A NIGÉRIA NÃO SABE A FORÇA QUE TEM, by RC
No jogo de ontem pela Copa do Mundo, entre Argentina e Nigéria, meu coração ao natural bandeou-se, assim como a maior parte dos apreciadores de futebol do planeta, para o lado da seleção africana. É o sentimento da rivalidade junto ao apelo de torcer pelo mais fraco.
Um amigo meu, dos tempos de faculdade, costumava dizer que o povo é como o boi, não sabe a força que tem. Pois a Nigéria do primeiro tempo jogou como um time menor, respeitou demais a Argentina, praticamente não chutou uma bola ao gol. Passou quarenta e cinco minutos jogando com a mentalidade do boi, desacreditando da sua força. E seu treinador deu-se ao luxo de esperar o intervalo para proceder à mudança, para mandar o seu time abdicar da covardia.
A Nigéria então acordou para o segundo tempo e resolveu mostrar seu poderio, o bom futebol já conhecido internacionalmente, e o que se viu foi uma defesa argentina insegura, que batia cabeças, que se assustava quando atacada, e que logo a quatro minutos cometeu um pênalti, um pênalti ridículo cometido por um jogador experiente, mas em pânico, chamado Mascherano.
Convertido o pênalti em gol, o complexo de pequeno aos poucos foi retornando aos corações e mentes dos Africanos e eles passaram a se contentar com o empate em um a um, que lhes daria a almejada classificação à fase seguinte. Nós, Avaianos, sabemos o que representa essa atitude de respeitar adversários, de priorizar a defesa. E a Nigéria esqueceu que a defesa portenha batia cabeças, que podia vencer o jogo. Recuou, ofereceu o campo ao adversário, trouxe a batalha para cima de seu reduto defensivo e tomou o castigo a quarenta e um do segundo tempo. O time da Nigéria não sabe a força que tem.
* Roberto Costa é associado do Avaí FC. Foto acima: Getty Images
* Roberto Costa é associado do Avaí FC. Foto acima: Getty Images







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