VIDA DE GADO, by Fefito Torquato
Nos grupos de whatsapp está rolando uma nova loucura, o tal do "orgulho alvinegro".
Como encheu o meu saco, tomei a liberdade de elaborar esta linha do tempo.
Uma linha do tempo que demonstra o quão ébrio vem sendo o pensamento majoritário alvinegro nos últimos anos. E mais, o quão gado vem sendo o torcedor alvinegro:
2016 - Figueira é rebaixado para a série B;
2017 - A diretoria alvinegra, capitaneada pelo Wilfredo Brilinger, apresenta investidores dispostos a assumirem o clube e realizar um antigo sonho do Figueira: o clube-empresa. As promessas da empresa eram as melhores: Libertadores até 2022, estabilidade da série A, zerar a dívida do clube em 20 anos e construir uma Arena. A coisa era meio nebulosa, pois os "investidores" não estavam dispostos a aparecer e seriam anônimos (fantasmas). Na época ouve muito bafafá. Lembro muito bem que tivemos extensas discussões em Floripa e nos grupos de Whatsapp, incluindo este. Meu argumento é que o dinheiro poderia ser proveniente de tráfico de drogas, desvio de verbas públicas ou qualquer outra fonte criminosa que necessite ser lavado. O argumento da torcida alvinegra guiada pelos dirigentes era outro: “no futebol não tem santinho. Cai na real, Avaiano invejoso do mangue.”. Ressalto que a imprensa nativa teve papel fundamental nesta história ao não investigar com seriedade a tal empresa e os tais investidores. E mais, nem mesmo fez perguntas incisivas com o intuito de desmascarar a grande farsa. Parafraseando Romero Jucá, o que vimos foi “um grande acordo” alvinegro, com a diretoria, o conselho deliberativo (que aprovou o clube-empresa por 85 votos a 2), o presidente do clube, a torcida e a imprensa, com tudo.
Nos primeiros meses, ainda em 2017, a empresa, agora com o nome de Elephant, quitou as dívidas mais urgentes do clube e livrou o time do rebaixamento da B no mesmo ano. Foi uma festa e um sinal "robusto" de que a empresa veio para revolucionar.
2018 - Os investimentos não apareceram e nova briga para não cair para a série C.
2019 – Outra briga na parte inferior da tabela, mas essa, com até então o evento mais vexatório da história alvinegra: o famoso WO. A empresa em seguida foi enxotada e a nova diretoria assumiu com o mantra "retomada alvinegra". A torcida abraçou cegamente e o Figueira foge do rebaixamento heroicamente, acreditando que navegaria em mares mais calmos em 2020.
2020 - Pois bem, contrataram alguns medalhões (Sidão e Arouca), outros desconhecidos e formou um time muito do ruim. O ano foi terrível, culminando com o rebaixamento no 37° jogo do campeonato da série B. Então a diretoria abriu a caixa preta e afirmou que a dívida saltou, em dois anos de Elephant, de 80 ~ 90 milhões para 163 milhões (nos dois CNPJ, por ainda tem isso), uma das maiores do futebol nacional. Apressa-se ao convocar o gado alvinegro, torcida, para uma campanha de associação em massa para salvar o time. A torcida comparece, sempre anestesiada e sem raciocinar, mas compra a ideia.
Todavia, a história ainda teria mais um capítulo constrangedor: a queda da Ponte. Chega o último jogo do campeonato e a diretoria, mesmo com o time rebaixado, precisava de uma vitória em casa no último jogo da série B para falar para o seu torcedor: "abraçamos o time, mesmo rebaixados saímos de cabeça erguida!". O que se viu: um verdadeiro massacre contra o Figueirense e sua história centenária. Derrota no estádio Orlando Scarpelli por 7 x 2 para uma desinteressada Ponte Preta. Assim se fecha um dos capítulos mais lamentáveis da história alvinegra. O livro continua e novas histórias virão, mas entendam: futebol é antes paixão que razão, mas mesmo uma pessoa apaixonada não pode ser extremamente estúpida. Se os fatos estão postos na mesa e a traição é constante, a razão deve sobrepor paixão.
Por que me dei ao trabalho de escrever todo este relato? Em vários grupos de Whatsapp tenho visto esta coisa constrangedora chamada "Orgulho Alvinegro". O Figueirense, para Santa Catarina, é grande, sem dúvida. Mas enquanto continuarem com essa postura ufanista a derrota e a humilhação continuarão presentes.
Saudações avaianas e sucesso na série C 2021.
* Fernando Torquato Silveira, o "Fefito", é associado do Avaí FC
Maravilhoso teu texto Fernando. E fazendo uma observação: está mesma torcida que agora ama tanto seu clube, é a mesma que invadia o campo como aconteceu no clássico, que invadiu treino para bater nos atletas, que depredou seu estádio seu próprio estádio algumas vezes. Isso que chamo de um caso de amor e ódio.
Muito boa análise e acrescento, até Juca Kfoury tentou evitar o pior. Lá de São Paulo (ouvi de sua própria voz, pelo rádio) deu o recado alertando sobre a índole dos que se habilitavam para "salvar" a pátria Alvinegra. Parece que ninguém acreditou.
São lições a serem aprendidas. - RC
Belo relato!! Parabéns!!
Eu também venho falando, há tempos, algo similar para amigos que torcem pro rival. Enquanto estiverem atrás da fórmula mágica, à la Papai Noel, que alavanque o seu clube em um tempo recorde, ficarão reféns de promessas de aproveitadores de plantão. Enquanto isso, somam vexames e fracassos.
Olhando para o nosso quintal, é bom que o Avaí esteja atento a tudo que acontece no outro lado da ponte para não ter o mesmo destino do rival e o seu gado no futuro.
Grande abraço.
Entre histórias e estórias de tudo que já se ouviu sobre tudo isso nestes últimos 30 anos, podemos ver que jamais houve seriedade nas coisas deste Clube.
Dinheiro das letras, foi parar onde?
Construção de prédio, dinheiro de onde?
Muitos espertos no caminho do Figueira e quem paga é o Clube e sua torcida. Sem contar a vergonha pública.
O que fizeram de p....entre o final de 1998 ate 2012 tem mais é que cair da série D!
Lembro do comentário do Juca Kfoury. Ouvi de muitos torcedores comentários raivosos e chingamento ao jornalista, um dos melhores que conheço. A verdade apareceu.
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