quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Bom dia, Azurras - nº 5.728

NÃO É TÃO SIMPLES ASSIM

A nova onda do futebol brasileiro, que dizem funcionar como um toque de mágica, é a transformação de um clube associativo, como é o caso do nosso Avaí Futebol Clube, numa SAF (Sociedade Anônima do Futebol).

 

A coisa até pode parecer simples, mas pelos exemplos que brotam a cada dia, a coisa não é tão simples assim, nem tem “poderes” para transformar um clube endividado em vencedor... 

 

Numa visão mais apurada, até mesmo aqueles clubes que conquistaram algo num curto espaço de tempo, e aqui podemos citar o Botafogo de Futebol e Regatas, pode se transformar também numa grande dor de cabeça.

 

O clube carioca, por exemplo, depois de conquistar o Campeonato Brasileiro da Série B, em 2021, em dezembro daquele ano assinou sua transformação, passando o comando para John Textor. Vieram conquistas, como Taça Rio em 2023 e 2024, Brasileirão e Libertadores em 2024. Ano passado, o que parecia um mar de rosas, passou a virar pesadelo e hoje o clube está batendo à porta da “Dona Justa”, pedindo Recuperação Judicial da própria SAF...

 

A criação de uma SAF, por si só, não resolve problemas estruturais de um clube endividado, se não houver gestão. E aqui volto ao que já escrevi tempos atrás sobre o “nosso quintal”, e baseado nas verbas recebidas pelo Avaí nas duas últimas gestões, mesmo sendo associativo, poderíamos estar numa situação de dar inveja para muita gente e inclusive servir de exemplo.


Regras claras, governança e transparência são decisivas para evitar riscos que uma eventual SAF, como a do Botafogo, pode gerar.

 

Uma SAF, tal qual qualquer empresa sadia, pode ser extremamente útil, mas nunca será um milagre.

 

Um clube associativo, desde que bem gerido, pode ter vida longa e seguir sendo competitivo, como temos visto nesse Avaí franciscano de hoje.

 

ERRO COMUM

A criação de uma SAF no Brasil tem sido tratada como algo simples, tal qual estão fazendo no Avaí, um “projeto” que iniciou na gestão passada, com apoio de parte do Conselho Deliberativo, que sempre chamei de “tropa de choque”, mas que mostra-se sem a estrutura jurídica necessária, sem o mínimo de regras claras, colocando o destino do clube em risco, nas mãos de um único dono, caso do clube carioca citado acima.

 

Diga-se de passagem, em recente protesto da torcida alvinegra carioca, o investidor americano mostrou-se irredutível, mas diz que deixa o clube na medida em que a torcida pague o que investiu...

 

Ontem, no Canto, iguais protestos sob os mesmos argumentos, muto em função da trajetória esportiva “doladelá”, mas a teórica estrutura de SAF resiste aos gritos da torcida, até porque fazem ouvido de mercador...

 

NÃO GARANTE SOLUÇÃO

Somente clubes em desespero de causa, sem calendário, sem torcida, abraçam de olhos fechados a ideia de virar SAF. Como colocado acima, a SAF não é um milagre e pode ser interessante na medida em que haja profissionalização, regras claras, capacidade de gestão e obviamente, transparência.

 

Voltando para o “nosso quintal”, a gestão de 2022 fez o clube enxugar suas dívidas, com o que chamamos de “colocar o trem nos trilhos”. Todavia, por alguma razão ainda sem explicação, os anos seguintes foram orgia financeira, com sérias consequências nos dias atuais...

 

Dessa forma, nunca é demais lembrar, a SAF não “apaga” as dívidas, pode seguir faltando “din-din”, e dentro desse aspecto, a crise de gestão, ou a falta de gestão, será inerente...

 

CONFLITOS

Se pegarmos o exemplo carioca, bem como o do Canto, notaremos que há semelhanças, e aqui fecho os olhos para os patamares esportivos dos dois clubes...

 

Todavia, ambos seguem com salários atrasados, ambos estão envoltos em questões judiciais, e mais que isso, a torcida pouco é ouvida, até porque a SAF tem dono...

 

Ou seja, a SAF é um caminho sem volta, que ficará à mercê de seu dono...

 

ILUSÃO

No Sul da Ilha, há o discurso de uma solução mágica que está sendo vendido aos torcedores, como que a transformação do clube associativo em SAF fosse reduzir ao ó todos os nossos problemas. Mera ilusão...

 

Ao invés de discutirem o modelo jurídico do clube, o foco deveria ser outro: quem vai gerir, quais são as regras, que controle teremos, qual o compromisso com a instituição de quase 103 anos.

 

Sem profissionalização real, e aqui não falo apenas na remuneração dos dirigentes, sem transparência, sem governança séria, seremos apenas mais um dos muitos iludidos que estamos vendo no futebol brasileiro...

 

PARABÉNS, MERCADO PÚBLICO

Estou “no ar” há bastante tempo. Sou da boa safra de 1961, emplacando 65 verões na próxima sexta-feira de carnaval. Mas a data festiva hoje saúda um dos marcos da minha “terra de sol e mar”, que o tempo transformou em Ilha da Magia, Floripa e outras alcunhas, o nosso Mercado Público.

 

Esse monumento histórico da cidade hoje completa seus 127 aninhos, com muito glamour, muita festa, muita energia, muita vitalidade...

 

Muitas histórias vivenciei no Mercado Público, que conheci quando criança, época em que as águas da Baía Sul beijavam seu muro e os barcos de pesca por ali aportavam.

 

Parabéns, Mercado Público de Florianópolis!

 

 

 

Saudações AvAiAnAs!

1 Comentário:

LUGO disse...

Bom dia.
Me apresente uma só empresa que é profissional e transparente quando a água bate no topo das coxas? Isso não existe no mundo empresarial, onde o objetivo é que a cana deixe de ter bagaço.
Quem adere a SAF está casando com uma Viuva Negra, que na ciência recebe o nome de Latrodectus (ladrão que morde). Coincidência?!

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