quarta-feira, 16 de março de 2022

Reunião extraordinária do Conselho Deliberativo debate situação atual do clube

Nesta terça-feira (15) ocorreu no restaurante da Ressacada mais uma Reunião Extraordinária do Conselho Deliberativo do Avaí Futebol Clube. A reunião ocorreu de forma presencial e contou com a presença de 71 conselheiros. Foi disponibilizado link para aqueles que não puderam comparecer acompanharem as discussões de maneira remota, desta forma 23 pessoas, entre sócios e conselheiros, estiveram presentes.

Na pauta do dia estavam a leitura e aprovação da ata da reunião anterior; ratificação de renúncia de remuneração variável por parte da Diretoria Executiva no Exercício de 2022; convocação de representante(s) da Diretoria Executiva para manifestação acerca do momento desportivo e administrativo do clube; apresentação e avaliação do regimento interno da comissão permanente especial; deliberação de novas indicações ao Conselho Deliberativo; assuntos gerais.

A reunião teve início em primeira chamada marcado para às 19h e em segunda chamada para 19h30. A ata da reunião anterior foi aprovada tendo apenas um voto em contrário.

Ratificação de renúncia de remuneração variável por parte da Diretoria Executiva no Exercício de 2022

A Mesa do Conselho leu o ofício encaminhado pela Diretoria Executiva do Avaí Futebol Clube abrindo mão de quaisquer remunerações variáveis (bônus) referentes ao ano de 2022. O conselheiro Gilson Kremer apresentou à Mesa do Conselho uma petição pelo cancelamento da votação da remuneração variável ocorrida na última reunião do conselho, em 31 de janeiro. A Mesa do Conselho Deliberativo acatou a petição, mas propôs que se avance no sentido de reconhecer que o mérito da questão já está superado, devido ao oficio da Diretoria Executiva que abria mão da bonificação.

Manifestação acerca do momento desportivo e administrativo do clube

O presidente do Avaí Futebol Clube, Júlio César Heerdt, compareceu à convocação do Conselho Deliberativo e explanou sobre as questões administrativas do clube neste início de ano. O presidente iniciou a conversa anunciando que na próxima quinta-feira (17) irá fazer um pronunciamento ao torcedor avaiano e imprensa com os resultados da auditoria feita desde o início da gestão. Havia R$ 172 mil no fluxo de caixa do clube ao final de dezembro de 2021. Foi feito adiantamento junto à detentora de direitos de TV no valor de R$ 7.8 milhões. No clube havia oito meses de atraso em direito de imagem e cinco meses de salários (CLT).

Dívida de curto prazo no início do ano era na casa dos R$ 32,5 milhões, sendo R$ 7 milhões de reais em salários e encargos, além de R$ 6,2 milhões de premiações de 2021 e 2018, bem como outros débitos. O presidente relatou as dificuldades encontradas e o que elas podem e poderiam acarretar em punições e exclusões do Avaí em programas de negociação de dívida. Ainda há dívida de curto prazo na ordem de R$ 32 milhões de reais. Segundo o presidente, em 75 dias foram pagos cinco meses de salários ao grupo de jogadores e houve o acerto do restante com o elenco (dois meses) de forma parcelada e pactuada com o grupo, que considera os salários em dia, segundo o presidente. Além disso, foi acertado com os jogadores que impetraram ação no STJD e com isso limada qualquer chance do Avaí perder pontos.

O presidente agradeceu os atletas pelo compromisso e por aceitarem as condições para permanecer e que acreditaram no plano de um novo Avaí. Ainda no passivo fiscal o montante de dívida é na casa dos R$ 57 milhões, que se encontram em atraso em seus parcelamentos. As obrigações fiscais sem parcelamento somam R$ 16 milhões (INSS, FGTS, Imposto de Renda). Em janeiro e fevereiro tudo está sendo pago em dia, segundo o presidente, inclusive os encargos de folha de pagamento.

O presidente Júlio informou aos conselheiros que foi surpreendido na CBF com o não pagamento da cota da segunda fase da Copa do Brasil. Foi explicado pela Confederação que o valor já havia sido depositado, ou seja, foi pago em duplicidade. O Conselho Fiscal do Avaí identificou o valor em duplicidade e recomendou à antiga gestão a devolução do valor. O recomendado não foi cumprido e assim descontado da cota do Avaí em 2022. Foi conseguida a reversão desse pagamento, sendo o erro de 2021 parcelado em dez vezes. O relatório completo com mais explicações em profundidade será apresentado na próxima quinta-feira (17), às 10h, com transmissão da TV Avaí.

