Bom dia, Azurras - nº 5.417
SEM PILOTO
Algumas coisa são difíceis de entender no Avaí, cuja peça
orçamentária para o ano de 2025 proposta pela direção do clube foi rejeitada em
dezembro próximo passado, por apresentar um déficit de quase R$ 50 milhões.
Depois de três meses, contando com a anuência do presidente
do Conselho Deliberativo, a diretoria executiva volta com mais três propostas
sobre o referido tema, e pasmem, todas com déficit...
Não consigo entender como pessoas tão capazes, verdadeiros “PhDs”,
com salários robustos, muito acima de executivos de grandes empresas, não
conseguem elaborar uma peça orçamentária com superávit, e nem seria a questão
de ter resultado positivo, mas esses diretores bem pagos não conseguem aumentar
a receita do clube...
Pior do que o que estamos vendo, é a forma como as tais
propostas foram apresentadas aos conselheiros, que devem apreciar e deliberar
sobre o assunto na noite de hoje, como se esses conselheiros fossem os
principais responsáveis pela gastança desenfreada ocorrida no clube desde o ano
passado, com essas mesmas figuras do corpo diretivo.
Ao que tudo indica, tal qual a comédia dos anos 80, “Apertem
os cintos, o piloto sumiu”, aquele “piloto” que deveria comandar o clube num
voo tranquilo, num céu de Brigadeiro recheado de muitas verbas, está tratando
de transferir responsabilidades...
Efetivamente, aquele “piloto” eleito sumiu, deixando seus
asseclas tomarem conta do destino do clube, rasgando dinheiro mês a mês...
LICENÇA PARA GASTAR
Parafraseando outro filme, “007 – Licence to kill”, ou “Licença
para matar”, ou “Permissão para matar”, o que a diretoria executiva do Avaí
está tentando é uma “licença para gastar”, tal qual fizeram no ano passado,
onde dizimaram os mais de R$ 60 milhões dos negócios com a Liga Forte União.
Vale lembrar, para os mais desavisados, que este ano o raio
não vai cair no mesmo lugar, ou seja, eles não terão os mesmos recursos
pulverizados no ano passado, e até por isso, três propostas, todas com
déficit...
E se disse que querem “licença para gastar”, o que estão
fazendo verdadeiramente é utilizar-se do sentido literal do título do filme, “licença
para matar”, mas aqui, matando o futuro do clube, que apesar da Recuperação
Judicial, voltaria a mergulhar em dívidas...
E passo seguinte, atolado num rombo financeiro, ter a "genial" ideia de buscar novos parceiros para o clube...
NOVIDADE ESQUISITA
Chama atenção nas propostas da peça orçamentária feita pela
diretoria executiva, que em todas há uma justificativa, ou melhor, uma
observação de como ficará o futuro do clube, um reflexo imediato, como por
exemplo, ter como objetivo apenas e tão somente não cair para o Brasileiro da
Série C, caso tenha que reduzir despesas...
Mais uma vez, percebe-se com clareza solar, que os
dirigentes avaianos não conseguem fazer uma equipe competitiva sem resgar um
oceano de dinheiro, como fizeram no ano passado, e estão mantendo o ritmo nessa
temporada, a partir da hora que adotaram uma interpretação distorcida do
estatuto do clube.
Irresponsáveis!
MESMO ORÇAMENTO
A primeira proposta apresentada é a que está sendo colocada
em prática desde dezembro, após a rejeição da peça orçamentária: estão gastando
tanto quanto foi gasto na temporada passada, muito acima do que o clube arrecada
mês a mês nesse primeiro trimestre, ou seja, caminhando para os rombos nas
contas...
Fácil deduzir, que a conquista do Campeonato Catarinense
deste ano, diferente do que disse o mandatário avaiano, foi sim com o elenco
mais caro da competição, superior as folhas de Criciúma e Chapecoense.
