Bom dia, Azurras - nº 5.735
DE ONDE VEM O RETORNO?
Acostumei a ver o inglês Tim Vickery na SporTV, um cara sensato, sem clubismo, e indo
direto ao ponto. Todavia, ontem recebi um vídeo de pare de uma entrevista dele
ao “Setor Sul Podcast”, que faço questão de reproduzir, até porque o assunto abordado
é a SAF. O título da nota, é exatamente a pergunta feta por ele...
Vejamos:
“Eu tenho uma grande pergunta
que ninguém me deu uma resposta adequada ainda. E onde vem o retorno?
Porque tu vais investir numa coisa
que normalmente perde dinheiro, né?
Quem vai investir? Então isso traz
pessoas duvidosas, com motivos duvidosos, ou pessoas querendo lucrar tirando
jogadores para vender.
Eu não vejo isso como a grande
salvação. Não vejo, tanto que um dos países que primeiro passou na América do Sul,
que primeiro passou pra coisa virar negócios foi o Chile.
O futebol de clubes no Chile está
num... É um desastre...
Então obviamente não é a grande
salvação.
Obviamente o futebol brasileiro tem
um potencial pra gerar muito mais dinheiro, os negócios da possibilidade de parceria
com o México, Estados Unidos, mais investidores podem aparecer, mas de onde vai
chegar o retorno?
É uma pergunta que até agora ninguém
me deu uma resposta satisfatória.”
Acho, mas só acho, que o britânico
terá que esperar sentado, porque a resposta não virá...
EQUACIONADO
Conforme apresentação no primeiro seminário sobre SAF no Avaí, ocorrida
no dia 13 de maio do ano passado, dito pelos explanadores convidados naquela
noite, as negociações de dívidas feitas, culminando com a Recuperação Judicial,
deu uma grande oxigenada nas finanças do clube.
A dívida total de R$ 197 milhões, abrangendo trabalhistas, cíveis e
tributárias, teve um deságio de R$ 111 milhões, ficando R$ 86 milhões para que
o Avaí as pague em até 12 anos.
As questões trabalhistas e cíveis já começaram a ser pagas, faltando a
conclusão da Transação Tributária, que pasmem, ainda está em compasso de espera.
Mesmo assim, o que era R$ 154 milhões, cairia para R$ 68 milhões, já incluídos no
total de R$ 86 milhões...
Claro, nesse valor, não estão incluídos os valores do ano passado, onde
aquela gestão tratou de aumentar o rombo avaiano em mais R$ 50 milhões,
aproximadamente.
Dessa forma, numa conta feita em papel de pão, dos R$ 86 milhões em vias
de equalização, faltando apenas a Transação Tributária, teríamos que lidar com
um rombo de R$ 136 milhões, dos quais boa parte já diluída por 12 anos...
ESTRANHO
Curiosamente, chegou ao meu conhecimento ontem, o gráfico acima, apontando
para uma dívida que saltou de R$ 154 milhões para inacreditáveis R$ 222
milhões, e isso de 2023 para 2024. Ou a conta daquele seminário de maio de 2025
era enganosa, ou o gráfico acima está nitidamente equivocado.
Fato é que, baseado na planilha daquele seminário, exposta por gente que
tratou diretamente com os credores, bem como por advogado que comandou a
Recuperação Judicial do clube, prefiro ficar com a planilha exposta no
seminário...
Até porque, o gráfico acima parece não ter considerado o deságio da RJ, causando
espécie num primeiro momento.
RECEITA COMPROMETIDA
Desde que o Avaí se envolveu nas tratativas com a “Liga Forte União”,
que nasceu “Liga Forte Futebol”, e hoje é “Futebol Forte União”, havia a
possibilidade de vender 20% dos direitos comerciais pelos próximos 50 anos, por
R$ 92 milhões, em quatro parcelas de R$ 23 milhões.
Tempos depois, descobriram que o negócio não era tão “azul” assim, e
renegociaram os percentuais. O Avaí vendeu, ou melhor, recomprou 5% do que
havia vendido, na verdade, não recebeu esse percentual.
Fato é que nos próximos 50 anos, há 15% a ser descontado das receitas de
direitos comerciais do Leão da Ilha, e mais que isso, a Recuperação Judicial
está num ano crucial, o segundo de dois anos, que não permite atrasos, para que
o clube fuja de qualquer possibilidade de falência e siga pagando seus credores
por mais 10 anos, tal qual vem fazendo a Chapecoense.
PESADO
Nos últimos anos, e ao que tudo indica, foi assim ao longo da centenária
história do Avaí, o clube sempre gastou muito mais do que arrecadou. Dessa
forma, a Recuperação Judicial veio para equacionar aquela dívida que parecia impagável,
mas claro, com generoso deságio.
Por isso mesmo, tal qual colocou o inglês Tim
Vickery, ninguém deu uma resposta satisfatória pelo rombo criado em
2025, já com a RJ em curso, faltando apenas a conclusão da Transação Tributária.
Verdade seja dita, tanto com a RJ quanto com a TT, o clube terá que arcar com um valor considerável, que oscila de R$ 7
milhões a R$ 8 milhões por ano, ou seja, de R$ 583 mil a R$ 666 mil por mês,
aproximadamente...
ROTEIRO
“Num discurso bem ‘azeitado’, todos os agentes cumpriram
milimetricamente suas falas, até a pergunta técnica feita por encomenda …
Presenciamos, na verdade, mais uma etapa de um rito com estética
democrática, que vai nos empurrar goela abaixo a Sociedade Anônima do Futebol,
SAF, como o último panteão para sobrevivência do Avaí!!!
Por que digo isso?
Simples, em pouco mais de uma hora, foi-nos apresentado um cenário de 12
anos com 25% de arrecadação comprometidos para pagamento da dívida negociada!!!”
Palavras do amigo Adriano Assis, o homem do @clickilheu, publicada nesse
espaço na época daquele seminário sobre a SAF, com quem concordo. Diga-se de
passagem, o tal discurso bem “azeitado”, segue a pleno vapor, sem dar trégua,
se é que me entendem...
SOLUÇÃO?
Já escrevi nesse espaço, e repito, a SAF não é solução, pode ser uma grande
alavanca para a gestão do clube, mas como temos visto em alguns exemplos
associativos, como o Mirassol, e mais timidamente até a Chapecoense, que ainda
não recebeu qualquer investidor, quer no associativo, quer na SAF, tudo
dependerá da forma como o clube será gerido.
No print acima, sem me alongar em explicações, mostra que a SAF, em seis
clubes brasileiros, acabou aumentando a dívida, com destaque para o show de
horrores que vem tomando conta do Botafogo, agora atrás de Recuperação Judicial
para a própria SAF...
Vai entender...
RECOPA
Agora já sabemos quando teremos o Clássico da Recopa, visto que a FCF
marcou a data da partida que será realizada na Ressacada: 15 de março, domingo,
às 18 horas.
Num momento em que o Avaí passa pela ressaca da eliminação no Catarinense,
enquanto que o “doladelá” vive o drama da disputa para fugir do rebaixamento, não
há dúvidas de que o Clássico reacende emoções...
Saudações AvAiAnAs!



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