Na sequência, o diretor de esportes, William Thomas, e o gerente de futebol, Marquinhos Santos, tomaram a palavra para esclarecer o projeto do futebol do Avaí para 2022. O diretor reconheceu que os resultados estão aquém do esperado e fez questão de agradecer o apoio do torcedor com o clube no momento difícil. O diretor deixou claro que o cenário para que o Avaí tenha um crescimento perene e sustentável deve se apoiar em projetos semelhantes e que optaram por um projeto orgânico e de reestruturação. William ressaltou a importância de todos que passaram pelo projeto e que contribuíram com os resultados de campo, seja do ano passado e deste, e deixou claro ao conselho que há insatisfação diária com os resultados e uma inquietação com aquilo que precisa melhorar.

William explicou as dificuldades em contratar atletas, que se comunicam e sabem o cenário atual do clube e isso pesa em futuras negociações. Segundo o gestor, para cada contratação efetuada, 15 foram negadas. Para Thomas, o Avaí só tem um caminho: a união, a construção e o projeto bem executado. Na sequência, o gerente de futebol, Marquinhos Santos, fez uso da palavra e agradeceu o empenho dos atletas que terminaram o ano com sucesso apesar das adversidades enfrentadas. Fez um apelo ao conselho para coloque em pauta uma alteração na data das eleições, que, na visão do dirigente, atrapalham o mercado do futebol e suas negociações. Marquinhos não se eximiu da culpa ou da responsabilidade, mas fez questão de pontuar que essas dificuldades financeiras e de credibilidade do Avaí perante o mercado nacional pesam, sim, para contratações de atletas e renovações. Após as explanações, foi aberta a oportunidade de perguntas dos conselheiros.

Apresentação e avaliação do regimento interno da comissão permanente especial

Foi entregue previamente para os conselheiros uma minuta do regimento interno na comissão permanente especial, coletivo criado com o novo estatuto do clube, aprovado em 2021, e que teve seus membros escolhidos na reunião do dia 31 de janeiro deste ano. A comissão formada pelos conselheiros Adir José da Silva Junior, Alessandro Balbi de Abreu, Eduardo Roberge Goedert, Jimena Furlani e Narbal Silva apresentou aos presentes o documento e como ele foi produzido perante as reuniões do grupo que iniciaram logo após sua nomeação. Após algumas discussões sugestões o documento foi aprovado.

Novos conselheiros

Na reunião desta terça-feira (15) também foram aprovados três novos conselheiros para compor a nominata. São eles: Paulo Roberto Machado, Gilmar Tormen e Guilherme Córdova Tormen.

Fonte: Avaí FC / Foto: Rafael Xavier-AFC

2 Comentários:

Fernando Avaiano 1979 disse...

André, tu fazes um trabalho excepcional com o Blog, quanta informação importante para nós torcedores debatermos, não consigo imaginar o trabalho diário que tu tens com o Blog, tu sim merecia uma estátua na Ressacada!!
Sobre o 5T e suas viúvas, ele tem mais de 50% de responsabilidade na situação atual, porque além de carregarmos a dívida e termos que gerenciar o estrangulamento repentino do caixa, sem patrocínios relevantes, estamos caracterizados como time mau pagador, ou seja, um clube sem caráter (reflexo do histórico de dirigentes). Que se apure e se denuncie inclusive criminalmente por gestão temerária / fraudulenta se for o caso. Mas não se pode calar ou se deixar sem ação (seria o mesmo que concordar).
Colocar as contas em dia, que entendo a nova Diretoria está fazendo pagando os vencimentos de 2022 e parcelando as dívidas, é o primeiro passo para recuperarmos nossa reputação com o mercado da bola. Gol da Diretoria.
O planejamento de campo, o produto futebol, tem infelizmente graves erros de planejamento (manutenção Claudinei, contratação Barroca e William Thomas), contratações equivocadas, esquema tático equivocado e falta de perspectiva de melhora. Não canso de repetir, tem time fazendo muito mais com muito menos. Se é tão difícil contratar um centroavante, porque liberamos o Jonathan de graça e não escalamos o Jô com sequência? Se é difícil contratar um meia, porque tiram o Vinicius Leite de campo? Se temos um buraco ridículo no meio, porque não se muda o sistema para um 4-5-1? É mais vergonhoso se jogar fechado como o Palmeiras (não por uma bola como o Claudinei), mas organizado e saindo rápido ou tomar 7 do rival? Porque a gurizada não foi testada nos primeiros jogos do Catarinense enquanto os máster se condicionavam, como faz o Atlético Paranaense? Porque Rômulo é escalado tanto e Alemão permaneceu entregando jogo bisonhamente? São tantas perguntas de erros grosseiros não respondidas que fica difícil acreditar que é só questão técnica e não o recorrente esquema com empresários...

Raniere disse...

André, reconhecer que os resultados não são bons e assumir a culpa, ok! Mas eu quero saber o que é que será feito para mudar este panorama. Quais atitudes, quais correções de rota serão realizadas na etapa de "act"?

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