Por oportuno, desminta-se aqui mais uma vez, as assertivas
do encantador de serpentes, de que clubes como Novorizontino, primeiro
adversário no Brasileiro da Série B este ano, e Mirassol, tinham folhas
superiores a do Avaí. Mentira! O Mirassol subiu com uma folha bem inferior ao
que tinha o Avaí...
SEGUNDO CENÁRIO
A segunda proposta, ainda que haja uma redução de receitas e
de custos, também deixaria um grande rombo nas contas do clube, menor que na
primeira proposta, mas igualmente temerária, até porque o déficit ficaria muito
próximo do que ocorre na primeira proposta.
Nesta hipótese, diga-se de passagem, em vista do decréscimo
nas despesas, a diretoria executiva aposta num cenário de impossibilidade de
contratações na nova janela de transferências na metade do ano, ou seja, o
clube faria uma campanha de manutenção na Série B.
TERCEIRO CENÁRIO
O terceiro cenário, o menos deficitário, aponta para um
enxugamento da máquina administrativa, e até mesmo do elenco, como se fosse
muito fácil dispensar ou rescindir com os jogadores de futebol...
Em termos de receita, ficaria a mesma da proposta anterior, a
segunda, mas as despesas seriam na ordem de 50%, provocando um déficit muito
menor, mas comprometendo o desempenho dentro de campo, afetando as categorias
de base, antevendo apenas e tão somente uma campanha no Brasileiro da Série B
para evitar o rebaixamento para a Série C...
DISCURSO AO VENTO
Percebam, e isso está bem claro, que outra vez a diretoria
executiva fala na peça orçamentária “naming rights”, patrocínio máster, entre
outras coisas, mesmo discurso utilizado em dezembro do ano passado, mas sem
resultado prático passados três meses...
Pior que isso, o clube segue gastando mais do que devia,
inclusive mantendo três jogadores que, juntos, rasgaram mais de R$ 1,2 milhão
no primeiro trimestre, sem que o executivo de futebol seja cobrado, apesar das
abobrinhas arrotadas em entrevista de Norte à Sul do Estado...
ALTERNATIVA
Mais do que escolher a peça orçamentária a ser adotada pela
diretoria executiva, o que os conselheiros do clube precisam é colocar um freio
na gastança desses irresponsáveis, como ocorreu ano passado, quando o ator de
pornô filme francês, não economizou no verbo para dizer que o clube gastou “o
que os conselheiros aprovaram”...
A artimanha está montada, o Conselho Deliberativo do clube
precisará definir entre três propostas deficitárias, o que é lamentável, mas
ainda assim, entendo que melhor seria uma quarta proposta: justamente colocar
um freio na gastança desenfreada, que não levou o clube a qualquer conquista,
exceto o fraco Campeonato Catarinense deste ano, e sabemos bem a que preço...
Talvez a criação de uma comissão para controlar esses
gastos, com alguns representantes do CD, mas o que não se pode é deixar esses
mesmos diretores rasgarem o dinheiro do clube como fizeram no ano passado...
Saudações AvAiAnAs!
Boa tarde.
Tudo isso ocorre porque o modelo diretivo do futebol é imperial. Quem é eleito recebe todos os poderes e quase nenhuma responsabilidade financeira. Tem que ter instâncias compostas pela base do clube, no caso o torcedor comum, que tenha força legal e regimental para se contrapor ao imperador de plantão.
Não podemos esquecer que o poder é exercido por uma cúpula de "notáveis" que se autopreservam.
Estes atuais dirigentes por certo serão candidatos na próxima eleição. Será nossa oportunidade de manda-los para muito longe do Avaí. Ou vamos falir ($) muito em breve.
Lógico que um fair play financeiro no Brasil, feito igual os outros países iria resolver esses problemas, dirigentes não poderiam gastar mais do que o orçamento anual, mas claramente ninguém quer. Mais vale deixar as dívidas pro futuro, transformando clubes em Safs ou deixando a dívida pra em um futuro todos decretarem falência.
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