quarta-feira, 14 de maio de 2025

Bom dia, Azurras - nº 5.459

PRESENTE

Conforme havia comentado ontem, estive presente no “1º Seminário do Comitê da SAF do Avaí”, que ocorreu na noite passada, na nossa bela Ressacada, atendendo ao convite feito pelo Conselho Deliberativo.

 

Inicialmente, há que se cumprimentar os trabalhos conduzidos pelo presidente do CD, Bernardo Corrêa de Sousa Pessi, bem como pela explanação feita pelos convidados, Andrei Cóta, da “Conwert – Gestão Empresarial”, e Marcos Andrey de Souza, conselheiro do clube e sócio na “Cavallazzi, Andrey, Restanho & Araújo Advocacia”.

 

Verdade seja dita, ao menos no seminário de ontem, pouco se falou em SAF (Sociedade Anônima do Futebol), mas muito dos números alarmantes em que chegou o Avaí Futebol Clube, notadamente em 2024, quando atingiu o patamar de R$ 197 milhões em dívidas.

 

Ambos os convidados, ou palestrantes, trabalharam conjuntamente nas negociações das dívidas do clube, o primeiro, bem como na Recuperação Judicial, o segundo.

 

Por óbvio, o estratosférico número da dívida, não foi feito na atual gestão, que inclusive encolheu a dívida do clube em 2022, mas nos anos seguintes, 2023 e 2024, abriu a torneira, propiciando esse rombo impagável para um clube do porte do Avaí...

 

TODOS

Conforme muito bem colocado por Andrei Cóta, “entra gestão e sai gestão, o Avaí sempre tratou de aumentar sua dívida”, e isso ficou bem claro num gráfico apresentado durante a palestra.

 

Em minha colocação sobre o que disse Cóta, tratei de ratificar que todas as gestões contribuíram para o aumento da dívida, inclusive a atual gestão, conduzida por Júlio César Heerdt.

 

Ainda que digam que os juros das questões tributárias são elevadíssimos, o que é verdade, deliberadamente a atual gestão tem optado por deixar de recolher suas obrigações, que estão aumentando na medida em que não se conclua a Transação Tributária.

 

GESTÃO

Semanas atrás, escrevi que os problemas do Avaí estão nas gestões aplicadas no clube, e enfatizei que desde 2019 para cá, o clube nunca recebeu tanto dinheiro quanto nesses últimos anos.

 

Em 2023 e 2024, anos em que as dívidas do clube explodiram, chegando nos R$ 197 milhões revelados ontem, tivemos a entrada de mais de R$ 65 milhões, dinheiro oriundo da Liga Forte União.

 

O clube preferiu colocar 72% em folha salarial, imagem, e na contratações de Pessoas Jurídicas, que propriamente abater boa parte da dívida...

 

Fazer futebol a qualquer preço, qualquer um faz. Por isso clubes como Mirassol, Novorizontino, Criciúma, servem como exemplo de gestões bem sucedidas, sem esquecer de Fortaleza e Bahia, ambos SAF hoje em dia, mas que colocaram a casa em ordem no modelo associativo.

 

EQUACIONADO

Fato é que, conforme explanação dos convidados, as negociações de dívidas, culminando com a Recuperação Judicial, deu uma grande oxigenada nas finanças do clube.

 

A dívida total de R$ 197 milhões, abrangendo trabalhistas, cíveis e tributárias, teve um deságio de R$ 111 milhões, ficando R$ 86 milhões para que o Avaí as pague em até 12 anos.

 

As questões trabalhistas e cíveis já começaram a ser pagas, faltando a conclusão da Transação Tributária.

 

RECEITA COMPROMETIDA

Desde que o Avaí envolveu-se nas tratativas com a Liga Forte União, que nasceu “Liga Forte Futebol”, havia a possibilidade de vender 20% dos direitos comerciais pelos próximos 50 anos, por R$ 92 milhões, em quatro parcelas de R$ 23 milhões.

