campo moroso e pouco inspirado no primeiro tempo e pela imperícia do ataque verde e branco nas poucas chances criadas pelo time.

O lance de gol não foi a única falha defensiva do time no jogo. Ainda no primeiro tempo, Júnior Dutra e Juan desperdiçaram chances surgidas de erros bobos da defesa verde e branca. No fim do jogo, Jandrei salvou mais duas oportunidades cara a cara com Willians. Mas para o técnico Vinicius Eutrópio, não foram esses os lances capitais do jogo. Na entrevista coletiva após a partida, ele foi incisivo ao apontar como decisivas as marcações de reversão no arremesso lateral de Reinaldo e a não aplicação de amarelo em Capa ao colocar a mão na bola.

- Tiveram dois lances capitais, um lateral que o Wellington Paulista ia direto para o gol, o quarto árbitro parou porque ele (Reinaldo) levantou o pé. 99% dos arremessos laterais os jogadores levantam o pé. O Leandro (Silva), que foi meu jogador no Figueirense, levanta o pé em 100%, e não é irregular. Levantar o pé é diferente de tirar o pé. E uma bola do Capa que ele estendeu o braço nitidamente, aí não sei porque o 4º árbitro não interveio para dar o amarelo.

Eutrópio está equivocado. Primeiramente por considerar que o resultado do “latereio” de Reinaldo seria diferente de todos os outros cobrados por ele durante o jogo. Aliás, Wellington Paulista dominou uma bola “pouco redonda”, com a cabeça, e ficou de costas para o gol, com a marcação de Betão, que, diga-se, perdeu poucas disputas durante o jogo, já posicionada.

Outro equívoco está em olhar apenas para os critérios da arbitragem quando dizem respeito a si, que demonstram a falta de humildade típica do mau perdedor. Aos 22 minutos do segundo tempo, Moisés Ribeiro chegou atrasado na bola e pegou apenas as pernas de Simião. O volante verde e branco já tinha cartão amarelo, recebido 11 minutos antes ao parar um contra-ataque do Avaí. A falta grave não foi advertida com um novo cartão, o que normalmente aconteceria adotado os padrões convencionais da arbitragem brasileira. Se errou ao não expulsar Capa, Braulio da Silva Machado também errou ao não expulsar Moisés.

Rui Costa, diretor executivo da Chapecoense, questionou o critério adotado pela arbitragem, mas relembrou apenas da falta de cartão para Capa e não para Moisés Ribeiro:

- Tivemos uma arbitragem que interferiu na nossa avaliação do jogo, porque o Capa ostensivamente coloca a mão na bola e ele já tinha amarelo. O questionamento que quero fazer a todos é que o árbitro escolhe para quem dar amarelo. O lance era para amarelo, ele estende o braço, impede a passagem do Apodi. Além de descumprir a regra, ele deixou de dar o amarelo porque o Capa já tinha essa punição. O Avaí fez o anti-jogo e o árbitro foi conivente com isso.

As reclamações não ficaram limitadas ao técnico e dirigente. Em entrevista para a rádio Super Condá, Fabrício Bruno afirmou que a arbitragem “picotou” o jogo da Chapecoense, com faltas marcadas apenas para os adversários.

O número de faltas cometidas pelas duas equipes foi aproximado - 17 do Avaí contra 23 da Chape. Se comparado, por exemplo, no jogo contra o Palmeiras, a diferença é bem maior, com 25 assinaladas para os paulistas, contra 11 para os catarinenses.

NERVOSISMO EM CAMPONa saída para o intervalo Reinaldo também questionou a arbitragem e foi além - afirmou que “são todos contra a Chapecoense”. O pensamento é preocupante vindo de um jogador de um clube que recentemente foi abraçado pelo mundo em função de uma tragédia traumática para toda uma região. O próprio atleta, que poderia ser titular em boa parte dos times do Brasileirão pela sua qualidade técnica e dedicação dentro de campo, foi emprestado à Chape em um gesto nobre de outro clube no processo de reconstrução do Verdão.
Vinícius Eutrópio não acredita que time da Chapecoense tenha demonstrado nervosismo (Foto: Jamira Furlani/Avaí FC)

O pensamento não representa a maioria dos torcedores do clube, que em suas raízes tem arraigados o DNA chapecoense de conquistas através de muito trabalho e dedicação, sem focar suas preocupações em lamentar os percalços do caminho.

Reinaldo levou o terceiro amarelo durante o jogo e está fora da próxima partida. O cartão foi anotado na súmula por reclamação - no fatídico lance da reversão do arremesso lateral. Os outros dois cartões recebidos pelo lateral - contra Palmeiras e Corinthians - que culminaram em sua suspensão, foram por retardar o reinício de jogo e por reclamação, respectivamente.

