A REVOLUÇÃO E O MANEQUIM, by Roberto Costa
Antigamente
o brasileiro jogava futebol por instinto. É claro que os clubes e a
Seleção do País não dispensavam treinador, mas sempre tínhamos a
criatividade, o virtuosismo natural dos nossos atletas, que no fim das
contas era o que mais resolvia. Dizem as más línguas que Vicente Feola,
treinador da vitoriosa seleção de 58 cochilava no banco.
Os europeus queimavam suas pestanas buscando esquemas capazes de superar
nossos atletas, mas qual esquema poderia resistir à volúpia de uma
arrancada de Garrincha, driblando e fazendo de bobos os adversários? E
Pelé, cujos primeiros passos já prenunciavam um irresistível atleta? E
depois tivemos Zico, Falcão, Rivelino, Tostão, Didi, Nilton Santos, etc.
Que esquema poderia deter esses artistas da bola? Nenhum. Então os
europeus, com seus atletas de cintura dura faziam apenas o que lhes
cabia, admirar, invejar e aplaudir nossa arte vencedora, o nosso futebol
de exímios malabaristas.
Mas em 76 aconteceu Cláudio Coutinho, a quem deram o comando de nossa
Seleção. E Coutinho equivocou-se, inverteu as coisas. Comandava mestres e
foi buscar subsídiso em aprendizes, adotou o que a própria Wikipedia
chama de a europeização do futebol brasileiro. E ensinou nossos
jogadores a falar "over laping" e ensinou-lhes coisas como "ponto
futuro", ou seja, introduziu racionalismos naquilo que era puro instinto
e quem jogava em rítmo fluente e de samba, passou a precisar de tempo
para pensar jogadas.
Como se não bastasse, veio o pior, a famigerada Lei Pelé, que facilitou a
exportação de talentos adolescentes, os quais são burilados segundo a
cultura do futebol europeu, ou seja, nossos jovens talentos são
europeizados, treinados para não improvisar, para serem práticos,
objetivos, robotizados, mas raramente desconcertantes. Nossos artistas
levados a abdicar da alegria do drible.
Penso que nosso futebol precisa de uma revolução, paradoxalmente na
forma de um retorno às origens. Nossos treinadores e formadores de
atletas precisam de novo valorizar o talento natural, estimular nos
jovens o gosto pelo drible, jogada desconcertante que pode ser
considerada um timbre do jogador brasileiro e arma eficaz contra
qualquer esquema defensivo.
Mas agora que a CBF parece ter mudado para manter tudo do jeito que
estava, retornando com Dunga, quem sabe que idéias novas poderá trazer
esse senhor? Esperemos que não tente de novo portar-se no banco de
reservas como manequim exclusivo da filha figurinista.
Tudo segue como dantes. É lamentável, porque chegamos a ouvir, depois da
porrada alemã, algumas vozes pronunciarem a palavra intervenção!...







Era pra copiar, pelo menos em parte, o que já era, em épocas passadas, o futebol europeu, o que, certamente nos faria, eternamente, o melhor futebol do mundo.
O que temos hoje é um monte de clubes de futebol, literalmente, falidos mas pagando salários astronômicos pela contrapartida de um futebol medíocre, em nome de uma empresa que é, hoje, dona do pobre futebol brasileiro e visa, apenas, vantagens financeiras, sem qualquer foco na qualidade.
A verdade é que nosso futebol está morrendo e é preciso que sejam feitas mudanças profundas, antes que seja tarde.
A Série B alemã tem uma média de público de 30000 pessoas por jogo. Qual a média de público de nossa Série A?
A Alemanha tem, hoje, o melhor futebol do mundo, mas isso não ocorreu por eles terem copiado o Brasil, mas pelo fato de terem evoluído dentro de campo, amparados por uma organização adequada e séria, fora das quatro linhas.
Não se deve esquecer que num País corrupto como o nosso, não se haveria de poupar o futebol, no qual circula muito dinheiro, do alcance dessa desmoralização.
Byghal.
Byghal,
Assino contigo.
Na última linha, onde se elu "algumas vezes, leia-se algumas vozes." - Roberto costa
Roberto Costa,
Devidamente corrigido...
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