 

Tempos depois, descobriram que o negócio não era tão “azul” assim, e renegociaram os percentuais. O Avaí vendeu, ou melhor, recomprou 5% do que havia vendido, na verdade, não recebeu esse percentual.

 

Fato é que nos próximos 50 anos, há 15% a ser descontado das receitas de direitos comerciais do Leão da Ilha, e mais que isso, agora com a conclusão da Recuperação Judicial, outro percentual será descontado nos próximos 12 anos...

 

PESADO

Não tenho a imagem do power point aqui, mas para 2024, quitada, bem como 2025 e 2026, diria que as obrigações para com a Recuperação Judicial são perfeitamente administráveis.

 

Todavia, a partir de 2027, com a conclusão também da Transação Tributária, o clube terá que arcar com um valor considerável, que oscila de R$ 7 milhões a R$ 8 milhões por ano, ou seja, de R$ 583 mil a R$ 666 mil por mês...

 

Levando-se em consideração que nada sobrou do “din-din” da LFU, independentemente de quem seguir na boleia do clube em 2026, terá que fazer um esforço hercúleo para não deixar a peteca cair, se é que me entendem...


Ah! E como deixaram bem claro, Recuperação Judicial tem que pagar!

 

ASSOCIAÇÃO OU SAF

Ao que tudo indica, o seminário de ontem serviu para mostrar o cenário apavorante das finanças do clube, com as digitais também da atual gestão, e que uma solução à curto prazo não existe, exceto a mudança de modelo...

 

Ora, não é o fato de ser à favor de um ou de outro modelo, mas não vejo esses responsáveis por esse pequeno “rombo” de R$ 197 milhões, ainda que a dívida avaiana venha de longa data, com estatura moral para mudarem o que quer que seja...

 

Certamente outra etapa do seminário surgirá, e levando-se em consideração que já sabem o valor do “cheque”, seria interessante mostrarem também formas de cobrir o referido valor, não apenas e tão somente mudar o modelo do clube de associativo para SAF...

 

BOLA ROLANDO

A 7ª rodada do Brasileiro da Série B será concluída na noite de hoje, com mais dois jogos, e depois deles, sim, saberemos se o Avaí segue dentro do cobiçado G4 ou não, até porque com o empate com o Atlético Goianiense, está em terceiro.

 

Em Belém, 19 horas, o único time invicto na competição, o Remo, 4º colocado com 12 pontos ganhos, recebe Vila Nova, 2º com 13 pontos. Um empate ou uma vitória remista, o Avaí perde uma posição...

 

Em Belo Horizonte, 19h30min, teremos América-MG x Paysandu, e outra vez o Leão da Ilha pode perder posição se houver vitória do mandante. O Coelho está com 9 pontos ganhos, 14º colocado, mas se vencer, empata com o Avaí, 12 pontos, mas supera pelo número de vitórias, 4 a 3. O Paysandu não ameaça, e o empate deixa o Avaí no G4...

 

Bora secar!

 

REFLEXÃO

A aproveitando a foto e as palavras do Adriano José Assis, o “AssisAzul”, o homem do “clickilhéu”, e embalado pelo que vi na noite de ontem, muitos questionamentos precisariam ser feitos, mas o básico seria qual a razão de deixarem o clube chegar nesse patamar de dívida?

 

Pelo dinheiro que entrou, pelas retóricas utilizadas ao longo desses 3 anos, 4 meses e 13 dias, deixam a impressão de que foi tudo milimetricamente calculado, principalmente pela irresponsabilidade...

 

Pelos torcedores associados que lá estavam, num número maior que dos conselheiros em outras reuniões, não tenho dúvidas de que o Adriano Assis está absolutamente correto: apesar do silêncio, a Ressacada está pulsando!

 

 

 

 

Saudações AvAiAnAs!

12 Comentários:

Raniere disse...

E é assim que a SAF assume um.clube de futebol, quando ele está com a corda no pescoço, corda esta colocada por aqueles que deveriam gerir o clube com responsabilidade.

Assis disse...

Roteiro bem organizado!