Arthur também foi advertido por reclamar com a arbitragem. Por outro lado, o Avaí não recebeu cartões por reclamação. Foram quatro, três por faltas e um por retardar o reinício do jogo.

Ainda assim, quando questionado se a equipe estava nervosa em campo, Vinicius Eutrópio negou.
Não, porque todas as vezes que os lances foram parados e a maca entrou foi pelos jogadores do Avaí, então nosso time procurou jogar bola. Eu também não fiz nada que ofendesse o árbitro. Talvez ele estivesse nervoso para me expulsar sem eu ter feito absolutamente nada. Nosso time focou no jogo e buscou o gol a todo momento - disse o técnico.
- Uma colega de vocês perguntou se o time estava nervoso. Não. Quem estava nervoso era o árbitro. Conversei com nossos colegas que estavam na casamata, o árbitro estava em um nervosismo fora do normal e transfere para os jogadores o nervosismo. Temos que agradecer e comemorar que não tivemos jogadores expulsos, porque tamanha foi a inversão de faltas e a conivência com o anti-jogo, que poderia ter acontecido algo pior. Nossos jogadores estavam irritados, frustrados e tiveram maturidade para suportar até o final. Temos que perder em campo, não podemos perder para fatores alheios e tenho convicção que a arbitragem foi decisiva para a nossa derrota - disse o diretor executivo Rui Costa.

Não foi o único caso em que a Chapecoense demonstrou nervosismo excedente com as decisões da arbitragem. O próprio jogo contra o Cruzeiro, quando foi eliminado na Copa do Brasil, e outras partidas contra times mais experientes, demonstram a necessidade do clube se preocupar com a concentração de seus atletas.

Em campo, resumidamente, a Chape fez um primeiro tempo ruim e um segundo tempo bom, com duas boas chances de Wellington Paulista. Um empate seria resultado justo. A derrota pode ser digerida, mas não a falta de humildade. Aceitar que o adversário teve qualidade suficiente para ser ganhar e soube segurar o resultado seria nobre. Admitir os erros e buscar a correção é o mínimo exigido.

A Chapecoense terá 13 dias para se preparar para o próximo jogo do Campeonato Brasileiro. Apesar de parecer longo período, não é. Para sair desse intervalo fortalecida o Verdão precisa olhar para os seus erros e deixar à parte os fatores alheios. É passada a hora da Chape reencontrar a humildade que a fez “grande” mesmo sendo pequena. O clube elogiado pela sua administração e por ter dentro do clube uma família, precisa lavar a roupa suja em casa e se vestir de sua pequenez para voltar a ser respeitada pelos fortes adversários do Brasileirão.

Fonte: GloboEsporte.com

9 Comentários:

Valter disse...

Ouvi o narrador Ivan Carlos, de uma emissora de Chapecó, após o jogo e para eles da imprensa, nada de anormal no jogo. Cobraram sim, uma atuação mais forte da diretoria, pois parece que a situação financeira do clube é confortável, mas em termos de futebol, precisa melhorar.

Fernando Avaiano disse...

Pois é, e o penalti para o Avaí, sumiu, o gato comeu. A jogada foi muito pior do que o suposto cometido pelo Avai, já que o jogador estava com os 2 braços abertos. O próprio mala do Wellington Paulista deveria ter sido expulso com o Moisés. Quer dizer que foi o Avaí que fez o antijogo, essa é boa. A Chape fez cena até de lateral e o Avaí que errou. Isso não é coisa de comentarista mais sim de torcedor.

André Tarnowsky Filho disse...

Professor Valter,

O Ivan Carlos vem pedindo a cabeça do Eutrópio desde a viagem para a Europa, principalmente após perderam no Japão...
Ta´complicada a coisa por lá!

André Tarnowsky Filho disse...

Antônio Bernardes,

Na verdade, ele reproduziu o que disseram Eutrópio e o outro dirigente. Gostei muito da abordagem feita pelo Eduardo Florão.

Tiago Soares disse...

Tinha cantando essa pedra na bom dia do dia do jogo, só errei o placar por um golzinho rsss

Roberto disse...

ESSE PESSOAL QUE RECLAMA, SÃO CERTAMENTE OS MESMOS QUE ADORARAM A ARBITRAGEM DO HEBER NA DECISÃO ESTADUAL, QUE NOS TIROU O TÍTULO. RC.

André Tarnowsky Filho disse...

Tiago Soares,

É verdade!
Bingo!
Sem tirar nem por...

André Tarnowsky Filho disse...

RC,

Também estás coberto de razão!
A Chape está chata e previsível, pior que isso, sem se olhar no espelho...

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