O 1⁰ Seminário do Comitê da SAF do Avaí, foi na verdade uma apresentação de power point do roteiro que vai da Recuperação Judicial até a transação tributária, que se fala está próxima!!! Num discurso bem “azeitado”, todos os agentes cumpriram milimetricamente suas falas, até a pergunta técnica feita por encomenda … Presenciamos, na verdade, mais uma etapa de um rito com estética democrática, que vai nos empurrar goela abaixo a Sociedade Anônima do Futebol, como o último panteão para sobrevivência do Avaí!!! Por que digo isso? Simples, em pouco mais de uma hora, foi nos apresentado um cenário de 12 anos com 25% de arrecadação comprometidos para pagamento da dívida negociada!!! Vamos começar todo ano com ¼ de nossa receita comprometida!!! Considerando que a partir de agora, a excelência administrativa vai pairar na Ressacada!!! Disto isso, o recado é: aceita que dói menos… Vem SAF por aí…

Vlade disse...

Então sobre a questão financeira do clube mesmo que venha a ter uma gestão de excelência daqui pra frente.Lembro que o conselho aprovou o déficit de quase 50 milhões para este ano.Sempre sobre a famosa questão vc quer um clube endividado na serie b ou um clube endividado na série c ou série D? Essa questão sempre vem a tona para referendar os abusos de gastos das gestões.Pelo andar da carruagem vamos precisar logo de outra Recuperação judicial .

Vlade disse...

Mesmo que a divida tenha encolhido e fique em 86 milhoes a serem paga em 12 anos.
Ja vamos ter quase 50 milhoes ref a 2025 que vamos pagar qdo?

GELSON ALBUQUERQUE disse...

Infelizmente, retornei do interior e não pude participar! Porém, os relatos apontam que tudo foi muito bem construído! Os passos adotados, parecem uma encenação da tragédia anunciada. E, agora teremos que ter uma solução mágica! A pergunta que sempre fazem nesse modelo é “é qual é a alternativa?” Não fui à reunião, mas alguém me informe se essa pergunta não foi feita veementemente? É o cenário sendo construído!

André Tarnowsky Filho disse...

Gelson Albuquerque,

Talvez eu não tenha sido suficientemente claro na BDA, mas a pergunta não foi feita.
O referido seminário, ao menos ontem, tratou apenas e tão somente de mostrar o buraco onde o Avaí se enfiou, ou onde enfiaram o Avaí, Júlio Heerdt incluso...

André Tarnowsky Filho disse...

Raniere,

Não mexo uma vírgula nas tuas colocação.
E ao que parece, tudo milimetricamente calculado, inclusive a irresponsabilidade dessa gestão...

André Tarnowsky Filho disse...

Vlade,

Sim, esse é o cenário montado, forjando uma dívida que o clube não precisaria ter para buscar a "salvação SAF"...

André Tarnowsky Filho disse...

Vlade,

Exatamente, ou seja, atolaram o clube em dívidas, fato que poderia ser perfeitamente evitado, não fosse essa gestão irresponsável...

alexandre disse...

Não pude estar presente ontem, para ver na íntegra a apresentação. A minha pergunta a todos Avaianos é: Um clube de futebol do tamanho do Avai gera lucro?
Respondendo com a minha opinião, é que não dá! Um clube do tamanho do Avai se sustenta com os recursos que ganha e assim por diante. Uma SAF ou seja uma empresa que tem um dono, precisa ter lucro, que seja série a,b,c ou d e se caso não tenha lucro, acontece o que?
Só vendo como está do outro lado da ponte. Eu tenho a certeza de com a valorização imobiliária da nossa valiosa região, tem empresários de olho.

André Tarnowsky Filho disse...

Alexandre,

Teu raciocínio não errado, inclusive, se não tivessem rasgado o dinheiro da LFU, certamente teríamos um novo CT, mas a irresponsabilidade foi maior e acabaram apenas trocando um piso de treinamento por sintético.
Muitos questionamentos irão surgir, e até nessa questão do "lucro", certamente o patamar do Avaí não oferece grandes vantagens...

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